Insetos no habitáculo

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De todos os casos caricatos por que já passei relacionados com automóveis, lembrei-me de vos contar um que parece tirado de um filme, daqueles filmes fraquinhos em termos técnicos, sem recursos para efeitos especiais elaborados, pois a minha história envolve mosquitos, muitos mosquitos. E por incrível que pareça a segurança ao volante pode ser muito afetada quando estão insetos no habitáculo.

Há algumas semanas fui experimentar um carro descapotável usado, a pedido de um amigo meu que estava interessado em adquiri-lo, comecei por verificar os documentos, o aspeto geral da carroceria, procurei pontos de ferrugem em zonas chave da estrutura, verifiquei, de forma primária, a qualidade aparente da zona inferior do chassis, evidências de possíveis embates e outros promenores, depois de passar esse primeiro teste, passei ao lado dinâmico.

Após me instalar corretamente na viatura, iniciei a marcha, comecei a tentar perceber se o carro, já com uma dezena e meia de anos, ainda mantinha o mínimo de condições para circular na via pública e se seria uma boa compra para o meu amigo, afinal era para isso que ele havia-me convidado para testar o veículo, para passar-lhe as minhas conclusões sobre o carro.

Primeiros “bichos”

Após as centenas de metros tanto eu como o meu amigo apercebemo-nos de um ou dois mosquitos que estavam a rondar as nossas caras, comentamos que deveríamos deixado aberta a capota. “Não é tarde nem é cedo”, dissemos nós, paramos na berma da estrada, com os quatro piscas ligados e baixamos a capota. Fixamos tudo e continuamos com o nosso teste, orgulhosos da nossa façanha.

Estávamos próximo de uma entrada para a via rápida, basicamente uma circular à cidade do Funchal, e optamos por entrar. Quando circulávamos já próximo do limite de velocidade, que são 100 km/h, eis que surge de debaixo do bando do pendura uma mosquitada, umas boas dezenas desses bicharocos.

Ao serem apanhados pelo vento foram projetados contra a cara e corpo do meu amigo, eu também apanhei com alguns na cara, era mosquitos a bater nos olhos, a entrar na boca, enfim. Agora só parece caricato ou até engraçado quando contamos a história, mas no momento foi muito aflitivo, pois estávamos a conduzir numa estrada onde é expectável que se mantenha uma determinada velocidade e qualquer comportamento errático é perigoso.

Rapidamente liguei os quatro piscas, também diminuí a velocidade de imediato, tentei limpar os olhos e segui para a primeira saída da via rápida, quando conseguimos parar limpamos a cara com as camisolas que tínhamos. Estávamos com os olhos vermelhos e com a adrenalina no máximo. “De onde vieram estes mosquitos todos?” indagamos nós, decidimos ir à caça da origem dos insetos, que só podia ser dentro do carro.

O criadouro de mosquitos

Do lado do passageiro, por baixo do banco, tinha uma depressão onde estava uma poça de àgua com alguns insetos ainda a rondar a “maternidade”. Percebemos que a maioria tinha já fugido. Voltamos ao ponto de partida e após explicarmos o motivo da nossa demora a experimentar o carro, soubemos pelo dono do carro que, por esquecimento, o carro tinha ficado de vidro aberto durante quase uma semana e havia chovido.

Resultado da aventura, o meu amigo conseguiu um bom desconto e fez um excelente negócio, quanto ao local onde estavam os mosquitos, foi lavado com desinfectante para matar os ovos que ainda lá estavam. O meu amigo não se safou foi do apelido com que o carro ficou, o “mosquiteiro ambulante”.

Da próxima vez que deixar um vidro aberto, lembre-se de possíveis consequências que podem advir da distração, para começar corre o  o risco de lhe furtarem o veículo, e caso chova para além do inevitável interior molhado, pode ganhar uns extras, o habitual cheiro a “cachorro molhado” ou um viveiro de insetos.

Neste caso colocamos a nossa integridade física, e até certo ponto a dos outros utentes da via pública em causa, por um fato que desconhecíamos e ao qual eramos alheios. Tenha sempre atenção ao conduzir, mas em especial quando for um carro com o qual não está familiarizado.

Foto | John Tann