Como seria a estrada perfeita?

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Pensar em como seria a estrada perfeita – aquela que ofereça as maiores condições de segurança e comodidade – é um exercício que entra irremediavelmente no campo da ciência/ficção.


Tal como o desenho das estradas deve evoluir à medida que os veículos evoluem, podemos encontrar casos reais de estradas que se aproximam muito daquilo a que poderíamos chamar de estrada perfeita, pelo menos para os carros que conduzimos hoje em dia.

Ponto de partida: as estradas menos seguras

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Quando falamos de sinistralidade rodoviária, temos que inevitavelmente falar das estradas convencionais, que são a maioria. É também aqui que acontece grande parte dos acidentes que vitimam os utilizadores das estradas.

A causa desta maior sinistralidade está nas características próprias das estradas ditas normais:

– Para ultrapassar é preciso invadir a via contrária, aumentando o risco de colisões frontais entre veículos.

– As intersecções e entradas realizam-se ao mesmo nível, causando uma variedade de situações de risco entre veículos que se cruzam na trajetória ou que entram na estrada a uma velocidade diferente,

– Os traçados são mais antigos e as curvas mais apertadas, pensados para carros com menor velocidade e potência, aumentando o risco de se sair da via caso não se circule com atenção ou se não se respeitar o limite de velocidade.

– São mais frequentes as zonas montanhosas, com grandes desníveis e baixa visibilidade, o que tudo junto provoca inúmeras situações de risco de saídas de via, colisões frontais, etc.

A tudo isto há ainda a somar o mau estado em que determinadas partes das estradas convencionais se podem encontrar. Ainda que existam em maior número, este tipo de vias suporta praticamente 40% do tráfego nacional, ficando muitas vezes «esquecidas» no que diz respeito à manutenção e conservação por parte das entidades competentes.

Referência: autoestradas pagas

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No outro prato da balança estão as autoestradas pagas que, em geral, são mais seguras do que as estradas gratuitas, estando desenhadas para que os veículos possam manter a velocidade constante. A principal diferença está nos acessos, sempre através de vias específicas, sem cruzamentos ou intersecções. Mas estas não são as únicas vantagens:

Melhor desenho, com vias de acesso, faixas de aceleração maiores, menor quantidade de curvas e estas mais abertas e suaves, com um menor número de desníveis. Tudo isso permite aos veículos circular a uma velocidade constante que, em condições normais de trânsito, não exige a realização de travagens bruscas.

Melhor estado do piso, não apenas porque são estradas mais recentes, mas também porque contam com manutenção periódica do asfalto, a cargo da empresa concessionária. Isto confere um piso sem buracos, com melhor aderência, especialmente em dias com condições meteorológicas adversas, que outras estradas não conseguem igualar.

Melhor sinalização e iluminação, também a cargo da empresa concessionária, que deve garantir a pintura das linhas, a iluminação em túneis e ainda o bom estado da sinalização vertical.

Melhores condições de assistência, já que estão projetadas para facilitar o acesso dos veículos de emergência e a localização rápida dos veículos sinistrados ou avariados

A tudo isto junta-se ainda o facto de serem vias com baixa intensidade de trânsito, exatamente porque a sua utilização é paga, pelo que se evitam possíveis engarrafamentos. Por estes motivos, estas deveriam ser estradas  de uso fomentado pelo governo, precisamente para desviar o trânsito das vias mais perigosas. Preços mais reduzidos ou o aumento da velocidade máxima para 130km/h poderiam ser alguns incentivos.

Futuro: inovações e tecnologia

tecnologia na estrada

Tendo em conta as autoestradas com as vias em que podemos encontrar as melhores condições, há inovações que já vão estando presentes em alguns locais e que tenderão a generalizar-se e a aplicar-se de forma comum nas nossas estradas. É caso disso a procura da segurança rodoviária, mas também a maior preocupação ambiental, com reciclagem de resíduos, processos menos contaminantes e materiais que sejam mais ecológicos. Também se procuram melhores prestações: mais aderência, resistência e visibilidade.

Mais futuristas são propostas de pinturas dinâmicas que assinalam a presença de neve no asfalto, luzes interativas que acendem à passagem do carro, ou ainda sinais luminosos que avisem para a ocorrência de fortes rajadas de vento.

O dilema: Por serem mais seguras, estamos mais seguros?

segurança na estrada

Por detrás de tudo isto há sempre a subjetividade, ou seja, os condutores, quando sentem que estão numa estrada mais segura, tendem a assumir prestações mais arriscadas ao volante. Em teoria, baixamos a guarda perante uma estrada em boas condições e somos mais cautelosos numa via em mau estado.

O que não significa que não devamos construir estradas seguras, mas sim que devemos manter e fomentar a condução responsável em qualquer condição.

Alguns países têm fama de ter as estradas mais seguras do mundo, mas isso resulta da combinação entre as boas infraestruturas, com controlo implacável, tolerância zero com o consumo de álcool e drogas ou excelentes programas de consciencialização e educação dos cidadãos. A Alemanha, por exemplo, tem as famosas «autobahn», tão seguras que nem precisam de limites de velocidade, muito graças aos próprios condutores que não abusam do excesso de velocidade.

Por isso, estradas mais seguras não depende apenas dos engenheiros, das autoridades e entidades reguladoras, mas também de nós próprios, condutores.

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Fonte: circulaseguro.com
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