Ao volante: Experiência ou vício?

Conduzir há muitos anos fará de si um bom condutor? Será suficiente conhecer bem o carro e a estrada? Saiba quando o excesso de confiança causado pela «experiência» pode correr mal ao volante.


Para muitos condutores, ter experiência de condução é um argumento frequentemente utilizado para justificar comportamentos incorretos na estrada. Pegar no telemóvel, distrair-se a conversar com os ocupantes do carro, ou simplesmente arriscar manobras perigosas são vários os do que pode acontecer após muitos anos ao volante. O condutor «experiente» tende a circular com confiança ou até com excesso dela, o que dá poucas garantias de infalibilidade.

Somos humanos, não somos máquinas

Conhecer bem o percurso, saber exatamente como o automóvel vai responder perante uma curva apertada ou em caso de travagem não pode nunca substituir a atenção à estrada. Mesmo que tenha o carro em perfeitas condições de manutenção – pneus, travões, etc. – deve manter-se sempre focado na condução. É claro que a experiência é um bónus, mas não é nenhuma garantia.
Como diz no título, somos humanos, não somos máquinas, mas até mesmo as máquinas avariam e é o condutor que tem de contar com essa possibilidade. É obrigatório conhecer não só as suas limitações, como também as do seu veículo, sem descurar as regras rodoviárias básicas.
Imagine o caso de encontrar piso em mau estado devidamente sinalizado e ignorar as placas, seguindo como sempre fez até então? A isso não se chama experiência, chama-se tentar a sorte! Pode correr bem, mas também pode correr muito mal.
Mas nem tudo é mau, no que toca a ter experiência de condução. Aliás, os erros devem servir para aprender e não voltar a cometer. Por exemplo, manter os pneus em bom estado para garantir aderência ou reparar na cor do piso que pode querer indicar a presença de gelo negro na estrada, são sinais de que segue atento.

De que vale, então, a experiência ao volante?

A experiência ao volante deve dar-nos serenidade, capacidade para reagir rapidamente em caso de perigo e perspicácia para precaver aquelas tais situações que «estava-se mesmo a ver». A experiência deve manter-nos alerta para antecipar o que vai acontecer, porque já vimos acontecer; deve prevenir-nos para um condutor que não está atento, simplesmente porque circula de forma incorreta, ou deve fazer-nos abrandar porque as primeiras chuvas do ano retiram a aderência da estrada, por exemplo.
Também é a experiência que nos diz que apesar de seguirmos na nossa via de rodagem, nada nos garante que o carro que vem em sentido contrário não possa invadir a nossa metade da estrada. O mesmo para quando vamos sozinhos numa estrada de montanha e respeitamos o limite de velocidade apenas porque sabemos que no final de uma curva pode estar um tractor a circular a 20km/h ou um animal a cruzar as faixas.

Que vícios devemos evitar?

A atitude prepotente e condescendente com os restantes condutores. Lembre-se que perante um condutor que parece ter uma condução desorientada, pode fazê-lo por diferentes motivos: porque não conhece o local, porque está em dúvida para onde quer seguir, porque espirrou (porque é alérgico, porque entrou uma abelha no carro e assustou-se), porque está maldisposto, etc., etc., etc. A experiência serve para respeitar os outros e não para pressupor que está a conduzir mal porque é homem, mulher ou até idoso.

É a experiência que nos faz melhores pessoas ao volante, mais prudentes, com mais responsabilidade e capazes de tomar decisões pessoais que podem decidir a segurança rodoviária, como é o caso do excesso de velocidade, do uso do cinto de segurança, das ultrapassagens mal calculadas e tantas outras infrações.

Foto: LF News