Decisões erradas ao volante: analisamos as causas de um acidente

As decisões ao volante contam, ao determinar a responsabilidade durante a condução. No entanto, quando se analisam as causas de qualquer acidente, são muitos os fatores que intervem. Além disso, há que ter em conta as condições e circunstâncias que envolvem o mesmo acidente rodoviário, para entender o seu resultado ou a gravidade das suas consequências.

A diferença entre casualidade e causalidade

Casualidade é a combinação de circunstâncias que não se podem prever nem evitar. Já o conceito de causalidade é mais complexo de definir e está ligado à relação causa-efeito. Podemos falar do princípio de causalidade que nos diz que todos os fenómenos têm uma causa ou que à mesma causa se segue o mesmo efeito. No entanto, tudo aponta para que a casualidade esteja mais ligada ao imprevisto e a causalidade aos feitos e acontecimentos.

Precisamente a pergunta porque se chama acidente e não sinistro refere-se a que um sinistro rodoviário tem a sua origem e explicação mais na causalidade do que na casualidade. De facto, se fosse algo imprevisível não estaríamos perante um sinistro rodoviário, mas sim perante um acidente, a não ser que este fosse evitável. Por exemplo, conduzir com chuva sem moderar a velocidade nas curvas sinalizadas como perigosas. Se analisarmos o exemplo, poderíamos utilizar o princípio de causalidade, ou seja, a causa seria a velocidade inadequada e o efeito perder o domínio da direção do veículo. Poderia ter sido evitado?

Quais são as causas dos sinistros?

Do ponto de vista meramente estatístico, há vários tipos de causas para a produção de sinistros rodoviários:

Relativas ao veículo: Funcionamento deficiente dos seus principais órgãos, potência excessiva, falta de segurança activa ou passiva, alterações importantes ilegais ou escassa manutenção do veículo.

Relativas à estrada: Defeitos no traçado, sinalização e piso.

Relativas a fenómenos atmosféricos: Redução da visibilidade por névoa ou chuva e encandeamento do sol.

Relativas ao condutor ou peão: Condições físicas, deficiências na perceção, falta de conhecimentos e experiência, assim como erros perante situações de perigo.

Outras: Insetos que entram no veículo, uma pedra que bate no para brisas e a presença ou queda de elementos naturais sobre a estrada, de forma natural ou com a implicação de um terceiro.

Ainda assim, tudo aponta o fator humano como o maior protagonista na sinistralidade rodoviária e centra a produção do sinistro como fruto da imprudência. Daí a criação e relação do risco associado à condução como fatores determinantes. Por um lado, somos os autores, ou seja, permitimo-nos ou não o risco de infringir a norma. Por outro, temos os critérios, ou meios de prova, como por exemplo, a previsibilidade da conduta e alternativas existentes ao cumprimento das normas sobre circulação e mobilidade dentro das estradas.

Desta forma, o grau de dificuldade na condução está, em grande escala, sob o próprio controlo do condutor. Por exemplo, conduzindo mais devagar, amplia a capacidade de reação perante uma situação de risco na estrada. Esta é a razão pela qual existe um consenso generalizado de que os fatores humanos têm um papel predominante no comportamento adequado que requer conduzir um veículo. Mas qual será o comportamento correto? Será controlar a própria atuação de acordo com os conhecimentos e experiência que possuímos e, por outro lado, adaptar-nos às exigências que nos são diariamente apresentadas na condução.

Pode ser imprevisível, mas não é inevitável

Perante situações criadas ou relacionadas com o risco da condução, temos que manter um adequado nível de alerta. Uma atenção à condução que impeça de contribuir, de uma forma ou de outra, para um conflito ou incidente que altere a segurança rodoviária. Para isso, estão definidos nos números da sinistralidade rodoviária uma série de erros mais comuns e que em muitos casos têm a ver com a perceção, a compreensão, decisão e reação. Vejamos:

– Descuido na perceção da informação.

– Não avaliar as manobras levadas a cabo pelos restantes usuários da estrada.

– Não prever uma situação esperada da parte de outro usuário

– Falta de cuidado em manobras específicas.

– Falta de domínio ou controlo perante qualquer dificuldade.

– Falta de habilidade ou conhecimentos necessários à condução.

Por último, as medidas sobre prevenção rodoviária requerem vontade política e alterações em medidas destinadas especialmente aos mais jovens. As decisões para melhorar a segurança rodoviária devem adotar-se nas mais altas instâncias governativas. Uma questão que nos afeta a todos: pais, mães, educadores, fabricantes de veículo, associações automóveis, seguradoras, meios de comunicação, associações de vítimas de acidentes rodoviários e seus familiares. A segurança rodoviária não é acidental e não acontece por azar, pois são as decisões que tomamos ao volante que contam.

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