Escolas de condução, falência anunciada (2)

Escolas de condução, falência anunciada

O actual regime jurídico de escolas de condução prevê que a formação de um candidato à obtenção de carta de condução da categoria “B” frequente, com aproveitamento, o que é sempre muito relativo, 28 lições teóricas e 32 lições práticas, estas últimas de 50 minutos cada.

Sabendo-se da dificuldade em respeitar, a rigor, esse tempo de 50 minutos, não será considerada lição prestada se apenas forem ministrados 49 minutos. Acontece que essa contabilidade é de todo impossível, a não ser que cada viatura tenha um sistema de registo dos tempos de condução.

 Uma formação sem prazo

Com o novo RJEC, este problema deixa de o ser, uma vez que não haverá número de lições práticas, nem tempos mínimos por lição. Deixa de existir o individual e passam a existir dois campos globais; duração e distância, podendo estas serem sub-divididas em quantas vezes a escola de condução e/ ou o formando assim o entenderem.

Se é verdade que desde o minuto 1 até ao minuto 1020 é sempre a somar minutos, poderá esta formação anárquica ser considerada contínua na sua essência? Contribuirá em alguma coisa para uma melhoria rodoviária que se anseia? A mim parece-me que não!  Assim como sei que o formando não irá apreender regras e conceitos de boa conduta rodoviária, básicos ou complexos, educação ou métodos de prevenção.

Com a dificuldade que as escolas de condução cada vez mais têm para angariar clientes, e sabendo que irão tentar seduzir os candidatos a condutores com estratagemas manhosos, esses sim, não fiscalizados, destruindo a qualidade da formação, já ela, em muitos casos, mediucre.

O resultado final será uma quantidade de novos condutores mal formados, técnica e moralmente, uma série de escolas de condução falidas e encerradas, um IMT não funcional e a taxa de sinistralidade rodoviária a aumentar, a não ser que os números sejam ardilosamente manipulados.

Foto¦ Frank Vincentz