Balanço dos primeiros cinco anos da etiqueta dos pneus

A etiqueta dos pneus é obrigatória desde o dia 1 de novembro de 2012. Este pedaço de papel colado no piso do pneu destaca as prestações em eficiência e segurança dos novos produtos. Cinco anos volvidos, a etiqueta continua a ser uma obrigatoriedade, todavia sofreu algumas alterações, tornando-se cada vez mais criteriosa na classificação de pneumáticos. O objetivo é sempre o mesmo, ajudar os consumidores a comprar… (em) segurança.

A etiqueta foi lançada no dia 1 de novembro de 2012 (EC/1222/2009) para pneus produzidos depois de 1 de junho do mesmo ano e, desde então, tem feito parte do dia a dia das lojas e centros de pneus já que a partir dela se podem tomar algumas decisões em relação à compra de pneumáticos. Todos os profissionais do setor sabem do que se trata, mas para que ninguém se esqueça, é uma etiqueta promovida pela UE e colada no piso do pneu que fornece informações ambientais e de segurança importantes sobre cada modelo.

Pode ajudar a comparar pneus quanto à aderência em piso molhado, eficiência de combustível e ruído. A ideia básica da etiqueta é esta e a própria forma de a interpretar não é complexa, mas todos os estudos realizados pelos vários fabricantes no que diz respeito à etiqueta, segue a mesma direção. São poucos os consumidores que se interessam por ela. São poucos aqueles que a têm em consideração na hora de comprar pneus.
A preocupação de quem compra tem sempre mais a ver com a questão monetária do que propriamente com qualquer outro aspeto da etiqueta. Também por causa deste facto (que, aliás, não sucede apenas em Portugal), a União Europeia tem vindo a evoluir a etiqueta ao longo destes cinco anos de vida, celebrados em novembro, numa tentativa de criar maiores restrições à venda de pneus com pouca qualidade oriundos de várias zonas do globo que não a Europa.

Numa fase inicial, até 2014, esta contemplou a análise de apenas três critérios relacionados com os pneus: resistência ao rolamento, distância de travagem em piso molhado e nível de ruído exterior medido em decibéis.
A primeira alteração ocorreu em novembro de 2014, dois anos depois da estreia. Desde essa data está proibida a comercialização de pneus com a letra G no critério de poupança de combustível ou letra F no da capacidade de travagem em piso molhado.

A legislação referia ainda que no caso dos pneus terem sido produzidos antes dessa data, poderiam ser vendidos durante um período de 30 meses a contar do dia 1 de novembro de 2014. Assim, a partir de maio de 2017, a venda de pneus para veículos ligeiros e SUV que ostentem exatamente estas notas nos critérios acima mencionados, está proibida na Europa. Todavia, esta medida não será aplicada aos pneus de inverno com nota F em travagem sobre piso molhado e ainda a alguns pneus de inverno com letra G no caso da economia de combustível, que podem continuar a ser vendidos (em Portugal não fará grande diferença, até porque não temos tradição em pneus e inverno). Em 2016, houve alterações no que concerne o ruído do pneu, nomeadamente com a questão dos decibéis que pode conhecer na caixa “como funciona a etiqueta”.

O que pressupõem então estas alterações para os consumidores?

Logicamente, os fabricantes e as lojas e centros de venda de pneus deverão respeitar as novas exigências. Todavia, no momento de adquirir pneus de verão, aqueles que os portugueses compram habitualmente, é recomendável comprovar que têm, como mínimo, a letra/nota E no caso da travagem em piso molhado e a F na questão da economia de combustível. Todavia, o hábito de olhar para a etiqueta continua a não existir e poderão comprar pneus com padrões de teste muito baixos, tornando-se, até certo ponto, perigosos.

Qual é o futuro da etiqueta?

No seguimento da evolução que tem vindo a ser realizada na etiqueta, no futuro, a Comissão Europeia vai alterar os valores mínimos da resistência ao rolamento. Assim, a partir do próximo dia 1 de novembro de 2018 será proibida a comercialização de pneus de verão destinados a veículos ligeiros e SUV avaliados com letra F ou inferior no que diz respeito à resistência ao rolamento. No que concerne os pneus de inverno, também para veículos ligeiros e SUV, esta proibição apenas vai afetar os pneus com nota G na resistência ao rolamento. A proibição definitiva entrará em vigor no dia 1 de maio de 2020 porque a Comissão Europeia voltou a estabelecer um período de mais 30 meses durante o qual os pneus produzidos antes da modificação da lei podem ser comercializados. As alterações serão sempre neste sentido: restringir os pneus de qualidade inferior, abrindo um espaço temporal para escoar algumas unidades já produzidas. Desta forma pode alterar-se o sentido da compra, até porque se não existirem à vendas pneus de classificação tão baixa, não poderão ser comprados, logo o consumidor terá de gastar mais dinheiro na sua segurança, mas, aí, entramos noutra questão: poderá optar por pneus usados ou recauchutados, mas será um tema para outras núpcias.

Fonte: Michelin