No trânsito caótico da cidade sou rei

No trânsito caótico da cidade sou rei

Oito e pouco da manhã e o trânsito na cidade começa a fazer sentir-se num estado que se encaminha para o caótico. As regras já há muito foram esquecidas e as linhas que regulam as filas de tráfego já não assumem a sua operacionalidade; os condutores buscam pontos de fuga que lhes proporcione caminhar alguns centímetros mais.

O tempo avança, a fila não. O tempo esgota-se, para quem tem de respeitar horários, busca um espaço para estacionar ou simplesmente não tem paciência para multidões e congestionamentos. O espaço de circulação não existe, no entanto, lá bem no meio, está o rei. O rei sem reino, sem cautela, sem guerreiros, mas com muita determinação.

Um rei sem reino mas que deseja reinar

O relógio marca agora as nove horas da manhã e a fila não avança. Uma fila teimosamente parada que insiste em bloquear quem está com pressa. Pensando ser superior aos demais, o rei do trânsito fura a multidão ao volante da sua viatura, sem olhar a quem ou a quê.

Utiliza o seu veículo como se de um cavalo branco, elegante, astuto e ágil se tratasse, numa conquista de terreno aos mouros, galgando por espaços proibidos e buzinando, gesticulando e esgrimindo argumentos que só ele entende e desta forma coloca em perigo todos os que, em seu redor, tal como ele, anseiam o transporte molecular.

E no meio da multidão esse rei é um anonimo sem regras, um ser sem certezas, um perigo eminente para os demais elementos. No meio desse trânsito, esse rei faz-se, muitas vezes ver através de luzes de cor celeste, tantas outras vezes abusivamente, sem exemplo a verificar ou razão a apoiar.

O relógio já parou, por que o rei já passou. Esse relógio que mais tarde irá marcar, novamente, mais um turbilhão de ideias, vontades, irregularidades, vontades de vencer um espaço só por si já perdido.

No trânsito não somos reis; no trânsito teremos sempre que respeitar o próximo… sempre respeitar o próximo!

Foto¦ JE