Vai uma corrida de risco controlado?

Autódromos em Portugal

O automóvel tornou-se, pouco tempo após ter sido “inventado”, um símbolo de destaque na sociedade dos finais do século XIX, princípios do século XX. Com o desenvolvimento da máquina, conseguiu-se aumentar a potência do motor e a velocidade do veículo. Implementaram-se sistemas de segurança ativa e passiva, aumentando-se também a segurança. Tal fez com que surgissem as primeiras provas de competição.

Com o avançar dos anos, das décadas, a “guerra” das vendas foi aumentando, de forma vertiginosa, levando as marcas a se organizarem e a utilizarem as provas de competição como “banco de testes” das novas e mais modernas tecnologias que virão mais tarde a equipar  os veículos de série.

As provas de competição reconhecidas pelas federações internacionais e nacionais, envolvem investimentos elevados, seja pela marca com equipa oficial, seja por equipas particulares e respetivos patrocinadores.  Tal deve-se ao facto dos intervenientes financeiros terem como objetivo a maior visibilidade possível sobre o seu produto, na busca da rentabilidade célere e avultada.

Deste modo, procuram esses mesmos investidores as equipas, profissionais ou amadoras, que maior garantia de sucesso lhes transmitem  no seu projeto. Deste modo, e não apenas pelo valor individual do condutor, procuram aquele piloto que faça valer o investimento e alcançar os lucros desejados.

Os aceleras

Existem muitos condutores que têm o sonho de poder integrar uma equipa de competição automóvel. Acontece que nem todos, por mais que julguem que sim, têm aptidão técnica para alcançarem esse objetivo, capacidade financeira ou contacto institucional.

E porque assim é, fazem da sua atividade de mero condutor ou condutor profissional de uma qualquer empresa, atividade de piloto de uma qualquer competição que se lhes desenrola na ideia. Quem numa autoestrada, por exemplo, já não foi ultrapassado por duas ou três viaturas ligeiras de mercadorias de uma empresa de distribuição de encomendas, a uma velocidade muito acima do legalmente possível e com uma distância entre eles não superior a dois, três metros?

A ideia de que se é um grande piloto, ainda que não o seja sequer, leva-os a terem comportamentos rodoviários de risco elevado, uma vez que fazem da estrada pista de autódromo ou troço de rally. Muitas são as vezes em que encontram “almas gémeas”, levando ao despique rodoviário em troço imediato sem linha de meta, onde outros intervenientes  são meros obstáculos não sujeitos ao respeito da sua integridade física ou vida.

O local da ocorrência

Numa pista de autódromo, estão definidas as trajetórias, obstáculos, zonas de travagem e aceleração. Em pista de autódromo, o pavimento é bastante linear, com atrito muito definido. Os estímulos e os riscos estão bem calculados.

Nos troços de rally, existe um conhecimento prévio do percurso a desenvolver, com agentes da organização em toda a sua extensão. Os estímulos estão estudados, devidamente identificados, catalogados, trajetórias bem definidas. O atrito é calculado, os pneus escolhidos em conformidade. No entanto, mais vulnerável quando comparado com uma pista de autódromo.

Na via publica não existe, por vezes, um real conhecimento do meio envolvente. É impossível prever como vão reagir os outros condutores, nem tão pouco estão preparados para que ao seu redor surja uma corrida de estrada, seja ela combinada ou pontual. O asfalto não é tratado nem preparado para uma corrida, pelo que o atrito  é variável, podendo levar ao deslizamento do veículo sem que haja controlo sobre o mesmo. os próprios veículos, os de uso pessoal e os de competição~, são distintos de com reações bastante diferentes.

As consequências

As más praticas ou erros na condução de um automóvel podem ter consequências inimagináveis. Podem passar pelo simples susto ou pela morte de uma ou mais pessoas, muitas delas sem culpa alguma.

Apesar de num autódromo as velocidades serem mais elevadas, a possibilidade das consequências de uma saída de pista ser grave é baixa. Tal deve-se ao facto de existirem longas áreas laterais de segurança e sistemas de absorção de impacto. Para além disso, os veículos também estão equipados com sistemas de redução de impacto, o piloto seguro com um cinto de segurança de cinco pontos e um capacete.

Ainda que com maior risco, uma vez que os obstáculos estão mais perto do veículo em competição e as provas muitas vezes são realizadas fora de estrada, os automóveis de rally estão equipados com proteção interior, roll bar de elevada capacidade de proteção, cintos de segurança de cinco pontos e o piloto com capacete de proteção. Os danos humanos, ainda que se conheçam alguns casos, são mínimos.

Na via publica circulam milhares de veículos, peões e animais. São milhares de estímulos que temos de processar, analisar e aos quais temos de reagir. são improváveis as ações imediatas dos outros, o que nos provoca um risco elevado. Como já verificamos no post “distancia de segurança“, o espaço disponível é muito limitado. Como consequência podemos ter mortes ou ferimentos graves que condicionam o bem-estar dos outros, assim como custos elevados, financeiros, humanos e materiais, muitas vezes não comportáveis pelas famílias, ou não segurável pelas companhias de seguros.

Autódromo Estoril

A solução: o autódromo e a formação rodoviária

Em Portugal existem centros de formação rodoviária que têm ao dispor de quem os procura, soluções para aprendizagem de técnicas de condução. A CR&M, a ECP  têm à disposição várias formações com recurso a circuitos fechados, equipados tecnicamente, onde os condutores que necessitam de libertar a sua adrenalina o podem fazer no desenvolvimento de obstáculos a diversas velocidades.

Aí o risco é mínimo, uma vez que o espaço está equipado por forma a prever toda a segurança dos utilizadores e tem em acompanhamento formadores competentes. Os custos são variáveis, entre os € 450 e os € 1150. Mas quem gosta de emoções mais fortes, pode sempre recorrer ao Autódromo do Estoril ou do Algarve e aí conduzir viaturas de competição de potência elevada.

Para empresas existem entidades que desenvolvem ações de formação para uma vertente mais defensiva, altruísta e económica, como é o exemplo da Driso – Driving Solutios.

Faça boa viagem.

Fotos ¦ JC, Autódromo Algarve