Conseguirá o Ensino da Condução Automóvel formar bons condutores?

Aula de formação de condutores

Nas escolas de condução formam-se condutores ou fabricam-se agentes dominadores de viaturas motorizadas? Para que não haja qualquer dúvida, a abordagem deste post ao tema não tem nenhuma referência ao facto dos candidatos a condutores estarem ou a ser profissionalmente bem formados ou as escolas de condução a prestar um bom ou mau serviço.

A abordagem ao tema está diretamente associada ao facto de se tentar perceber se a Lei vigente permite, isso sim, que os formadores das escolas de condução desenvolvam um processo formativo capaz de preparar os futuros condutores para a realidade rodoviária ou apenas para a realização de dois exames, um teórico e muito limitado e um outro prático, a fim de obterem um titulo que os habilite a conduzir um veículo na via pública.

Ainda que pedagogicamente desenvolvido de modo aceitável na teoria, o programa está necessitado de uns acertos, nomeadamente na possibilidade de se ministrarem temas de forma alternada e enquadrada com o ensino que se está a ministrar.

No entanto, a grande alteração deveria ser efetuada no ensino prático, uma vez que aí reside um dos grandes bloqueios à formação e preparação dos futuros condutores, quando se deseja que eles sejam capazes de interagir com outros utentes das vias (condutores, peões) nas mais diversas e complexas realidades rodoviárias em segurança.

Ainda que com algumas nuances, a impossibilidade de ministrar a formação pratica em outro Concelho, que não aquele onde a escola de condução tem alvará licenciado, exceto nas 24 horas que antecedem a hora do exame ou no caso do Concelho de origem não possuir determinado tipologia de vias, não é permitido efetuar uma formação de desenvolvimento continuo. Muitos são os Concelhos cuja realidade de tráfego é passiva, ainda que possuam um conjunto de vias determinado na Lei.

Havendo liberdade de circulação, seria muito mais fácil aos formadores proporcionarem aos futuros condutores vários contextos de trânsito, com diversas situações complexas, vantajosas á aprendizagem do futuro condutor e ao armazenamento de nova informação na memória de longo prazo.

Com esta impossibilidade, fica o formador restrito a um espaço que poderá não permitir o desenvolvimento de rotinas enquadradas na Função da Condução, escapando ao principal objetivo de uma boa formação; ter na estrada condutores capazes de desenvolver uma condução segura, ostentando uma competência técnica e social que vá de encontro à estabilidade rodoviária do momento, capazes de avaliar um contexto de trânsito, preverem um acontecimento e se anteciparem a ele.

Fica a questão; queremos continuar a formar novos condutores e coloca-los no meio rodoviário com informação e competências para resolverem um elevado número de situações de trânsito, ou queremos continuar a “fabricar” condutores e esperar que eles se “desenrasquem” no trânsito quando se depararem com novas situações que necessitem de uma decisão rápida e objetiva?

Vamos realmente formar e preparar pessoas para irem para o sistema rodoviário e interagirem com a máxima segurança e civismo, ou continuar a lamentar as centenas de mortos e feridos graves que ocorrem nas estradas portuguesas?