Publicidade nas estradas distrai condutores

idosa a conduzir - CS

Quanta vezes já vimos um outdoor interessante e fixamos o olhar para conseguir ler a informação que nele está escrita enquanto estamos a conduzir, embora sejam apenas alguns segundos claro, mas esses segundos por vezes podem ser o suficiente para que se tenha um acidente mais ou menos grave. Se para os condutores jovens isto não representa um problema muito grave, visto que têm, geralmente, uma boa visão e não fixam o olhar na publicidade demasiado tempo e também têm uma rápida perceção daquilo que vêm, já para os condutores idosos este é um problema bem mais grave, uma vez que, na sua grande maioria, tem visão deficiente que impossibilita a leitura rápida de qualquer tipo de publicidade que desperte o interesse o que faz que desviem a atenção da estrada por um período demasiado longo.

Os idosos memorizam menos informação, mostram tempos de reação mais longos e cometem mais erros e omissões em tarefas realizadas em ambientes que contenham distrações visuais, conclui o estudo, do Departamento de Educação da Universidade de Aveiro.

O trabalho de investigação teve como objetivo avaliar o efeito que os “distratores ambientais” podem ter no desempenho cognitivo da população idosa, especificamente quando as tarefas envolvem estímulos visuais.

“Tomando por base a evidência de que ambiente distrativos prejudicam significativamente a capacidade dos idosos detetarem e responderem a estímulos, pode-se, por exemplo, prever consequência diretas na capacidade de condução dos idosos ou na realização de avaliações psicológicas em ambiente distrativos”, afirma o investigador em Psicologia do Departamento de Educação da UA, Pedro Rodrigues.

O responsável pelo estudo diz ainda que no que diz respeito à condução, “pode-se prever uma maior probabilidade de acidentes nesta população quando a condução ocorre num ambiente rodoviário muito distrativo, de que é exemplo uma elevada frequência de placas publicitárias nas estradas”.

Dirtrações a conduzir - CS

Dirtrações a conduzir – CS

Esta previsão acontece pelo facto do estudo ter revelado maiores dificuldades dos idosos em filtrarem informações relevantes perante um ambiente mais distrativo, assim como tempo de resposta mais longos.

O estudo consistiu em colocar à frente de um computador 40 idosos, com idades compreendidas entre os 60 e os 95 anos, do distrito de Aveiro, que realizaram testes de avaliação dos processos cognitivos básicos de atenção e memória.

“Em termos desenvolvimentais, as capacidades cognitivas dos indivíduos desenvolvem-se desde a infância até à idade adulta e entram em declínio durante a fase de envelhecimento. Será de esperar por isso “que os distratores ambientais sejam mais prejudiciais ao desempenho cognitivo de crianças, adolescentes e idosos, do que ao desempenho de adultos”, refere.

Pedro Rodrigues afirma que, “se essa evidência se verificar em idades escolares”, é de admitir que as salas de aulas, que normalmente têm muitos elementos distrativos visuais, podem ter características que se tornam prejudiciais às tarefas de aprendizagem, que naturalmente envolvem atenção e memória”.

O trabalho inicial da UA já deu lugar a um artigo publicado na revista internacional, Cognitive Processing, onde se podem encontrar os primeiros dados obtidos com idosos portugueses, bem como referências a várias das suas implicações práticas.

Se alguma vez se deparou com uma publicidade ou outro meio distrativo na estrada e isso o prejudicou deixe o seu comentário em baixo.

Fontes: UA, Lusa, SOL