Motos e curvas (1): contra-brecagem e reacções de sobrevivência

Motos e curvas - contra-brecagem

A partir de hoje e durante várias semanas, iremos focar-nos em como melhorar as nossas aptidões ao comando de um motociclo. Para tal, teremos o auxílio de uma série de vídeos baseados no livro escrito por Keith Code, ‘A twist of the wrist’, ou, como é conhecido também, a biblia das curvas. Sim, falamos de motos e curvas.

Neste primeiro capítulo falaremos sobre a técnica de contra-brecagem, como se aplica e que efeitos tem. Além disto, falaremos sobre as RS, também denominadas reacções de sobrevivência, que todos nós aplicamos quando nos vemos numa situação de risco que está para além do nosso controle.

A técnica de contra-brecagem

Todos aqueles que andam de mota, mais tarde ou mais cedo terão ouvido falar da técnica de contra-brecagem. Em primeiro lugar, temos de deixar claro que não podíamos conduzir um motociclo, nem sequer uma bicicleta, se não aplicássemos correctamente a contra-brecagem. Um veículo de duas rodas requer técnicas completamente diferentes das dos de três e quatro rodas, já que o primeiro necessita de se inclinar para dar correctamente as curvas, a partir de certa velocidade.

Como verão no vídeo e terão observado, num triciclo, se queremos ir até à esquerda, giramos o guiador para o mesmo lado e vice-versa. Não obstante, num motociclo, a condução muda por completo. Desta forma, se queremos ir até um determinado lado, temos que mover o guiador para o lado contrário. Isto é o que se chama correctamente de contra-brecagem.

Esta técnica é a base pela qual devemos reger a nossa condução, e posteriormente poderemos usar outras que a complementarão, como deslocar o peso até ao estribo interior, ou mover o corpo até ao lado da curva para facilitar a deslocação. Porém, deve ficar claro que, mesmo que permaneçamos erguidos em cima da mota, que nem uma esfinge, aplicando força com um só dedo no guiador, podemos realizar uma curva sem qualquer problema.

Motos e curvas - Reacções de sobrevivência

Reacções de sobrevivência

As reacções de sobrevivência são, como o próprio nome indica, a forma que um de nós tem de agir quando se encontra numa situação de risco. Cada pessoa tem um limite físico e psíquico diferente. Por exemplo, um piloto de automóveis ou de motas é capaz de chegar a um ponto limite a que muitos de nós nem sequer sonharíamos tolerar, porém, naquele momento eles são capazes de manter a calma e reagir de forma controlada, caso seja necessário que escapem de uma situação perigosa.

As reacções de sobrevivência são oito:

  1. Usar a embraiagem à entrada de uma curva se chagarmos “por último”.
  2. Inclinar mais a mota ao entrar na curva, uma vez perdido o delinear correcto.
  3. Tornar os braços rígidos e agarrar-se com força aos semi-manípulos.
  4. Desordem visual, por assim dizer, ver qualquer sítio excepto aquele para onde queremos ir.
  5. Fixar a vista num ponto errado, fora do delinear que faria com que evitássemos a caída.
  6. Mantermo-nos fixos no objecto contra o qual iremos bater.
  7. Na situação de pânico em concreto, não reages de nenhuma maneira correcta.
  8. Bloqueio de travões que por sua vez faz “pensar” que não podemos fazer a curva.

Se durante dado momento fazemos alguma delas, cairemos imediatamente nas restantes, uma atrás da outra. Por isso, devemos acostumar o nosso corpo e mente às reacções e percepções sensoriais em cima de uma mota, para assim poder reagir correctamente, caso seja necessário.

Agora vejamos todo o anterior em imagens:

Foto | jon-Highways Agency
Vídeo | Morrillu