Academia de condutores

 

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A segurança rodoviária é de uma forma geral abrangente a todos os intervenientes, diretos ou indiretos da via publica. Assim, torna-se necessário que essa segurança tenha um principio ativo, procurando sempre um curto prazo de implementação, um médio prazo de aceitação e desenvolvimento. Se tal acontecer, teremos, a bom da verdade, um conjunto de prestações rodoviárias capazes de minimizar o risco de acidente rodoviário e de todas as suas implicâncias.

Deste modo, muito já se tem falado, escrito e debatido sobre as melhores formas de atuar para que toda essa consequência física, económica e social possa diminuir e melhorar a qualidade de vida de todos, os intervenientes, sejam eles mais ou menos vulneráveis ao conflito. Acontece que a realidade não é tão real como a intensão.

 A implementação da segurança rodoviária

Como já acontece em muitos países da Europa, Portugal ainda não olhou para a questão da segurança com olhos de ver. Olhou, vai tentando desenrascar as coisas para ficar bem na fotografia aos olhos da União Europeia, mas não viu ainda com olhos de ver como realmente atuar em conformidade e em busca dos resultados pretendidos. A diminuição da sinistralidade rodoviária, suas consequências nefastas e o melhoramento do relacionamento entre utentes da via.

A implementação da segurança rodoviária deve ser efetuada através da introdução de educação rodoviária no curriculum escolar, desde o infantário. Desta forma os futuros condutores e intervenientes no meio rodoviário poderão perceber qual o melhor comportamento que devem ostentar. Se essa educação for avançando ao longo dos anos escolares, esses jovens vão aprendendo a respeitar os seus pares.

Acontece que os filhos, grande parte das vezes, são o reflexo dos pais. Ora, se os progenitores não têm uma boa postura rodoviária, protestando e ofendendo os demais utentes, os filhos vão acabar por adquirir esse comportamento. Então seria bastante útil que os pais frequentassem, conjuntamente com os filhos, ações de formação cívica e rodoviária.

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A aceitação das normas

Muitas são as vezes e todos nós conhecemos muitos casos, por vezes até nós mesmos, em que as normas do código da estrada não são aceites como estão definidas. Ou não concordamos porque não nos dá jeito, ou não as aceitamos simplesmente porque não. Acontece que as normas, não sendo perfeitas, se vão adaptando à realidade rodoviária de cada país e da evolução das tecnologias.

Se a educação rodoviária tivesse sido implementada em Portugal à três décadas ou quatro, hoje teríamos certamente condutores mais responsáveis, cumpridores das normas e que aceitavam com naturalidade as alterações ou adaptações que vão sendo feitas ao código da estrada. Hoje teríamos responsáveis legislativos mais sensibilizados e conhecedores das realidade, capazes de adaptar esse mesmo código da estrada.

Acontece que, como essa educação rodoviária não foi oficialmente implementada, apenas se vão desenvolvendo ações a titulo privado, o que acontece é que não existe uma continuidade na aprendizagem dos mais pequenos. Com sorte e dinheiro dos pais, eventualmente, voltam a ter contacto com as normas aos 14 anos de idade. Esta é uma fase de negação dos jovens, o que não facilita nada a sensibilização para com comportamentos de risco.

Academia de condutores

No passado sábado dia 12 de outubro, estive no IV Encontro Nacional do Grupo SD, nas Caldas da Rainha,  onde se debateu, essencialmente, o tema dos transportes, motoristas, sua segurança e condições de trabalho. Neste encontro foi avançada uma ideia/ intensão de se criar uma Academia de condutores que pudesse ministrar formação diversa a todos que pretendam ser condutores e aos que já são, para que estes passassem a ser condutores mais capazes, responsáveis e conhecedores das normas que os regem, mas também das dinâmicas dos veículos que conduzem.

É verdade que já existem empresas que desenvolvem formação nesta área. Não é nada muito inovador este conceito da Academia do condutor. O que acontece é que as empresas em geral e os condutores em particular não se encontram sensibilizados para o facto de, ao recorrerem a estas empresas que desenvolvem formações complementares à aquisição de um titulo para conduzir, estão a adquirir saber-saber e saber-fazer que a curto/ médio prazo vai trazer imensas vantagens e lucros.

Então a questão que se coloca é: Porque não aproveitam as empresas para disponibilizar este tipo de formações aos seus colaboradores, abrangidas pelas 35 horas de formação anual obrigatórias?

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