Exercício físico e seus efeitos na condução

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A condução é uma atividade que exige coordenação motora, reconhecimento do meio envolvente, capacidade de análise, ser capaz de enquadrar as regras e leis às situações encontradas, ter um raciocínio rápido e uma execução adequada das manobras, senão colocamos a nossa segurança em risco, assim como a de quem nos acompanha e dos outros utentes das vias por onde circulamos. Por isso vejamos o exercício físico e seus efeitos na condução.

Para podermos ser bem-sucedidos nesta atividade é necessário estarmos bem. O estar bem significa bem psicologicamente e fisicamente, se a nível mental a análise é um pouco mais complicada de fazer, especialmente uma autoanálise, a nível físico geralmente conseguimos aferir o nosso estado geral com relativa facilidade e a partir daí decidir adequadamente.


Quando praticamos exercício físico estamos a trabalhar para melhorar, ou manter, a nossa saúde e bem estar físico, porém não podemos esquecer que nos momentos imediatamente seguintes a grandes esforços físicos o corpo está debilitado, pois foi sujeito a grande desgaste.

Para pensarmos em voltar a ficar bem temos de ter em atenção diversos fatores, o nosso corpo tem diferentes formas de utilizar a energia, para saber como repô-la temos em primeiro lugar de saber qual foi a rota metabólica que utilizamos durante a atividade, se foi uma rotina aeróbica ou anaeróbica.

Exercicios aeróbicos ou anaeróbicos?

Os exercícios aeróbicos, aqueles que conseguimos executar de forma continuada por um período prolongado, como por exemplo a natação ou ciclismo, todos os que são praticados de forma moderada por um tempo longo, o mais conhecido são as caminhadas e até corridas breves e pouco intensas, estas são atividades que utilizam os hidratos de carbono e a gordura como fonte de energia principal.

Quando falamos de atividades anaeróbicas, como o trabalho de força ou hipertrofia muscular, utilizamos outras rotas metabólicas onde a intensidade do trabalho necessita de fontes rápidas de energia como a creatina e o hidratos de carbono, em muitos casos está armazenado na forma de glicogênio.

A recuperação nestes casos, depende da circulação sanguínea adequada após o esforço. O sangue precisa transportar nutrientes adequados o mais rápido possível e alguns estudos demonstram a importância da adequada circulação sanguínea, com boa capacidade de transporte de oxigénio, para que isto ocorra. Um sumo de espinafre ou aipo ou beterraba crua, após a atividade física pode ajudar.

Basicamente a diferença entre a rotina aeróbica e a anaeróbica é que na aeróbica, como a intensidade do esforço não é tão alta, não há uma produção tão grande de piruvatos. Portanto, não ocorre a saturação da capacidade mitocondrial de absorção, ocasionando uma menor produção de ácido lático.

Explicando de forma simples, o ácido lático é o responsável pela informação de cansaço que os músculos enviam ao corpo, a sensação de fadiga que surge após os exercícios, a recuperação plena após o desgaste físico implica a remoção desse ácido tanto do sangue quanto dos músculos esqueléticos que estiveram ativos.

O período posterior ao exercício é chamado de fase de recuperação, é o momento em que o corpo retorna o equilíbrio em que estava antes do exercício. A recuperação não é igual para todos, nem possui uma duração definida, podendo ser dividida em três fases: imediata (primeiros minutos de descanso após a atividade), alongada (durante algumas horas seguintes) e continuada (ao longo da próxima sessão de treino).

Restaurar o equilíbrio

A hidratação é essencial para restaurar o equilíbrio hidro-eletrolítico, do qual depende o funcionamento de praticamente todas as células do nosso corpo. Uma hidratação insuficiente após o treino pode levar o praticante a ficar com níveis deficientes de água e eletrólitos, situação que será piorada com a prática da atividade, mesmo que ligeira, e pode gerar um ciclo vicioso extremamente prejudicial.

A reposição de energia no corpo também é de extrema importância, pelo que é aconselhável ingerir algum alimento após o treino, fruta e um pouco de proteínas, são as mais indicadas, a nível das proteínas pode optar por algo com pouca gordura, como peito de frango ou perú.

Por fim, o sono de qualidade e com duração adequada, se possível 8 horas por noite, possui duas ações sobre a recuperação, a primeira é a conservação de energia, uma vez que o metabolismo diminui bastante durante o sono e a segunda é a restauração corporal, já que durante o sono ocorre a liberação de hormonas, que favorecem a atividade anabólica do corpo.

Em relação ao sono e ao descanso em geral, estes possuem a função de recuperar as funções cognitivas, como por exemplo restauramos o grau de concentração e a nossa capacidade de tomada de decisões, essenciais para uma condução segura.

Não julgue que só o treino físico especifico, como o feito em ginásio ou especifico da prática de desporto está enquadrado nestes parâmetros, veja o esforço físico despendido quando ajuda a carregar móveis ou quando pratica atividades sexuais.

Em resumo, cada atividade física, em especial as de grande desgaste, provocam diferentes necessidades e adaptações no metabolismo que devem ser consideradas na hora de conduzir.

Foto | Patrick Dep