Condução solitária e o perigo da madrugada

Condução solitária e o perigo da manhã

Conduzir sem que se tenha descansado nas últimas doze horas, equivale, em nível de perigo para a segurança rodoviária, a conduzir com uma taxa de álcool no sangue de 0,8 g. Se a este factor associarmos a condução solitária, o risco de acidente aumenta consideravelmente.

Grande números de sinistralidade rodoviária acontece pela madrugada. É por essa hora do dia que muitos condutores regressam a casa depois de uma noite de convívio e alguns copos. O cansaço está presente, no entanto, muitas vezes, é ignorado.

Acidente em tempo real

A noite está a chegar ao fim. O grupo de amigos, no bar, após um convívio animado e o consumo de algum álcool, decide ter chegado a hora de regressar a casa. Uma vez que cada amigo vem de zona diferente de residência, cada um se fez transportar na sua própria viatura.

O cansaço está presente, ainda que ignorado, existe uma taxa de álcool elevada e uma euforia que replecta a memória de recordações. Há distração e abstração da via. A velocidade aplicada é superior à permitida e à recomendada. A estrada vai passando e muitos pontos vão surgindo sem que o condutor se aperceba, atempadamente disso.

Com o passar dos quilómetros o cansaço vai-se acentuando e a sonolência surgindo. Boceja uma e outra vez, pisca duas e três vezes os olhos. A velocidade, elevada, mantêm-se. «É já ali», pensa, como forma de não parara e forçar a chegada a casa.

Por um momento os seus olhos fecharam-se, voltando a abrir-se num esforço tremendo. «Não os vou fechar mais e aguentar até chegar a casa». Clicou no botão e abriu a janela, primeiro do seu lado e posteriormente do outro, para que houvesse uma corrente de ar fresco. Sentiu-se rejuvenescer. Aumentou um pouco mais a velocidade.

O relógio marcava agora as 5:23 horas. Pareceu-lhe que o mostrador lhe piscara um olho. Piscou os seus. Transitava numa recta. A velocidade aplicada era de 80 km/h. Aproximava-se de uma curva. A velocidade não diminuiu. Surgiu a curva… e o carro não a fez. Saiu a direito, subiu o morro, capotou cinco vezes.

Quando chegaram ao local, os bombeiros encontraram um automóvel capotado, todo amassado e sem condutor no seu interior. Rebuscaram as redondezas em busca de eventuais passageiros e encontraram um corpo, já cadáver, que tinha sido projectado pelo vidro lateral do lado esquerdo. A condução de regresso a casa tinha sido fatal. Morrera mais um jovem de 23 anos de idade.

A campainha tocou, era 6:32 horas da manhã. Sobressaltados os pais levantaram-se e acorreram à porta, depois de terem olhado as horas. O coração batia numa arritmia angustiante. Quando abriram a porta depararam-se com dois agentes da polícia

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