Dummies para crash tests (5)

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Todos os anos morrem nas estradas de todo o mundo aproximadamente 1 milhão de pessoas, só em acidentes rodoviários. Para reduzir esses números, as marcas de automóveis e as instituições responsáveis pela segurança rodoviária, tentam fazer evoluir as viaturas. Para isso utilizam uns bonecos chamados dummies para crash tests.

Na primeira parte deste tema abordei os primórdios da segurança automóvel, na segunda parte foram os dummies mais usados na indústria automóvel e suas caraterísticas, na terceira foram os modelos virtuais que as grandes marcas usam, na quarta parte vimos as entidades que estão envolvidas nas certificações. Agora, na quinta e última parte, uma visão sobre as validações e postura das marcas perante os testes.

Os crash test

Depois de falar dos dummies para crash tests, vejamos os parâmetros como são feitos os embates. No caso dos dummeis reais o trabalho é duro, pois implica serem projetados e monitorizados e caso subsista alguma dúvida, ou parâmetro por validar, voltam a dar o corpo ao manifesto.

No caso dos dummies virtuais é só carregar no botão reset, a nível de custos também são mais económicos, pois exceto o tempo dos técnicos e do processamento dos equipamentos, nada mais se perde e podem repetir milhares de vezes os testes sem perder qualidade.

Para validar os testes, as construtoras precisam de passar por uma série de provas de segurança que incluem a verificação de derrames de combustível e o nível de preservação da chamada célula de sobrevivência, a estrutura onde ficam os ocupantes do veículo.

Os testes posteriores analisam ainda a resistência dos cintos de segurança, dos bancos e é feita uma verificação das portas em casos de capotamento ou de deformação da carroceria, para verificar a sua capacidade de serem abertas sem grande dificuldade, sendo medida a força necessária para efetuar essa simples operação.

Validações do virtual no mundo real

Apesar da evolução e da redução de custos que a desmaterialização dos embates trouxe à indústria, numa primeira fase do projeto, em fase de conclusão e como forma de controlo de que os seus programas estão corretos e em calibrados, as marcas efetuam sempre testes com modelos reais.

Se em simples folhas de excel, é possível que existam cálculos mal efetuados, como do programa de recuperação para Portugal feito pela Troika, imagine um erro desses num programa de calculo onde estão a ter em conta dados como velocidade, materiais e resistências mecânicas, os resultados podem ser desastrosos.

Um pequeno desvio cria um grande problema, pois todos os cálculos subsequentes estarão errados e partindo de pressupostos errados tudo o que for criado estará errado. Como não tem interesse para as entidades oficiais testar algo virtual, estas utilizam somente modelos reais nos crash tests.

As marcas fornecem, gratuitamente, os modelos que as entidades requerem, mas para não existir tentação para criar exemplares diferentes da produção, existem sempre testes realizados com viaturas adquiridas, anonimamente, diretamente em representantes oficiais das marcas.

Assim garante-se a autenticidade dos modelos em relação à linha de produção. As marcas sabem que os resultados obtidos nestes testes poderão manchar irremediávelmente um modelo ou até a própria marca, pelo que a atenção dada à segurança tem sido cada vez maior, para bem da segurança em geral.

Os interesses das marcas

Existem marcas fabricantes de automóveis considerados económicos que consegue colocar todos os seus veículos de passageiros com ranking de 5 estrelas e como estratégia de venda publicitam-no em grande escala, o resultado obtido nas vendas tem sido bom, nos mercados onde estão integrados.

Portando para além do interesse em tornar seguro os veículo per si, o interesse de ser bem sucedido e obter boas classificações de entidades internacionais e idóneas é também comercial, económico e financeiro, passa a ser mais um argumento de venda no momento de fechar um negócio.

Foram vários os elementos que contribuiram para chegar a este patamar de exigência na indústria automóvel, mas sem sombra de dúvida que o dummie, apesar de ser, literalmente, um saco de pancada nos testes, foi a ferramenta decisiva na evolução da segurança automóvel. Muitas vidas foram salvas pelo nosso amigo amarelo. Boa viagem.

Foto | Akinori Yamada