Transporte em célula sanitária

Ambulância

É recorrente no transporte em emergência o socorrista fazer-se transportar sem fazer uso dos sistemas de retenção que tem ao seu dispor, nomeadamente bancos com cinto de segurança de dois ou três pontos de fixação. A justificação mais recorrente, segundo estes elementos, deve-se ao facto de haver uma necessidade eventual de atuar sobre as vitimas que se transportam.

Esta pode parecer uma justificação plausível, no entanto se analisarmos a situação de uma forma real e objetiva, verificamos que é uma pequena percentagem aquela que requer uma intervenção continuada na vitima por parte do socorrista. Assim, podemos verificar que grande parte das vezes o socorrista pode ir devidamente sentado, junto à vitima, com os acessórios de segurança colocados, diminuindo deste modo o risco de consequências dramáticas em caso de acidente rodoviário.

Vejamos; quando uma ambulância é deslocada para uma ocorrência, são transportados o condutor e o socorrista. No trajeto entre o lugar da ocorrência até ao hospital, seja qual for o caso e seguindo os protocolos, vai sempre a vitima e o socorrista. Num pressuposto que a vitima está a ser transportada em maca, esta está segura com os cintos da própria maca, entre outras razões, para não cair da mesma. Estando a vitima estabilizada, a eventual intervenção poderá ser mínima. Nestes casos, deve o socorrista ir sentado no banco contíguo à maca, ou no banco de cabeceira, consoante verifique onde poderá haver maior necessidade de pontual intervenção, fazendo sempre uso do cinto de segurança.

Quando se trata de casos com mais gravidade em que haja uma real necessidade de intervenção permanente, então os níveis de prevenção devem aumentar, nomeadamente, baixando consideravelmente a velocidade da viatura e aumentando a área de segurança ao seu redor.

Muito se tem debatido, em formação, da razão do não uso dos sistemas de retenção por parte do socorrista na célula sanitária. Do que se tem avaliado, muitas são as vezes em que o não uso se deve a um mau hábito institucionalizado.

Vamos agora avaliar dois pontos do mesmo espaço, mas de olhar diferente. Uma vez que as ambulâncias circulam na via publica, estão sujeitas às vicissitudes do tráfego rodoviário. Assim, a possibilidade de surgirem situações inesperadas que exijam como reação uma travagem súbita, sem pré-aviso, ou uma guinada na direção mais pronunciada. Tais intervenções vão provocar uma violenta deslocação no centro de gravidade do veículo e de tudo o que dentro dele não esteja acondicionado, ou seja, um socorrista que não se faça transportar sem que faça uso dos cintos de segurança. Nestas duas situações será projetado dentro do veículo como uma “bola de ping-pong”, onde as consequências podem passar pelo ferimento grave do socorrista e/ou do socorrista e da vitima que está a ser transportada, por colisão entre ambos.

Uma vez que os atuais cintos de segurança são compostos por um sistema de recolha automático da fita quando desbloqueado do gancho de engate, concluímos que facilmente o socorrista se liberta desse mesmo cinto de segurança e auxilia a vitima transportada em caso de necessidade, assim como garante uma elevada  diminuição do risco de ferimentos em caso de acidente ou incidente com aquele veículo.

Foto | Madrid Emergency Vehicles