Missas do parto e privação do sono

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A celebração das missas do parto é uma das maiores tradições religiosas do Natal na Madeira e Porto Santo, estas missas são diferentes das habituais pois os cânticos são cantados, não só pelo coro mas também pelos fiéis, por isso são muito participadas, inclusive por pessoas que habitualmente não frequentam a igreja, dado o seu carácter lúdico, recreativo e popular.

O problema é que são nove dias de missas do parto e caso alguém participe em todas irá passar mais que uma semana a se levantar muito cedo, pois as missas geralmente iniciam-se pelas 6 da manhã. Conheça os efeitos da privação de sono e a implicação na segurança rodoviária.

A tradição das “Missas do Parto”

Finda a missa, o adro das igrejas converte-se num lugar de convívio com partilha de bebidas quentes como cacau, café e outros, e outra bebidas tradicionais madeirenses da época natalícia, como licores, poncha, acompanhadas de broas de mel, rebuçados de funcho e sandes de carne vinha-d’alhos.

Juntam-se grupos de cantares, de forma organizada ou espontânea e tocam instrumentos musicais tradicionais, alguns específicos da Madeira como a viola de arame e a braguinha, acompanhados pelo rajão, as castanholas, o pandeiro, o bombo, a gaita e os ferrinhos. Resumindo é uma festa tradicional madeirense onde o convívio é a principal atração.

A privação do sono

Com um horário tão madrugador, se quem participa não ajustar o seu horário para compensar o levantar cedo acabará a dormir menos que o normal, isso causará uma sonolência crescente ao longo dos nove dias que dura a tradição.

O sono é essencial para a vida e é a base de muitas funções fisiológicas e também psicológicas do organismo. A reparação de tecidos, o crescimento, a consolidação da memória e a aprendizagem estão dependentes do sono. Embora nem todos os adultos precisem do mesmo número de horas de sono, os especialistas acreditam que menos de 7 horas de sono por noite, regularmente, pode ter consequências negativas para o corpo e para o cérebro.

Efeitos da privação de sono

O sono desempenha um papel crítico no processo de pensamento e aprendizagem, a sua falta prejudica a atenção, deteriora o estado de alerta, reduz a concentração, a capacidade de raciocínio e de resolução de problemas. Isto faz com que seja mais difícil de aprender de forma eficiente.

Durante a noite, vários ciclos de sono desempenham um papel na consolidação das memórias, portanto se não dormir o suficiente, você não será capaz de se lembrar o que aprendeu e experimentou durante o dia. A falta de sono prejudica os processos cognitivos de muitas maneiras, basicamente causa perda cognitiva.

A privação de sono é um grande perigo para a segurança rodoviária. A sonolência diminui o tempo de reação, com efeitos idênticos a conduzir embriagado. A fadiga é uma causa relevante na ocorrência dos acidentes de automóvel, mas também pode levar a acidentes e lesões no trabalho.

Tanto homens como mulheres que são privados de sono sofrem de uma diminuição da libido, a redução de energia, o aumento da sonolência e da tensão podem ser em grande parte os culpados. Um estudo sugere que muitos homens com apneia do sono também têm baixos níveis de testosterona, por exemplo. Será que o problema do “motor de arranque” do Paulo Futre é falta de dormir?

Privação de sono e suas consequências na saúde

A privação do sono pode levar a problemas graves de saúde, as principais são doenças cardíacas, como por exemplo ataque cardíaco, insuficiência cardíaca, arritmia cardíaca, pressão alta e também diabetes.

A maioria das pessoas já viu como fica com uma pele pálida e olhos inchados depois de uma noite de sono perdido, no caso da perda de sono crónica pode levar a que pele fique permanentemente sem brilho, provocando um aumento das linhas finas das rugas e das olheiras.

A pele sofre porque quando não dorme o suficiente, o seu corpo liberta mais cortisol que o normal, em quantidades excessivas, o cortisol pode quebrar o colagénio da pele, que é a proteína que mantém a pele lisa e elástica.

Ao longo do tempo, falta de sono e os distúrbios do sono podem aumentar os sintomas da depressão, até porque as pessoas diagnosticadas com depressão ou ansiedade são mais propensas a dormir pouco, por vezes menos de seis horas por noite.

Tenha em atenção que a insónia é frequentemente um dos primeiros sintomas da depressão. A insónia e depressão alimentam-se um ao outro, a perda de sono, muitas vezes agrava os sintomas de depressão, e com a depressão pode tornar mais difícil adormecer.

A falta de sono parece estar relacionada com um aumento da fome e do apetite, e, possivelmente, com a obesidade, pois estudos indicam que parecem estimular o apetite, em especial a vontade de comer alimentos ricos em gordura e em hidratos de carbono.

Num estudo britânico concluíram que aqueles que tinham diminuído o sono de sete para cinco horas ou menos por noite, tiveram o risco de morte, por todas as causas, aumentado quase para o dobro.

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