As atitudes que provocam conflitos rodoviários

As atitudes que provocam conflitos rodoviários

Cada vez menos tenho dúvidas que as atitudes e comportamentos dos condutores e demais utilizadores da via pública são, contrariamente ao que se propagandeia, as principais causas de responsabilidade dos diversos conflitos rodoviários.

Essas débeis atitudes e comportamentos demonstrados na via pública e no meio rodoviário, são muitas vezes fruto da frustração que cada um sente, e a raiva que procura descarregar em outrem, colocando tantas vezes em perigo eminente não apenas o próprio, mas outros também, em conflitos evitáveis.

Arreganho-te os dentes e acelero na tua direcção

Conduzir nas estradas portuguesas torna-se, por vezes, mais do que as expectáveis, um verdadeiro jogo de caça, onde o predador procura a sua presa, não para a apanhar, mas para com ela criar conflitos que possam ir mais além da simples ofensa verbal.

Acontece que, pessoas normais, olham para o meio rodoviário como um espaço que vão utilizar para se deslocarem entre pontos, seja por que razão for, e não como um ringue de luta canina onde estão sujeitos ao ataque voraz, traiçoeiro e, muitas vezes, fatal.

A ignorância de alguns condutores, que se acham mais expeditos que os demais, leva a que esses conflitos surjam por “dá cá aquela palha”. Se não, vejamos. Aconteceu comigo na rotunda que faz a ligação entre Coimbra, Taveiro e saída para Cernache.

Transitava eu no sentido descendente, vindo do lado de Cernache quando, ao abordar a dita rotunda, me coloquei na segunda via de trânsito, com sinal de pisca da esquerda accionado, indicando que iria sair na terceira possibilidade em direcção a Taveiro. Até aqui tudo bem.

Abordei o espaço, olhei à esquerda e verifiquei que ninguém circulava nas imediações. Estava sim um automóvel ligeiro a entrar, vindo do lado de Taveiro. Uma vez que não tinha sinal de pisca accionado, parti do principio, e correctamente, que o dito condutor pretendia sair em direcção a Coimbra, logo segunda saída.

Uma vez que existem três vias de trânsito no interior da rotunda e seguindo as normas de circulação na mesma, o senhor deveria circular na segunda via. Começou por errar ao não efectuar o pisca para mudar para a segunda via e errou depois, grosseiramente, com o comportamento, primeiro, que teve e depois com a rude atitude.

Uma vez que estávamos os dois para entrar e como eu ia utilizar a terceira via, a mais interior da rotunda, dei entrada, com o sinal de pisca e preparei-me para tomar essa via. Em situação normal, o outro condutor iria circular na segunda via, logo passaria por detrás do meu automóvel. Acontece que não foi isso que se passou.

O meu automóvel não teve uma capacidade de arranque como um formula 1 na linha de partida, mas o do outro senhor, um automóvel mais potente, certamente, teve. Uma vez que a sua postura, mesmo enquanto pessoa não deve ser a melhor, acelerou na minha direcção, pela via mais interior.

Ao me aperceber que iria passar por ali, posicionei-me na segunda via, mantendo o sinal de pisca esquerdo accionado. Tal não foi o meu espanto quando, já ao meu lado, arreganhando os dentes e, certamente, babando-se de raiva, o outro condutor abriu o vidro e me disse; “Pensava que passavas à minha frente?”

Fiz-lhe um sinal de passagem, ao que ele, passando, saiu em direcção a Coimbra, cruzando as três vias, sem sinalizar a sua intenção, acelerando bruscamente e obrigando a que outro condutor tivesse que diminuir a sua velocidade, evitando desta forma o sinistro.

Portanto, grande parte dos acidentes e demais conflitos rodoviários têm, como causa, as atitudes e comportamentos animalescos dos condutores e demais utilizadores do meio público.

Foto: Google Mapa

  • Licínio Fonseca

    Infelizmente é bem verdade que muitos condutores fazem das suas viaturas e das suas convicções armas de ataque sempre que se encontram atrás do seu volante. Seria bom entendermos que podemos estar errados nas nossas certezas e que o mais importante é evitar o acidente, porque não só poderemos por a vida dos outros em risco mas também a nossa e até dos nossos que connosco seguem. E ninguém precisa de antipatias.