Uma descarbonização dá nova vida ao motor

Descarbonizar Motor

Se é dos que gosta de manter o seu automóvel em perfeito estado de conservação, ou simplesmente sente que, depois de alguns milhares quilómetros o motor “perdeu qualidades”, deveria pensar em realizar uma descarbonização. Confuso? O Circula Seguro explica-lhe o que é e o que faz pelo motor do seu carro.


Ao longo da vida útil do seu veículo, o interior dos cilindros produz um número infinito de pequenas explosões para queimar a mistura de ar e combustível. Como consequência, em muitos elementos que estão em contacto com a zona de ignição acaba por assentar uma camada de “carvão” nociva e prejudicial ao motor. Todavia, não é apenas esta “mistura” que produz o carvão. O próprio óleo do motor não trabalha a menos de 100º, produzindo pequenos e infinitos depósitos de carvão com o passar do tempo. A solução é, obviamente, a limpeza do motor. Mas não se trata apenas de desmontar o motor, limpar e voltar a colocar no sítio. O processo inclui o tratamento de injetores, válvulas, câmaras de combustão, coletores, e também da válvula EGR, o turbo, a linha de escape, incluindo catalisador, filtros de partículas, etc. É um processo demorado e trabalhoso, mas é o único eficaz para motores com acumulação de carbono grave. Antes da remoção individual em cada peça e componente, geralmente o motor e as várias peças passam por um banho químico para “libertar” os depósitos de carvão. Descarbonizar os motores recorrendo a este procedimento é mais dispendioso, pois implica custos elevados de mão-de-obra.
Normalmente, os condutores limitam-se a realizar a manutenção preconizada pela marca. Por isso, é recomendável utilizar no motor do seu carro, óleos de qualidade para que se cumpram todas as funções básicas deste fluído: lubrificar, refrigerar e limpar os componentes do motor. Todavia, também seria recomendável realizar uma limpeza profunda do interior do motor.
Por isso, se pretende levar a cabo uma limpeza a fundo do motor, pode optar por produtos específicos – que utilizam uma base de petróleo – que se denominam descarbonizadores. Com estes produtos, podem eliminar-se estas camadas de carvão sem necessidade de desmontar o motor.

Descarbonizar motor

Como fazer

1 – Procure um lugar com ventilação

O processo de descarbonização caseiro demora cerca de meia hora. Terá de fazer várias acelerações e substituir posteriormente o óleo de motor. O ideal seria alugar uma box com extrator de fumos naquelas oficinas de “Faça Você Mesmo” como a My Auto, por exemplo. Para além de poder realizar o processo com total segurança, dispõe de ferramentas de todo o tipo, eletricidade e elevador, se for necessário.
Existem alguns produtos à venda, como o Forte Motor Oil Flush ou o Liqui Moly Engine Flush. Os preços são muito idênticos e rondam os 20 euros por lata. Basta aplicar uma destas latas para ter resultados.

2 – Com o motor quente

Com o motor quente e sem o desligar, deite o liquido descarbonizador pela boca onde se deita o óleo no motor. O produto da Liqui Moly, por exemplo, dá para seis litros de óleo. Basta saber qual a capacidade de óleo do motor do seu carro para perceber a quantidade de descarbonizador que deve verter, ainda assim, uma lata dá para descarbonizar um motor.

3 – O líquido começa a misturar-se

Depois de introduzido no motor, o liquido começa a misturar-se com o óleo e percorre, assim, todos os componentes internos do motor, produzindo-se um processo químico que dissolve as camadas de carvão neles depositadas. Para que o processo de descarbonização seja realizado de forma correta, deve acelerar com suavidade até às 1500 rpm no caso dos motores a gasolina e às 1200 rpm num Diesel. Mantenha o motor nessa rotação durante cinco minutos.

4 – Suba as rotações

Vá subindo as rotações do motor até às 2800 rpm no caso de se tratar de um motor a gasolina e até às 1800 rpm num Diesel. Mantenha nesta faixa de regime mais cinco minutos. Fazendo estas acelerações constantes, vai conseguir que a bomba de óleo espalhe o produto descarbonizador por todo o motor. Assim, vai ser possível eliminar grande parte do carvão depositado.

5 – Após os 5 minutos

Depois dos cinco minutos desacelere de forma progressiva até atingir o ralenti. Mantenha-o a trabalhar durante outros tantos cinco minutos.

6 – Repita o processo

Repita o terceiro passo, mantendo o motor outros cinco minutos num regime de 2800 rpm num motor a gasolina e 1800 rpm num motor Diesel.

7 – Acabado o processo

Depois de terminado o processo, deixe repousar o motor ao ralenti durante 3 minutos, antes de o desligar por completo, para repousar o turbo e todos os outros elementos mecânicos. Depois de desligar o motor, espere que o óleo desça ao cárter. Cerca de dez minutos devem ser suficientes.

8 – Troque o óleo e o filtro

Depois de realizar este processo é obrigatório trocar o óleo do motor. Porquê? O descarbonizador faz com que o óleo perca todas as suas caraterísticas e propriedades, logo deixa de ser lubrificante. Por isso, se não substituir o óleo, o risco de sofrer uma avaria no motor é elevado.

Alguns conselhos úteis

Quando devo realizar a descarbonização?

A partir dos 40 mil km num motor Diesel e dos 80 mil km num veículo com motor a gasolina. Ainda que também dependa da utilização que dá ao veículo. Se “fizer” muita estrada é provável que não acumule tanto carvão.

Como saber que o motor necessita de uma descarbonização?

Quando sentir que o motor tem quebras de potência ou um ralenti irregular. É o momento exato de realizar uma descarbonização.

Descarbonização química

A melhor forma de evitar submeter-se a uma demorada e custosa operação de descarbonização física do motor é prevenir. Uma manutenção rigorosa, com visitas regulares à oficina, garante uma maior longevidade da mecânica. E a descarbonização química do motor deve também ser usada como prevenção, especialmente para veículos em utilização de risco elevado à formação deste tipo de depósitos, como são os automóveis com utilização vincadamente urbana, com sucessivos percursos de curta duração e muito pára-arranca. Para estes, recomenda-se um tratamento a cada a 20 mil quilómetros; num automóvel com uso menos intensivo e menos citadino, faça-o a cada 40 mil quilómetros.
O processo envolve o uso de um composto químico, juntamente com o combustível, através do motor para decomposição de depósitos de carbono. Os depósitos de carbono são então libertados com os gases de escape. Mas há mais e melhores soluções atualmente no mercado.
Muitas empresas em Portugal oferecem uma alternativa ao desmantelamento do motor e limpeza peça a peça: um tratamento inovador e original que se baseia na injeção de hidrogénio, produzido internamente e de forma totalmente automática por uma máquina. Usando este mesmo equipamento, o hidrogénio é injetado na conduta de ar de admissão do motor, aumenta consideravelmente a temperatura de combustão, forçando um processo químico que irá ajudar a anular os depósitos de carvão responsáveis pela “atrofia” do propulsor.
Este tratamento com hidrogénio tem um custo relativamente baixo, rondando os 60 euros. Compensa, mesmo que a taxa de remoção num motor já bastante “sujo” possa não ultrapassar os 75%.

Fotos: Pixabay
Fonte: Liqui Moly