Não há santo que salve um condutor distraído

Distrações podem provocar acidentes e não há santo que salve um condutor distraído.

Junho é o mês dos Santos Populares com festas e arraiais em quase todas as cidades e vilas de Portugal. A população celebra os seus santos, ou talvez aproveite a festa para extravasar os limites no início do verão e do tempo quente com o anoitecer a acontecer mais tarde.

Descubra de que forma a distração afeta a qualidade de condução. Perceba de que forma é que as festas dos santos populares podem afetar a segurança rodoviária. Descubra porque é que não há santo que salve um condutor distraído.

A época que se avizinha indica que a população cristã está em festa, com demonstrações de fé. Porém o que mais atrai é a promessa de diversão, sejam cristãos ou não, crentes ou não, todos procuram divertir-se. Ao mesmo tempo e por quase por todo o país nas noites de Santo António, de São João e de São Pedro ocorrem festividades.

A nível de segurança rodoviária esta quadra traz fatores extra aos quais é necessário dar atenção, também, extra. Mas a existência de grandes aglomerações de pessoas é uma das maiores dores de cabeça para a fluidez do tráfego. Este fato é ainda mais agravado pelas alterações do transito normal e ao qual o condutor estava habituado. É necessário dar maior atenção à sinalização para detetar as alterações.

Santo António, São João…

Os Santos Populares têm dois grandes destaques, um em Lisboa e outro no Porto. Assim, na noite de 12 para 13 de junho, em Lisboa comemora-se o Santo António, e no Porto, na noite de 23 para 24 de junho, celebra-se o São João. De acordo com a própria dimensão das cidades, maiores são as aglomerações de pessoas.

Nas restantes cidades geralmente existem versões, mais reduzidas, de acordo com a dimensão de cada aglomerado populacional. Apesar das festividades se revestirem de carater religioso, pela própria celebração dos Santos Populares, são as demonstrações “pagãs” que mais “motivam” e atraem os participantes.

São festas com grande aderência popular, o povo vem para a rua comer, beber e divertir-se pelas ruas dos bairros populares. Os locais onde decorrem os eventos são engalanados com arcos e balões coloridos. Reina a boa disposição e a música típica de arraias e festas populares.

Em Lisboa existem marchas populares, cada bairro tradicional é representado num desfile na Avenida da Liberdade. Participam centenas de figurantes com muito público a assistir. Mas a massa humana e a animação não são menores nas ruas dos próprios bairros. Os bairros com festividades mais efusivas são os de Alfama, Graça, Bica, Mouraria ou Madragoa.

No Porto, a festa é idêntica no colorido e na alegria dos participantes ao longo dos bairros mais tradicionais. São eles Massarelos, Miragaia, Fontainhas e claro na Ribeira. No Porto os participantes “batem” na cabeça uns dos outros com alho-porro. Mas quando este falta usam martelinhos de plástico com o mesmo fim.

À meia-noite, além do fogo-de-artifício, que é lançado no rio Douro, os populares lançam coloridos balões de ar quente. Para quem faz o “programa completo” a noite acaba junto à praia, para ver nascer o sol ou para um banho matinal, como manda a tradição.

…e São Pedro

A 29 de junho comemora-se São Pedro, também com festas populares em várias localidades do país, como Sintra e Évora. Esta última tem a particularidade de celebrar dois santos populares, pois realiza desde o séc. XVI a feira de S. João, uma das maiores da região sul de Portugal, comemorando também o dia de S. Pedro como feriado municipal.

Em todas as festas é de tradição saltar a fogueira e oferecer à namorada ou namorado aromáticos vasos de manjerico. Estes vasos são decorados com quadras, quase todas versando o amor. Este fato advém destas festas estarem relacionadas ao solstício de verão e a antigos rituais de fertilidade.

Em todos as festividades ao longos das ruas e ruelas existem inúmeras esplanadas improvisadas. Nestes espaços o petisco principal são as sardinhas que fazem-se acompanhar pelo caldo verde, pão com chouriça e vinho tinto.

Nem os Santos Populares salvam um condutor distraído

O último paragrafo termina com um dos problemas principais que os Santos Populares trazem à segurança rodoviária, o consumo de álcool. E geralmente são doses elevadas e por grande número de pessoas, o que acarreta grandes riscos para a circulação automóvel. Não só o condutor é afetado pelo álcool, também o são os inúmeros peões que deambulam pelas ruas.

Onde ocorrem comemorações do Santo Populares são muitos os fatores de distração para o condutor.

Um condutor que se distraia quando “atravessa” uma das ruas perto destes eventos deverá ter a sua atenção redobrada e a adotar uma velocidade de circulação extremamente reduzida. As atitudes e movimentos dos transeuntes poderá ser erradica. Até quem está sóbrio poderá ser induzido em erro ao sair duma zona onde o trânsito foi fechado para as festividades para uma das ruas abertas à circulação automóvel.

O condutor distraído será surpreendido, frequentemente, ao circular nestes trajetos. Muitos passarão somente por situações de sustos, outros de desgostos! Não se distraia ao volante. Mantenha-se atento e alerta, mesmo nos Santos Populares.

Conselhos para os foliões

Se for festejar deve planear bem as deslocações. Utilize os meios de transporte público que geralmente as organizações disponibilizam nestas situações. Caso vá com um grupo de amigos tente arranjar um que se voluntarie (e cumpra) para os levar e trazer sem ingerir álcool. Mas não se esqueça de se alimentar, a bebida é mais difícil de suportar com o estomago vazio, fazendo com que perca o controlo rapidamente.

Mas a sua segurança depende, primariamente, de si e da sua atitude. Não seja descuidado. Garanta que se diverte, mas sem cair no exagero. Pois, a comemoração dos Santo Populares poderá terminar bem, ou não, a escolha é sua. Mesmo que circule apenas a seja consciente, circule sempre nos passeios nas ruas abertas ao transito. Agora para terminar e “animar a alma” deixo-vos com duas quadras.

Quadra tradicional:

“Santo António a treze de junho
com marchas de encantar,
a vinte e quatro o São João
a vinte e nove São Pedro para terminar.”

Nova quadra para os Santo Populares:

“Oh meu rico Santo António
das bochechas rubicundas
protegei-me das más sogras
e do Fisco nas rotundas

Fotos | Giphy, Alan Cleaver