Conduzir em emergência em época de verão (2)

Conduzir em emerg~encia no verão

São duas da manhã e ao quartel chega uma chamada telefônica de um grave acidente rodoviário envolvendo diversas viaturas com um número não identificado de pessoas encarceradas. A chamada de operacionais é imediata, saindo para o local diversas viaturas de emergência, não se sabendo exactamente o que se vai encontrar.

Cada elemento que ocupa um lugar dentro de uma das viaturas, deixou para trás a sua família, partindo em socorro de quem não conhece mas que, naquele momento, necessita da sua ajuda. Vão circular com um destino e um objectivo imediato; Socorrer alguém, tentando com isso salvar vidas e minimizar sofrimento.

 Uma viagem que pode não ter regresso

Sendo chamados, aqueles operacionais não regateiam horários ou condições climatéricas. Levantam-se do seu repouso e saem para a estrada, ainda que muitos não admitam, com descargas de adrenalina que os vai prejudicar, limitando-lhes, em muito, o discernimento emocional e decisional.

O trajecto que distancia o quartel do local de socorro é um só, aquele que vai proporcionar aquelas mulheres e homens de lá chegarem, tão rápido quanto possível. Essa necessidade emocional leva-os, tantas e tantas vezes a arriscarem conduções que não se enquadram com a segurança rodoviária deles e de quem utiliza a via publica.

Poderemos recriminá-los por isso? Por quererem auxiliar quem agonia à sua espera? Não! Parece-me que não. Acontece que essas mulheres e esses homens, não sabendo o que vão encontrar no local para o qual foram chamados de emergência, não conhecem igualmente a realidade que irão encontrar ao longo do caminho. E isso faz com que, por vezes, determinados comportamentos de condução se tornem fatais para quem deseja prestar socorro.

Acontece que estas mulheres e estes homens, numa época de verão, são mais solicitados, uma vez que o verão é uma época de incêndios, o que faz com que o repouso seja inferior e de má qualidade, limitando a capacidade de recuperação destes operacionais, aumentando exponencialmente o risco de erro e consequente sinistro rodoviário.

Foto¦ Daily News