Imprudência é causa de quase 90% dos acidentes com motos

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Quase 90% dos acidentes que envolvem motos são resultado da falta de cuidado dos condutores, aponta pesquisa divulgada pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia (IOT) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. “[A principal causa] é o comportamento, a falta de perceção de risco. Conduzir uma moto tem consequências e quem paga o preço é o motociclista, que é a principal vítima. Isso ficou muito claro”, avaliou a médica Júlia Maria Greve, coordenadora da pesquisa.

Os dados mostram que, quando o acidente é causado por motociclistas, 88% ocorrem por imprudência. No caso de se tratar de automóveis, a imprudência é responsável por 84% dos acidentes. A Dra. Júlia Maria avalia que esse resultado mostra a falta de preparação de condutores em geral para enfrentar o trânsito congestionado das grandes cidades. “É preciso dar maior ênfase à questão da segurança, à condução defensiva e ao tema da utilização compartilhada das vias”, propôs.

Este estudo foi feito com base em informações de 326 vítimas atendidas em hospitais da zona oeste da cidade de São Paulo, num intervalo de três meses, e cujo resultado serve de amostra para a capital. É verdade que não estamos a tratar de dados portugueses mas ainda assim podemos ter uma ideia. Quanto à responsabilidade dos acidentes, observou-se uma relação equitativa: 49% foram provocados por motociclistas e 51% por outros condutores.

A coordenadora do trabalho chama a atenção para o facto de que 21% dos condutores estavam sob efeito de substâncias psicotrópicas no momento do acidente. Exames laboratoriais mostram que, em cada cinco feridos, um consumiu drogas ou álcool antes de conduzir.

Além dos investimentos nos aspetos humanos, que incentivem uma postura defensiva por parte dos motociclistas e demais condutores, A Dra Júlia Maria aposta em mudanças na construção das vias e melhorias nos transportes públicos. Propõe, por exemplo, restringir a passagem de motos em vias de alta velocidade e, por outro lado, dar preferência às motorizadas em vias de menor velocidade.