As dez coisas que mais nos distraem ao volante

Faz ideia de quais são as principais causas das distrações ao volante na estrada? O Circula Seguro enumera-lhe os dez fatores que representam cerca de um terço da sinistralidade rodoviária.

São dez fatores que nos fazem perder capacidade de resposta e baixar a guarda quando circulamos num local já conhecido ou monótono. Por outro lado, o estado do condutor também é determinante, pois com sono, fadiga ou simplesmente com uma indisposição é mais fácil perder a concentração ao volante.

Existem diversos fatores que podem influenciar a nossa atenção, tanto dentro, como fora do veículo, contudo, não associamos o risco de uma distração à gravidade dos riscos que estão inerentes ao álcool ou às drogas. A verdade é que ao comando de qualquer veículo, é necessário manter um nível adequado de atenção.

1- Uso do telefone e sistema de mãos livres

A utilização de um sistema de mãos livres para o telefone durante a condução não é proibida, a não ser que o nosso comportamento subtraia atenção a esta tarefa. Um simples movimento que nos tire a vista da estrada, ainda que por meros segundos, pode fazer-nos reagir tarde de mais a qualquer imprevisto. Além disso, as conversas que mantemos durante a condução podem levar-nos a pensar unicamente na resposta ao nosso interlocutor, sem nos darmos conta das situações de risco que possam acontecer como, por exemplo, a proximidade de passadeiras ou ao peão que atravessa a estrada sem olhar.

2- Uso do GPS

Tirar uma mão do volante para usar o GPS também distrai, pelo que é preferível programar o itinerário e o destino da viagem fora da estrada e com o motor parado. É preciso relembrar que o sistema de navegação para veículos não é um piloto automático, pois pode ter havido uma alteração na sinalização da via ou, simplesmente, o navegador pode não estar atualizado.

3- Utilização de rádio, DVD, vídeo, auscultadores

Não é proibido mexer no rádio, DVD ou vídeo sem tirar os olhos da estrada enquanto conduzimos. Ainda assim, o uso de auscultadores pode levar a uma multa, primeiro, porque causa uma perda de audição e segundo, por alterar a forma como captamos estímulos no tempo e no espaço. Afastar a vista por apenas uns instantes pode significar perder a direção do veículo.

4- Fumar

Fumar ao volante provoca distrações principalmente por dois motivos: o condutor centra parte da atenção a acender e apagar o cigarro no cinzeiro. Durante esse tempo, enquanto fuma, está preocupado que a cinza não caia e hipoteca uma das mãos numa função que não tem nada a ver com a condução. Por outro lado, o fumo aumenta uma possível falta de visibilidade, minora a visão noturna e pode ocasionar vista difusa e irritações nos olhos.

5- Atividades simultâneas à condução

Comer, beber ou procurar objetos são atividades incompatíveis com a tarefa de conduzir. Segundo os entendidos, o cérebro humano não se pode concentrar em várias atividades ao mesmo tempo, pois entra em colapso. Além disso, acrescentam que podemos conduzir e falar ao mesmo tempo, mas não podemos juntar uma terceira tarefa, como por exemplo mexer numa agenda ou num mapa. Cuidar de um animal de estimação também pode ser uma distração. Levar animais soltos no interior de um veículo é, da mesma maneira, uma situação de perigo, pois estes podem, em caso de stress ou medo, esconder-se por baixo dos pedais.

6- Interação com os ocupantes

Hoje em dia, nos autocarros, já não estão tão visíveis as placas que dizem “Proibido falar com o condutor”, até porque a maioria dos passageiros vai a mexer no telemóvel durante a viagem, mas a verdade é que a conversa com o motorista pode provocar uma desatenção ou até levá-lo a retirar uma das mãos do veículo para gesticular.

A cumplicidade do ocupante pode mesmo prejudicar o condutor se este fizer movimentos bruscos ou pode confundi-lo no momento de tomar uma decisão quanto ao caminho a seguir.

7- Os famosos “peritos de seguros”

O efeito de mirone perante qualquer alteração na circulação e a curiosidade sobre qualquer incidente que vejamos pode desviar-nos a atenção da nossa frente e, consequentemente, diminuir a nossa capacidade de reação na condução. Pode também ser contraproducente ir atento à paisagem, à publicidade, sinais verticais e horizontais, sem ter em conta a velocidade e proximidade dos restantes condutores.

8- Desatenções: estar pensativo ou abstraído

As preocupações pessoais, familiares ou do trabalho devem ser esquecidas durante a condução, para não criar situações de risco. Tirar o pensamento da estrada pode ser tão perigoso como desviar os olhos. Pelo que a melhor maneira de evitar pensar noutras coisas durante a condução é assumir a responsabilidade enquanto condutor e reconhecer que da sua boa disposição depende a sua própria segurança e a dos ocupantes.

9- Sono, cansaço e fadiga.

Os fatores físicos que afetam o condutor, como o sono, podem ser causadores de um acidente rodoviário. Se não se dorme nada ou se não se dorme o suficiente, o organismo reage com uma série de desajustes que podem resultar perigosos durante a condução. A diminuição dos reflexos devido à acumulação de horas sem descansar dificulta que se mantenha atento à condução. Por outro lado, a fadiga mental após uma forte tensão emocional ou de trabalho intelectual intenso afeta a capacidade de reação.

Por isso, é recomendável parar a cada 150 ou 200km, ou até passear durante 15 a 30 minutos a cada duas horas para esticar as pernas. Contudo, há que ter em conta que os últimos quilómetros do trajeto costumam dar lugar ao surgimento de uma fadiga relacionada com um relaxamento prematuro, pelo que é conveniente extremar as precauções nesses casos.

10- Indisposição ou doença súbita

Lamentavelmente são muitos os casos que aparecem nas notícias sobre indisposições ou doenças súbitas de condutores, que estão na origem de sinistros. São situações que, ainda que em princípio não sejam incapacitantes para conduzir, em algumas ocasiões podem aumentar o risco relacionado com a perda de consciência. Em determinados casos pode ser necessário uma declaração de um médico especialista para poder renovar a carta de condução, dependendo se é um condutor profissional ou não.

Fotos: Circula Seguro