Carros elétricos obrigados a fazer ruído a partir de 2019

veículo elétrico
A chegada dos carros elétricos pressupõe alterações em muitos aspetos da condução e a área da segurança não é exceção. Em breve, os fabricantes de modelos híbridos e elétricos ver-se-ão obrigados a incorporar de série dispositivos que emitam um ruído que permita identificar o veículo, para aumentar essa mesma segurança.

Tanto nos Estados Unidos como na Europa, está previsto que a norma entre em vigor em 2019. Para o caso do nosso continente, desde 2014 que estamos num período que as autoridades da União Europeia chamam de adaptação (de facto, já há alguns modelos que incluem sistemas acústicos).
Esta nova regra será de aplicação obrigatória a todo o tipo de motorizações elétricas: Híbridos, PHEV (Plug-In Electric Vehicles), Elétricos, Elétricos de autonomia estendida e ainda os que tenham combustível e hidrogénio. Todos eles fazem parte de uma nova geração da mobilidade sustentável e estão a aparecer pouco a pouco (e em silêncio) nas nossas estradas.
Os principais defensores do carro elétrico não deixam de salientar que a condução silenciosa é uma grande vantagem em termos de contaminação acústica. Além disso, reflete-se numa experiência diferente da condução. Muitos fabricantes afirmam que essa ausência de ruídos de combustão reduz em alguns níveis o stress ao volante. No entanto, é exatamente esse silêncio que se pretende evitar do ponto de vista da segurança, em concreto para os peões.

Silêncio Vs Ruído: A segurança em primeiro lugar

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De acordo com os dados das autoridades ligadas aos transportes nos Estados Unidos (Department of Transportation), existe 19% mais de probabilidade de que um veículo elétrico atropele um peão, por comparação com um automóvel convencional. Com a nova regulação, que os EUA serão obrigados a cumprir a partir de 1 de setembro de 2019, estima-se que se possam evitar 2400 vítimas relacionadas com estas situações.
Essas vítimas estão associadas ao ruído que os carros elétricos não emite, porque no resto dos aspetos está demonstrado que estes são tão seguros ou mais do que os tradicionais.
Na Europa vamos adiantar-nos um pouco, pois a 1 de julho de 2019 a norma já estará em vigor no nosso continente. Estão, todavia, por ver os requisitos exatos que serão exigidos. Nos Estados Unidos será obrigatório que todos os automóveis com motor elétrico que pesem menos de 4,5 toneladas emitam ruído acima dos 30km/h, tanto para a frente, como em marcha atrás, num sistema que não pode ser desligado.
Em relação a isto, a Comissão Europeia já redigiu em 2011 uma série de recomendações, nas quais se situava essa velocidade em 20km/h. Outra diferença para os europeus é que essa data, 2019, se refere apenas aos modelos novos, enquanto que para os restantes já existentes será em 2021.

Que ruído terão que emitir os veículos elétricos?

O tipo de ruído que terão de emitir é ainda um campo controverso, sobretudo para os defensores acérrimos do carro elétrico. Estes acreditam que o som que emitam tem de ser único, afastando-se do típico ruído a que nos habituaram os veículos convencionais.
A proposta da União Europeia, por seu turno, assinala que “o som gerado pelos carros elétricos deve ser contínuo e proporcionar informação suficiente aos peões e outros usuários da via que sejam vulneráveis. O som deve ser facilmente identificativo do comportamento de um veículo e deveria ser semelhante ao som de um veículo da mesma categoria com um motor de combustão interna”.
Isto contrasta com a visão do responsável máximo da empresa francesa Arkamys, Philippe Tour. A empresa dedica-se, precisamente, ao desenvolvimento de sistemas acústicos para veículo. Tour acredita que os elétricos não têm que soar a algo que já conheçamos e considera que os fabricantes prefeririam optar por outro tipo de sons.
Por outro lado, a Associação de Cães Guia no Reino Unido (Guide Dogs Charity) escreveu uma série de recomendações dirigidas aos fabricantes, para os ajudar a definir o ruído pensando na segurança dos intervenientes:
– O veículo tem de ser ouvido seja qual for a sua localização e velocidade.
– Que o sistema de criação de ruído tenha conta quando o veículo tem de operar em condições mais silenciosas.
– O mesmo sistema tem de informar a direção do carro, especialmente se se encontrar numa situação de paragem temporária.
– O som gerado deveria imitar o som gerado por um veículo de combustão interna de características similares, realizado manobras parecidas.
– O sistema não se pode desconectar em nenhum caso.

Poderá a condução autónoma devolver o silêncio aos carros elétricos?

Tudo parece indicar que os carros elétricos vão acabar por soar de forma similar aos de combustão, dados os requisitos de segurança que os legisladores contemplam. Claro que a situação não tem de ser permanente, pelo menos se virmos a longo prazo. Para isso, temos de introduzir na equação do ruído a complexa variável da condução autónoma.
Sobre esta tecnologia já se chegou dizer que quando o veículo automatizado alcance o nível 5 da condução autónoma, os acidentes se vão reduzir a meras anedotas. Um dos exemplos da sua utilidade é dado pela capacidade que os veículos vão ter para detetar os peões e parar em caso de risco evidente. Isto pode levar-nos a pensar que no futuro estas prestações possam devolver o silêncio aos carros elétricos. De momento, isto é apenas um pensamento utópico, tendo em conta que até à data ainda não existe nenhum desenvolvimento da condução autónoma que seja infalível.

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Fonte: Circulaseguro.com