Sabia que também deve mudar o fluído de uma caixa automática?

Tal como as caixa manuais, também as caixas de velocidades automáticas necessitam de manutenção. A troca do “óleo” é uma premissa obrigatória a cada 60 mil km e o Circula Seguro explica-lhe todos os passos deste processo. Mas há ainda outros cuidados que deve ter para que este componente seja fiável e não dê problemas.

Tal como uma caixa de velocidades manual, também uma caixa automática precisa de ser mantida, ou seja, precisa que lhe seja feita a manutenção. A complexidade comparativamente à manual sobe um pouco, pois a caixa automática implica a troca de um filtro e de uma junta de borracha, entre outros processos distintos.
O fluído ATF (assim se chama o óleo da caixa de uma forma mais técnica) deve ser trocado entre os 60 e os 80 mil km, mas até lá pode verificar se este componente tem alguma avaria. Existe uma forma relativamente simples de realizar este teste.

Se, em modo N (ponto morto), ouvir ruídos ou estalidos provenientes da caixa é porque, muito provavelmente, existe uma avaria no sistema. Não atrase o arranjo sob pena de pequena reparação a uma avaria que só vai ser resolvida com a substituição da caixa, ou seja,… estará sujeito a uma fatura muito elevada.

Se desconfiar de uma avaria na caixa de velocidades automática, verifique de imediato o circuito de refrigeração do veículo. Se houver óleo dentro deste circuito, o mais certo é que seja proveniente da caixa de velocidades, já que esta não consume óleo. Pode ainda observar a zona inferior do veículo de forma a verificar se existe alguma fuga de fluído naquela zona.

Se não houver avaria, mas a caixa tiver um funcionamento estranho e é difícil passar a alavanca pelos vários modos de atuação da mesma (P; N; D; S; M) é porque, muito provavelmente, é preciso trocar o óleo. Não deixe que diagnostiquem nenhuma avaria mais grave sem primeiro trocar o óleo. Contámos com a colaboração da oficina de “faça você mesmo” My Auto para perceber os vários passos no processo de troca do fluído ATF da caixa de velocidades automática.

1 – Verificar o nível

O primeiro passo antes de trocar o fluído, é perceber se existem fugas no circuito. É introduzida no bocal de acesso a este lubrificante uma vareta que, dependendo do carro estar quente ou frio, vai dar a mensagem da temperatura do “óleo” na ponta da vareta. Ou seja, se estiver frio e dentro do limite, fica-se nos 25º. Se estiver quente e dentro do limite, sobe aos 80º. Este dois valores estão colocados na ponta da vareta.

2 – Escorrer o fluído velho

Como uma chave retira-se o bujão ou taco da base do cárter e deixa-se o fluído escorrer para dentro de um recipiente. Deixa-se escorrer durante alguns minutos de forma a sair do cárter e do sistema a maior quantidade de liquido possível.

3 – Retirar o cárter

Quando começar a pingar pouco “óleo” do orifício, está na hora de retirar o cárter. Assim que o se desapertar vai sair mais fluído e o filtro fica à vista. O filtro filtra as impurezas provocadas pela fricção das várias engrenagens. Dentro do cárter também existe um íman que vai agregar essas impurezas e limalhas.

4 – Primeira limpeza

Deixa-se escorrer ainda mais fluído , que continua em toda a estrutura do cárter. Faça uma observação ao cárter para tentar perceber se existem algum detalhe anómalo. Com um papel inicie uma primeira limpeza a toa a área envolvente.

5 – Lavagem total

Em seguida, está na hora de fazer uma lavagem ao cárter e ao íman. Para tal é utilizado um solvente específico que vai deixar aquelas duas peças livres de impurezas. A lavagem terá de ser feita com atenção, Logo após, limpe os dois componentes para que possam voltar a ser encaixados no local de origem.

6 – Coloque o filtro

Depois de se ter lavado a tampa do cárter e o íman, de se ter limpo toda a estrutura do cárter e de se ter preparado o novo kit que inclui o filtro, a junta do cárter e o bujão, está na hora de voltar a montar tudo no lugar. Monta-se o filtro, a junta e faz-se novo aperto com a chave dinamométrica e com os binário corretos para cada parafuso.

7 – Quanto fluído leva?

Para saber qual a quantidade de fluído a colocar no cárter, é preciso saber quanto liquido já lá estava. Então é preciso um recipiente de um litro para medir o óleo velho. Retire os litros um a um do recipiente onde este se encontra. Uma caixa de velocidades automática pode levar entre 6 e 8 litros, dependendo do modelo.

8 – Encha com “óleo” novo

Agora que já sabemos a quantidade de óleo velho que estava no circuito, vamos colocar a mesma quantidade de óleo novo. Compre liquido recomendado para a caixa do seu carro. Coloque um pequeno funil no bocal de enchimento e verta o liquido novo lá para dentro. Tape o circuito e está pronto a circular.

Algumas recomendações

Quem tem um carro com caixa automática, convém interiorizar duas ideias básicas: qualquer caixa automática tem manutenção e qualquer caixa automática tem reparação. Assim, terá de fazer ou “obrigar” alguém a fazer essa manutenção, mesmo que lhe digam que não precisa. Insista. O livro de instruções do veículo conta com essa informação.
Pode tentar fazer a revisão sozinho, na oficina My Auto, mas o melhor será contar com a ajuda de alguém especializado. A tarefa parece simples e básica, mas pode sempre surgir uma complicação de última hora que não sabe resolver.
Tenha em atenção estas recomendações: observe a temperatura do carro e não se esqueça que para saber que o circuito não tem qualquer fuga, o fluído tem de se apresentar na vareta nas arcas de 80 ou 25º, dependendo do carro estar quente ou frio.
Na hora do aperto do cárter, já depois de ter retirado o fluído velho, respeito o binário de aperto de todos os parafusos. Para além de ser mais simples apertar, garante que da próxima vez, quem for fazer a manutenção desaperta facilmente os parafusos. Utilize sempre material novo, como a junta do carter, o filtro e a respetiva anilha. Não lave ou recicle o material já utilizado. Não se esqueça de medir a quantidade de fluído que retirou para saber quanto vai ter de voltar a colocar no interior do circuito.

Fotos: Circulaseguro.com