Regresso a casa

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A última semana de agosto é uma semana de grande fluxo de tráfego, não apenas nas estradas portuguesas, mas também por essas estradas da Europa. É a semana que finda as férias dos que rumam a paragens diferentes do local de residência, em busca de novas forças anímicas para enfrentar mais um largo período de trabalho, assim como da comunidade emigrante portuguesa aos países de acolhimento.

Longe vai o tempo em que os emigrantes Portugueses escolhiam como meio de transporte, na vinda em agosto a Portugal, o comboio. Nessa época, os comboios vinham cheios de famílias ansiosas de verem os seus entes queridos. No entanto, essas viagens eram cansativas, demoradas e sem conforto.

Com o evoluir dos tempos e o crescimento da economia e do poder de compra, deu-se inicio à aquisição de viaturas e, muitas famílias, deram inicio às viagens de regresso a Portugal utilizando o automóvel. Acontece que até meados dos anos 80, as vias de comunicação não eram as melhores, obrigando os condutores a viagens muito longas, muito cansativas, dispendiosas e com uma taxa de mortalidade rodoviária elevada.

Com a evolução tecnológica no ramo automóvel e no desenvolvimento das vias de comunicação, como a construção de autoestradas, túneis e áreas de repouso, fez com que o tempo da viagem se torna-se inferior, a viagem menos cansativa, mais confortável e segura…desde que as regras de segurança sejam cumpridas e respeitadas.

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Assim, como nos primeiros dias de agosto as estradas são inundadas por milhares de viaturas que, essencialmente, descem a Europa com destino a Portugal, também agora, na hora de partir, essa mesma inundação rodoviária vai acontecer em sentido oposto. De Portugal vão partir para essa Europa toda. O grande problema é que todos esperam até ao último momento para o fazerem, o que vai provocar um aumento no risco de sinistralidade rodoviária.

São milhares os emigrantes portugueses os que optam por se deslocarem a Portugal utilizando o automóvel como meio de transporte. São milhares e vêm de diversos países, nomeadamente, Luxemburgo, França, Suíça ou mesmo Alemanha.  Uma vez que vêm de lugares tão longínquos e ainda que as estradas possam apresentar condições aceitáveis, boas ou excelentes, o físico ressente-se, ao final de algum tempo de circulação, do facto de vir sempre na mesma posição e confinado a um espaço muito restrito.

Desta feita, é importante efetuarem-se paragens frequentes, repousar e dar descanso ao veículo, hidratar-se com o consumo de água, alimentar-se com refeições ligeiras e apanhar ar fresco. Mas é aqui que se começa a falhar. Falha inicialmente porque não há uma planificação da viagem, nomeadamente com a determinação prévia dos lugares de paragem, das vias a utilizar, dos horários de saída, etc…

A ideia inicial é a de chegar tão rápido quanto possível ao destino, na ânsia de estar com os parentes que estão em Portugal, efetuando paragens unicamente para abastecer o depósito de combustível e, o repouso, quando se chegar, logo se verá. O mesmo vai acontecer agora no regresso. O facto  de apenas se dar inicio à viagem já tardiamente, vai fazer com que haja a necessidade de se fazer a viagem de uma vez apenas, mais cansativa, e de maior risco.

Esquecem-se muitas vezes os condutores que, já com alguma idade, mais rapidamente entram em cansaço físico e psicológico. Infelizmente muitas são as vezes, mais do que as espectáveis, os casos de acidentes rodoviários motivados pelo cansaço ou adormecimento ao volante. Recordo aqui aquele caso em que, já em França, a policia faz alto de paragem a um condutor. Após a imobilização do veículo, o agente ao chegar junto à porta do condutor, constata que este se encontra a dormir.

Aos emigrantes portugueses que vão dar inicio ao regresso ao país de acolhimento laboral, assim como a todos os  turistas que nos visitaram, desejamos que façam uma viagem em segurança, de acordo com as normas que tal confere.

Fotos¦ Jorge Ortolá