A depressão dos motoristas de pesados é real

A depressão dos motoristas de pesados é real

A manhã acorda com um sol resplandescente que distribui energia por tudo quanto é lado, a noite anterior, tal como as restantes noites, foi de um sono bem passado, revigorante. O equilíbrio com o Planeta é perfeito mas, sem razão aparente o condutor do veículo pesado de mercadorias sente-se extremamente cansado e com a sensação que, afinal, o Mundo acordou para estar contra si.

A possibilidade de o condutor estar sob uma depressão não passa pela cabeça de ninguém, pois ninguém admite poder ser alvo de tal doença; afinal, é daquelas que só acontece aos outros ou ostentamos uma arrogância que nos faz pensar que não temos tempo para isso.

Os reflexos de uma depressão

No estômago começa a sentir o tão familiar nervoso miudinho. Pensa na sua família, mulher e filhos, essencialmente, e culpabiliza-se de estar longe deles; a centenas de quilómetros, de não acompanhar o crescimento e educação das crianças e de não dar a devida atenção à sua mulher.

Por cada camião que passa por si, sente uma pressão de impotência que o deixa descontrolado. Começa a pensar no seu trabalho, em todo aquele que tem de realizar para garantir um bem-estar à sua família e teme que, de um momento para o outro, possa ficar desempregado e sem capacidade económica para tal. Começa a sentir-se só e triste, sem razão aparente.

De seguida veem as questões sem resposta; “Que se passa comigo? Tenho de deixar estes pensamento.” Liberta uma lágrima e não entende o seu surgimento. Tenta perceber o que se passa e chega a uma primeira conclusão que podem ser apenas saudades.

Pare! Você pode estar na presença de uma depressão, um estado clinico que é tratável. Saiba que, por qualquer razão que seja, os condutores de automóveis pesados de mercadorias, são um grupo que representa uma taxa elevada de profissionais que sofrem de depressão, quando comparados com outros sectores.

É difícil aceitar-se o estado de depressão, mas deverão saber que a doença não escolhe sexo, status ou actividade; e até os mais duros da estrada estão sujeitos a ela, muito por causa da própria actividade e solidão a que estão expostos.

Perceber-se que o estado de depressão não é apenas da cabeça de cada um, nem tão pouco um sinal de fraqueza, só por si já é um caminho positivo para o tratamento. Sabe-se que a depressão afecta, aproximadamente, 6% do sexo masculino e entre 15% a 20% dos condutores de automóveis pesados, especialmente de mercadorias.

E para que não haja dúvidas, segundo os especialistas na matéria, os sinais da depressão são:

  • Sentimentos de tristeza
  • Irritabilidade
  • Perda de interesse ou prazer nas actividades normais
  • Dormir em demasia ou poucas horas (fora do habitual)
  • Cansaço e falta de energia
  • Ansiedade e agitação
  • Sentimentos de inutilidade ou culpa
  • Dificuldade de concentração ou tomada de decisões
  • Pensamentos suicidas
  • etc…

Se eventualmente sentir um destes sintomas, a primeira coisa a fazer é procurar ajuda, que poderá encontrar junto do seu médico de família. Ele tem a capacidade de analisar, compreender e encontrar soluções ao seu problema. Jamais deverá sentir vergonha de aceitar que pode ter sido alvo da doença.

É importante que o tratamento seja realizado, pois dessa forma conseguirá recuperar a sua alegria e prazer de viver, socializar e seguir na sua actividade profissional, garantindo dessa forma o bem-estar da sua família. Conseguirá igualmente diminuir o risco de acidente rodoviário.

Foto¦ The Road