As festas e a condução nesta altura do ano que se quer festiva

Os comportamentos de risco mais comuns na estrada podem estragar esta quadra festiva. Não deixe que isso aconteça.  Conselhos que deve colocar em prática.

O natal e o ano novo estão aí. É um momento em que as pessoas viajam mais para passar a quadra festiva com os seus entes queridos.

É também uma altura em que as autoridades montam operações de fiscalização rodoviárias especiais com o objetivo de disciplinar o trânsito, de tornar mais fluído o tráfego e apoiar os condutores nalguma situação que seja necessário.

Tendo como contexto esta época festiva, Pedro Miguel Silva, assessor da Presidência da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), recorda “uma série de conselhos que devem estar sempre bem presentes em quem se propõe fazer uma viagem, tendo em conta os comportamentos de risco que, comummente são tidos como potenciadores de provocarem acidentes rodoviários e que têm de ser evitados”.

Entre esses comportamentos de risco a evitar que este técnico da ANSR salienta encontram-se os seguintes:

Velocidade excessiva

A velocidade do veículo deve ser adequada às regras impostas pela sinalização, pelo Código da Estrada e pelas condições da via e do veículo. “Muitos dos acidentes provocados dentro das localidades, devem-se à velocidade excessiva. E tenho estado a utilizar o conceito de velocidade excessiva e não o de excesso de velocidade. O conceito de excesso de velocidade remete-nos para os limites constantes do artigo 27.º do Código da Estrada mas, por vezes, ainda que cumprindo esses limites, a velocidade praticada pode ser excessiva em determinadas vias, atendendo às suas especificidades, especialmente quando estas se situam dentro de localidades com grande densidade populacional”, aponta Pedro Silva.

Uso indevido do telemóvel na condução

Além de ser proibido falar ao telemóvel e conduzir em simultâneo (coima de 120 a 600 euros e sanção acessória de inibição de conduzir de um a 12 meses), esta prática desvia a atenção do condutor do ambiente rodoviário, diminuindo assim a sua capacidade de perceção dos perigos que possam surgir. “Há estudos que indicam que a utilização do telemóvel em conversação durante o exercício da condução, potencia em quatro vezes a possibilidade da ocorrência de um acidente e em cerca de 10 vezes se a utilização do telemóvel consistir no envio/receção de sms”, lembra o técnico da ANSR.

Não utilização dos sistemas de retenção

Se à frente a utilização dos cintos de segurança se massificou, atrás ainda é comum verificar a falta do seu uso. O cinto é um componente de extrema relevância na proteção dos ocupantes de um automóvel, sendo, inclusivamente, em termos históricos, considerado ainda dos mais eficazes e o que mais vidas salva, apesar de toda a evolução tecnológica que os veículos tiveram.

Cansaço

A fadiga implica a “diminuição das capacidades percetivas, cognitivas e motoras, prejudicando a vigilância, a atenção, a capacidade percetiva e o tempo de reação. Como é bom de ver, numa atividade tão exigente como a da condução, a fadiga e o cansaço são inimigos silenciosos, muitas vezes associados à ocorrência de acidentes”, declara Pedro Silva que aconselha que quem se propõe iniciar uma viagem deve estar bem repousado, tendo dormido o suficiente nas noites precedentes. “Não deve ser fixada uma hora de chegada, as refeições devem ser ligeiras e isentas de álcool, deve-se ter cuidado com a influência de alguma medicação no exercício da condução, e parar para descansar por períodos de 10 a 15 minutos por cada duas ou três horas de condução”, diz ainda este especialista.

Condução sob o efeito do álcool

Neste tempo de festas, de família e de amigos, o técnico da ANSR adverte que as pessoas não se devem iludir “com algumas formulações que nos dão indicação da quantidade de bebidas que se podem ingerir sem se correr o risco de se ser autuado: pese embora o facto dessas formulações assentarem em bases científicas, a verdade é que o corpo humano pode reagir de forma diferente a estímulos idênticos. Por isso o melhor é não arriscar a multa mas, especialmente, a vida, não ingerindo quaisquer bebidas alcoólicas sempre que vá conduzir”.