Evite vícios ao volante

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Todos os condutores ganham vícios ao volante, por vezes, difíceis de contornar. Alguns podem contribuir para danificar o seu carro de forma precoce se forem frequentes, outros podem provocar avarias graves se os hábitos forem, igualmente, graves. Saiba o que se faz e o que não se deve fazer nas próximas linhas.

Desprezar a manutenção dos pneus

A não verificação regular da pressão dos pneus do carro pode provocar o seu desgaste irregular, levando a que se gastem de forma prematura e obrigando-o a despender dinheiro que não contava.  Pode ainda rebentar um pneu, provocando um acidente ou, numa situação menos grave, danificar a jante.  Verifique a pressão dos pneus com relativa frequência. É uma tarefa que demora cinco minutos e que pode poupar-lhe muitos euros.

Acelerar a fundo antes do motor aquecer

Acelerar o motor sem que este se encontre na temperatura ideal de funcionamento pode provocar avarias graves. Quando o motor está frio, grande parte do óleo está depositado no cárter.  Quando arrancamos, o motor precisa de alguns segundos para que o óleo chegue ao circuito  e para que atinja a temperatura ideal, conseguindo uma melhor lubrificação. Assim, acelerar em excesso com o motor frio provoca um maior desgaste interno.

“Descansar” o pé em cima da embraiagem

É um mau costume que tem tendência para provocar um maior desgaste da embraiagem e de todos os componentes a ela agregados. Mesmo que mantenha o pedal no fundo, são  sempre produzidas fricções internas, afetando o disco  e todas as peças que atuam sobre ele.

Utilizar intensamente os travões  nas descidas

Manter o pedal do travão pressionado durante um período prolongado pode ter três consequências: acelerar o desgaste de discos e pastilhas, provocar deformações nos discos, o que vai criar vibrações no volante ao travar, e deteriorar o líquido dos travões, fazendo com que o sistema de travagem seja menos resistente à fadiga. Habitue-se a utilizar relações de caixa curtas quando faz descidas de pendente acentuada  (ou seja, trave com o motor). Desta forma, diminui o desgaste dos travões e terá um maior controlo sobre o veículo.

Deixar o carro embalar para a lomba ou buraco

Este vício pode provocar as mesmas “avarias” que subir passeios com o carro, mas os seus efeitos são maiores. No caso de ser um buraco, pode rebentar um pneu ou estragar uma jante, por exemplo.
As passagens rápidas por cima de lombas podem originar problemas nos pontos de ancoragem da suspensão.
Habitue-se a circular devagar em zonas de lombas e de buracos.  Assim, vai precisar de travar menos para conseguir ultrapassar estes obstáculos em segurança, sem danificar o carro.

Pousar a mão no topo do comando da caixa

Quando a mão segue apoiada no comando da caixa de velocidades durante a condução, é sempre exercida alguma pressão sobre os mecanismos internos da caixa, o que pode acabar por desgastar e provocar folgas nos sincronizadores e nos rolamentos… A longo prazo,  o resultado serão vibrações, e as relações de caixa podem ficar com uma engrenagem mais imprecisa.  Conduza com as duas mãos no volante e coloque a mão na caixa só quando vai trocar de relação.

Utilizar constantemente o motor em rotações baixas

No caso de se tratar de um motor Diesel, pode afetar a válvula EGR, que acumula mais carvão, reduzindo a sua vida útil até 50%. Nos motores a gasolina, pode também danificar o catalisador, transformando-se num depósito de carvão, levando ao chumbo do veículo na inspeção. O filtro de partículas é outro dos órgãos que podem sofrer com este “vício”.  Nos propulsores mais antigos, esta prática leva a um esforço superior do motor, provocando danos no veio de excêntricos e nas bielas. Habitue-se a manter o motor num regime de rotação onde sinta que responde assim que pisa o acelerador.

Deixar acender a luz da reserva de combustível

Conduzir com cinco ou menos litros de combustível no depósito pode até garantir o funcionamento do sistema de alimentação, mas é insuficiente para proteger a bomba de combustível do seu carro. Nos automóveis com injeção eletrónica, a bomba de combustível, que é elétrica, fica submersa dentro do depósito. Logo, o nível de combustível deve ser suficiente para garantir a lubrificação e o arrefecimento da bomba, possibilitando o seu funcionamento. Quando o nível de combustível diminui, ou seja, entra na reserva, o funcionamento e a proteção da bomba podem ficar comprometidos.  Encha o depósito do carro sempre que abastece. Não coloque 10 euros de cada vez.  Para além de ficar sempre perto da reserva, vai estar constantemente a perder tempo, pois tem de parar para reabastecer.

Desligar o motor depois de velocidades elevadas

Os motores turbo já não necessitam de tantos cuidados como no passado, mas deve manter algumas cautelas. Quando circula numa autoestrada, especialmente em alta velocidade, o turbo chega a atingir temperaturas superiores a 300º nos Diesel e 500º nos motores a gasolina. Por isso, se desligar o motor sem o deixar “repousar”, o óleo que ainda se mantém no circuito tem tendência a carbonizar, provocando a avaria do turbo.
Após ter feito uma viagem longa em autoestrada e antes de desligar o carro assim que para, deixe-o repousar cerca de dois minutos  em funcionamento ao ralenti. É o tempo suficiente para que o sistema de refrigeração e a própria circulação do óleo arrefeçam o turbo, reduzindo o risco de avaria em mais de 90%.

Estacionar em cima de passeios

Com a força que o veículo exerce contra o lancil do passeio, esta é uma manobra que  pode afetar gravemente os pneus, as jantes e a suspensão.  Evite estacionar em cima de passeios. Se tiver mesmo de o fazer, tente subir pela parte mais baixa.
Danos prováveis
– Os pneus podem sofrer deformações ou pequenos cortes que vão obrigar à sua substituição.
– As jantes podem ficar danificadas se o impacto for severo (vibração na direção).
– A suspensão tem tendência a ficar desequilibrada por causa das rótulas que se danificam.