O que não se deve fazer na condução eficiente (2)

Condução eficiente

Continuação da Parte 1

Continuamos a ver técnicas que não só não ajudam a poupar, como também podem ser um problema de segurança rodoviária. Caso se sinta identificado com algum destes casos, preste atenção:

Não usar as luzes

Quando o Código da Estrada e o senso comum exijem que se liguem os médios, ligue-os SEMPRE. Uma poupança de 0,2-0,3 litros por cada 100 km não justifica uma perda da segurança ativa. Legalmente não é necessário tê-los ligados durante um dia inteiro, mas quando é necessário, o caso muda de figura.

As luzes de nevoeiro não substituem os médios, além disso, o seu uso na condução é proibido, a menos que se usem juntamente com os médios. Lembre-se, não se trata apenas de ver, mas também de ser visto.

Conduzir a grande velocidade

Condução eficiente

Qualquer pessoa com pouca capacidade de critério pensa que quanto mais depressa vai o carro, mais inércia se acumula e menos custa acelerar. Isto é falso, exceto que um motor com mais rotações acelera com mais facilidade… mas a que preço? Quanto maior é a velocidade, maior é o consumo de combustível utilizado na aceleração, e por muita inércia que exista, a resistência aerodinâminca é um autêntico bloqueio.

A velocidade que permite uma maior poupança e que é compatível com a circulação situa-se entre os 80 e os 100-110 km/h. É claro que se formos a 50 km/h em quinta, constantemente, o depósito pode duplicar a sua autonomia, mas este não é um modo normal de condução. A velocidade a que se circula deve ser a que está estabelecida legalmente, ou então ligeiramente abaixo do limite, pois ultrapassando-o não se poupa combustível, antes pelo contrário, este é desperdiçado.

Arrancar com os carros a diesel rapidamente e desligá-los mal cheguemos ao destino

 

Apesar de economizar combustível (embora se trate de uma ninharia), não ajuda na solução de problemas. Num carro a diesel é necessário esperar que a luz da resistência se apague (luz com dois circuitos entrelaçados), antes de pôr o carro em andamento e, antes de meter a primeira, é preciso esperar entre 10 a 15 segundos para que a lubrificação do motor esteja pronta para o carro andar.

No fim do percurso, um carro a diesel (na realidade, qualquer motor com turbo, também os carros de gasolina) deve descansar alguns segundos para que o turbocompressor pare corretamente lubrificado. Quanto maior tenha sido o seu uso, maior deverá ser o período de descanso. Se durante o percurso tivermos conduzido a uma velocidade baixa e terminarmos numa descida, 10 segundos são o suficiente. Mas se tivermos conduzido de forma rápida e terminarmos numa subida, o mínimo de descanso são 30 segundos.

Andar com as rotações do motor muito baixas

Condução eficiente

Um motor a gasolina não deve andar, geralmente, a menos de 1500 RPM (excluindo as duas primeiras rotações), enquanto um motor a diesel não deve andar a menos de 1000-1200 RPM (dependendo do modelo). Quando um motor anda muito lentamente pode produzir o temido trepidar dos cilindros, o que os gasta mais. Podemos ir em marchas altas e a baixas rotações por minuto sempre e quando o motor contar com uma reserva de aceleração suficiente dadas as circunstâncias. Se o motor não responder, significa que as rotações estão baixas e estamos a forçá-lo.

Se tem um carro a diesel e metendo a quinta, a 50 km/h, o motor faz 900 RPM, meta antes a quarta. Se, em vez disso, tiver um carro a gasolina e, metendo a quarta, a 40 km/h, o motor fizer 1400 RPM, meta antes a terceira. Um aumento mínimo na pressão do acelerador deve produzir uma resposta mínima, caso isto não aconteça é porque alguma coisa está errada.

Por exemplo, um carro de 60 cavalos que não consegue acelerar NADA numa subida ou que perde velocidade nesta situação, vai a circular em esforço. É preferível usar uma mudança mais baixa.

Reduzir o peso de forma exagerada

Condução eficiente

Em competição vale tudo, mas quando se conduz normalmente já não é assim. Circular sem o pneu sobresselente, as ferramentas, o triângulo, os encostos de cabeça… é pura estupidez. Circular sem estes acessórios significa circular com menos peso, mas é uma poupança de combustível tão insignificante que não vale a pena, assim como andar com pouco combustível para ter menos peso. Não é preciso levar o depósito sempre cheio, mas sim cerca de metade ou mais. Num inverno rigoroso, sempre cheio. Caso esteja a nevar, o peso é útil para melhorar a aderência sobre a neve.

Recolher os retrovisores

Para quê dizer alguma coisa sobre isto? É bastante evidente. A poupança de combustível será insignificante em comparação com o aumento do risco de acidente. Nunca se deve conduzir com os espelhos retrovisores recolhidos, a única desculpa é quando eles estão estragados, mas nesse caso é necessário arranjá-los o mais rápido possível.

Estimar mal o consumo de combustível consoante o caminho escolhido

Condução eficiente

Se temos dois caminhos possíveis para o mesmo local, um urbano e com semáforos, e o outro sendo uma autoestrada, nem sempre o primeiro é o mais económico. Há casos e casos, mas eu comprovei que pode haver uma diferença de 0,5-0,8 litros de consumo absoluto (não médio) num trajeto de 20 km, dependendo do caminho escolhido. Diariamente, isto acaba por fazer diferença no bolso de cada um.

O caminho mais curto nem sempre é o melhor. É útil fazer cálculos, mas geralmente indo a 90 km/h num caminho sem semáforos durante algum tempo rende mais do que ir a menos de 50 km/h parando em semáforos ou tendo que conduzir por um caminho irregular, com subidas e descidas. O melhor é tentar por si mesmo e perguntar-se qual a trajetória em que o depósito durou mais. Por vezes, devido às portagens das autoestradas, é preferível optar pelo caminho mais longo, que acaba por ser o mais económico.

Ir abastecer numa área de serviço mais longe a um preço menor

Muito cuidado com isto, pois ao optarmos por abastecer numa área de serviço que, apesar de ter preços mais baixos, não faz parte do nosso percurso habitual e fica mais longe, pode não ajudar a poupar, antes pelo contrário. Há que fazer as contas reais, pois os números não mentem.

O que não se deve fazer de modo nenhum é transportar gasolina ou gasóleo em garrafas ou barris… no porta-bagagem. Além de ser ilegal transportar combustível desta forma, é também muito perigoso. Caso seja rentável ir abastecer combustível 50 km mais longe a um preço mais baixo, é preciso ter em conta se vale a pena em termos de tempo gasto.

Abastecer de madrugada, abanar o carro para que caiba mais combustível ou usar “produtos milagrosos”

Condução eficiente

Estas ações são quase sempre inúteis. A única vantagem de abastecer de madrugada é que o depósito de combustível subterrâneo da bomba está mais cheio, pois nesta altura do dia não há tanta gente a abastecer. Logicamente, se vemos um camião de reabastecimento na área de serviço é melhor deixarmos para outra altura, de modo a evitar que o combustível venha com resíduos do depósito subterrâneo.

Quanto a abanar o carro para que caiba mais combustível, é uma ótima maneira de fazer figura de parvo numa área de serviço. Já os aditivos, a menos que tenham por base um estudo sério e rigoroso, não são recomendados, pois podem, eventualmente, danificar o motor e prejudicar a nossa estimativa.

Reabastecer com combustível mais caro

Isto depende. Geralmente, em carros a gasolina, abastecer com 98 octanas não melhora o consumo, embora possa haver exceções. Nos carros a diesel, combustível mais caro não significa necessariamente uma melhoria no consumo, mas é uma questão de tentar e ver o resultado. Se notarmos uma grande diferença na qualidade do gasóleo normal para o “plus”, então talvez nos interesse mais o último.

Resumindo, a condução eficiente é muito segura e saudável se for posta em prática corretamente. Para poupar apenas umas gotas de combustível não vale a pena correr riscos. Se nos preocupa assim tanto o consumo, há outras alternativas ao carro, ou então trocar o modelo atual por um mais económico.

Em Circula Seguro | O que não se deve fazer na condução eficiente (1)