Escolas de condução, capital sem competência

Escolas de condução, capital sem competência

Quando olhamos para a formação de novos condutores, temos de o fazer com os olhos postos nas escolas de condução e nos seus profissionais. Os dois funcionam, um dependente do outro, ainda que haja muita gente que pense que um não necessita do outro para funcionar. Uma espécie de engrenagem onde a falta de um não deixa que a máquina desenvolva a sua função.

Nos anos 80, a força de meia dúzia de capitalistas fez força para que as normas que regulamentam o funcionamento das escolas de condução sofresse alterações profundas. Deste modo, deixaram de existir os “Instrutores por conta própria” e passaram a ser as escolas de condução, enquanto empresas, as detentoras do ensino automóvel.

 A realidade do ensino de condução automóvel

O ensino da condução automóvel é uma arte que permite, se bem executada, que se formem futuros condutores numa perspetiva de prevenção e segurança rodoviárias global, com comportamentos adequados ao tráfego rodoviário, respeitosos e respeitáveis.

Acontece que uma carta de condução tem custos elevados para uma escola de condução, o que faz com que o preço que ela é negociada seja, também ele, elevado. Elevado, essencialmente para os clientes das escolas de condução.

Este custo deve ser avaliado tendo em atenção não apenas os custos directos, como por exemplo combustíveis, pneus, taxas, etc…, mas também custos indirectos, como seja o aluguer do espaço onde a escola de condução está instalada, entre outros.

Uma vez que as escolas de condução têm de dispor de determinados espaços, isso faz com que muitas vezes seja necessário instalá-la em locais mais amplos, logo mais caros. Muitas são as escolas de condução que dispõem de secretarias espaçosas, salas de aulas enormes, com capacidade para bastantes alunos, salas de espera muito amplas.

Se nos anos 80 e 90 os alunos abundavam nas escolas de condução, havendo sim, necessidade de salas amplas, por vezes mais do que uma, hoje a realidade é bem diferente. Os alunos são em menor número, foram emitidos mais alvarás, ou seja, menos alunos por escola de condução.

A mudança que alteraria tudo

Nas décadas de 80 e 90, essencialmente, o negócio das escolas de condução foi enorme. Muitos alunos, poucas escolas de condução, muito trabalho localizado, muitos profissionais do sector nessas mesmas escolas de condução que, como proprietários, tinham pessoas com capital para investir.

Hoje, depois de nos meados da década de 2000 se terem atribuído alguns alvarás para a abertura de novas escolas de condução, alguns foram os profissionais que conseguiram encontrar parceiros investidores e abriram as suas próprias escolas de condução. No entanto, muitos outros existem, bons profissionais, que não conseguindo, ficaram prisioneiros dos capitais mais antigos.

Se houvesse uma alteração profunda à legislação, conseguia-se diminuir os custos inerentes à aquisição de carta de condução. Se a figura do “Instrutor por conta própria” voltasse, conseguiria-se garantir uma maior qualidade no ensino da condução automóvel, uma vez que os profissionais com reconhecida competência deixariam de ser “reféns” do capitalismo e dessa forma prestar um melhor serviço.

Nas escolas de condução não faz falta a “Sala do Diretor“. As salas de ensino teórico não necessitam de mais de dez lugares sentados, uma vez que muito poucas são as que conseguem ter esse número de formandos em simultâneo.

Quando cada vez mais se fala em segurança rodoviária, deve-se procurar permitir que excelentes profissionais possam, através dos seus parcos recursos, criar a sua própria empresa, exequível, enquadrada com a realidade, fiável e operacional. Olhamos escolas de condução grandes em tamanho, mas pequenas em qualidade de serviço prestado e de formação.

Foto¦ Leon Hart