Farto de ouvir falar de condução defensiva?

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Conduzir um veículo é relativamente fácil, o que realmente é difícil é conduzir com sabedoria, ou como se lê em tudo o que é literatura sobre condução, de forma defensiva. Devido ao insistir nesta frase ela encontra-se algo desgastada, pelo que muita gente acredita ser algo desnecessário de insistir, pois já todos sabem que o devem fazer e que tendo essa atitude ao volante reduz as probabilidades de se envolverem em acidentes.

Se acha que ler pode ser uma forma de relembrar algo que sabe mas pode estar esquecido, faça-o, não parta do princípio que um tema muito falado deixa de fazer sentido ou ter lugar na comunicação, se assim fosse as empresas não faziam anúncios publicitários, afinal você já havia falado delas pelo menos uma vez.

Condução defensiva não é nada mais do que uma forma de conduzir que permite ao condutor antecipar as situações de risco, evitá-las ou pelo menos se distanciar delas, preservando sua segurança, a dos passageiros e do veículo que conduz.
Os acidentes não acontecem por acaso, obra do destino ou por mero azar. Na maioria absoluta das ocorrências, a falha é humana. Vale lembrar, também, que quase toda ocorrência trágica, quando previsível, é evitável e deveríamos fazer tudo para que efectivamente não ocorresse.

Evolução dos veículos

Com a evolução tecnológica as viaturas sofreram um incremento de segurança, desde a capacidade de evitar acidentes com melhores componentes, como travões, suspensão e pneus, como com uma estrutura que está programada para ceder de determinada forma aquando de um embate, sendo ajudado por mecanismos de retenção do corpo do condutor e ocupantes cada vez mais eficazes.

As próximas grandes evoluções são os sistemas que previnem os acidentes de acontecerem, em vez de minimizar só os efeitos a deteção de obstáculos e travagem autónoma já está em força, agora a comunicação entre veículos permitirá evitar choques entre eles.

Tudo muito bonito e simples se não for esquecido algo básico e fundamental como a manutenção preventiva do veículo. Para fazer uma correta manutenção é necessário algo mais do que aquilo que o seu mecânico faz, além da substituição de peças de desgaste, filtros e fluídos, convém você se lembrar de verificar a pressão dos pneus e adequa-la às condições de circulação da viatura em determinado momento, seguindo as indicações do fabricante.

Dentro do habitáculo

A posição de condução deve ser confortável, mas com acesso a todos os comandos essenciais e permitir efetuar manobras com rapidez e segurança, braços e pernas devem ligeiramente dobrados, corpo encostado no assento e encosto com ângulo próximo a 90 graus e encosto de cabeça na altura dos olhos do condutor.

Todos devem usar cinto de segurança, sem exceção. Sem ele, por exemplo, passageiros do banco de trás poderão ricochetear no interior do veículo, causar ferimentos nos que vão à frente ou serem lançados para fora do veículo.

As crianças deverão ser colocadas no banco traseiro, acomodadas em cadeirinhas de acordo com sua altura e peso. Acima de tudo devem viajar permanentemente presas pelo cinto de segurança e não só quando a mãe (ou o pai) grita para a criancinha: “Olha a polícia! Põe o cinto!” Deixando-os soltos dentro do carro o resto do tempo, por não terem paciência para os convencer a ficarem corretamente instalados, em caso de acidente… Paciência! Assumam as consequências.

Ao volante

Sempre que conduz deve evitar travagens e manobras bruscas, e deve sempre sinalizar os movimentos, como por exemplo, mudanças de direção ou de faixa. Parece óbvio, mas quando conduzem, muitos esquecem de ligar o pisca e correm o risco de sofrerem um embate na traseira.

Ver e ser visto é uma das frases mais utilizadas na condução, logo quando mais se consegue ver em volta do veículo menor é o perigo. Os três retrovisores devem estar em posição que o condutor não tenha que virar muito a cabeça para vê-los, devendo mostrar a área posterior ao veículo e alguma área lateral junto à traseira do mesmo.

Telemóveis que tocam ou vibram assinalando chamadas, mensagens ou interações de páginas sociais, e até o sistema de som, ou entretenimento, do carro ligados reduzem a concentração. O melhor é desligar o telefone e não ouvir o som muito alto. São coisas simples que fazem uma enorme diferença.

Todos sabemos que para sermos bons em algo temos que treinar, fazendo com que sejam dadas respostas automáticas a determinadas situações. Muitas vezes, por exemplo, desviar de um obstáculo é melhor que frear diante dele. Racionalize essas situações e treine para reagir assim.

A 100km/h um veículo percorre 30 metros por segundo. Esse é o tempo e espaço para perceber um problema, identificá-lo e reagir a ele. É pouco tempo. A solução é manter a uma maior distância dos outros veículos. Usar a regra dos dois segundos pode ser uma boa sugestão, deverá deixar estes 2 segundos como tempo mínimo entre a passagem do veículo que vai à sua frente e a do seu veículo, e assim, para manter alguma margem de manobra no caso de algum imprevisto acontecer ao veículo que o precede.

Intoxicações e limites

A condução sob a influência de bebidas alcoólicas, ou outras drogas, legais ou não, é meio caminho andado para o acidente. Álcool e droga nem é preciso explicar, mas caso tome alguma medicação leia atentamente a bula (o papelinho que atrapalha dentro da caixinha) especialmente se afeta a condução ou operação de maquinaria, já agora aproveite e verifique se provoca sonolência.

Conduzir em ziguezague, ultrapassar pela direita, seguir pela berma nos congestionamentos, andar colado ao veículo da frente e fazer “guerra” de faróis à noite são atitudes que abrem caminho para os acidentes. Não aja dessa forma, está a contribuir para é evitar tragédias.

As indicações de limite de velocidade não são colocadas à toa, já agora esteja atento à sinalização que define limites de peso e altura, para não ser surprendido. Obedecer à sinalização é conduzir defensivamente. No piso molhado o atrito dos pneus é reduzido, diminui a aderência nas curvas e o espaço necessário para as travagens aumenta. Além disso, a aquaplanagem acontece mesmo a velocidades baixas, especialmente nos carros mais leves. Esteja atento a lençóis de água a atravessar a faixa de rodagem.

Nas descidas, em caso de dúvida, use a mesma velocidade que usaria para descer, nos topos das subidas é impossível ver a continuação da estrada e possíveis obstáculos ou veículos, então, reduza um pouco a velocidade que circula para evitar surpresas. O mesmo vale para a entrada de túneis, neste caso pela diferença de luminosidade.

Farto de ouvir falar de condução defensiva? Também existem muitos fartos de ouvir alguns condutores falarem que sabem tudo sobre condução, mas só na teoria, porque na prática ou não sabem, ou não praticam. Há quanto tempo não faz um curso de reciclagem numa escola de condução defensiva?

Foto | John Greenfield