Examinar é fácil, mas demonstrar não é para todos. Conseguirão os examinadores executar a tarefa que solicitam aos examinandos?

Examinar é fácil, mas demonstrar não é para todos.

Todos os que quiserem adquirir um título de condução de modo legal terão, inevitavelmente, de se sujeitarem a um exame de condução teórico e outro prático. Deste modo, poderão justificar a quem lhe avalia a pericia e os conhecimentos, o examinador, através da execução de uma quantidade de tarefas solicitadas, que têm competência para serem legítimos detentores do título legal de condução.

Acontece que, quando estão a ser examinados, nem todos os proponentes detêm essa competência, vindo a praticar irregularidades eliminatórias, ou um conjunto de falhas chamadas leves, que excedem o máximo admissível por legislação que regulamenta os exames de condução, nomeadamente as tarefas a cumprir, o examinado e quem está a examinar.

Examinar e demonstrar, a diferença entre saber ou não saber

Quando um exame prático se inicia, o examinando espera, da parte do examinador que, ao o examinar, o faça de uma forma que se enquadre entre o que a lei estipula e o bom senso. Bom senso este que se enquadre na legalidade exigida, mas também no possível. Ou seja, que lhe seja exigido efectuar uma tarefa que o próprio examinador consiga executar.

Com o novo regulamento e estando atento, essencialmente, às categorias de motociclos e automóveis pesados, principalmente de mercadorias, que seja solicitado que o examinando desenvolva uma tarefa que o próprio examinador saiba desenvolver. Será que isso acontece?

Um testemunho real

Há uns anos atrás, houve uma grande vaga de pessoas que recorreram à profissão de examinador. Inscreveram-se em formação para tal, frequentaram-na e foram sujeitos a exames. Os que aprovaram, alguns, desenvolveram, durante um período, a actividade, uns em centros de exame privados e outros, a recibos verdes, no público.

Um dia chegou em que foram informados que já não contavam com os seus serviços e, uns conseguiram integrar-se nos centros de exame privados, mas houve outros que tiveram de se fazer à vida, procurando outras alternativas. E uma das alternativas de quem comigo conversou, foi o transporte internacional rodoviário.

E foi aqui que tudo mudou. Quando este ex-examinador acedeu a um parque de viaturas onde se encontravam bastantes veículos estacionados, teve de retirar e manobrar entre eles o automóvel pesado que lhe estava estipulado. Sabia-se conhecedor da condução do veículo, pois já tinha conduzido veículos pesados de mercadorias com reboque, no entanto…de caixa aberta.

O que aconteceu, foi que teve de conduzir um de caixa fechada, como o da figura, mas com um reboque, também ele de caixa fechada. Assumiu logo ali a sua dificuldade e certeza de que, para quem já tinha examinado naquela categoria, pouco percebia do que realmente seria conduzir aqueles veículos.

Assim, e porque ando no terreno do ensino de condução, digo-o sem qualquer tipo de problemas; gostava de ver alguns examinadores a fazerem, não apenas nos veículos pesados ou motos, mas nos ligeiros também, aquilo que exigem que aprendizes executem. Afinal, examinar não é difícil, mas demonstrar não é para todos. Se um formando meu me solicitar que lhe exemplifique como se faz, saiu do meu lugar e assumo o volante, demonstrando. Só assim tenho o seu respeito.