Partilhar a via com ciclistas: bons hábitos para evitar incidentes

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A bicicleta tornou-se num meio de transporte utilizado por um grande número de pessoas. Não só para o lazer e desporto, mas também para os habituais deslocamentos entre casa e trabalho. Por isso, cada vez são mais as cidades portuguesas que contam com opções de aluguer de bicicletas (bikesharing).

Este aumento do número de ciclistas em zonas urbanas faz com que também cresçam os riscos e incidentes com os veículos de quatro rodas e com o resto dos utilizadores. E mais quando os ciclistas saem da cidade e circulam pela estrada.

Parece que as infraestruturas rodoviárias de muitas cidades não são suficientes ou não estão adaptadas para a circulação segura de ambas as formas de mobilidade. Contudo, o problema é a convivência e, portanto, a formação, educação e informação das partes envolvidas. O que podemos fazer?

Os ciclistas são altamente vulneráveis

Os ciclistas, devido à vulnerabilidade, têm maior probabilidade de se verem implicados num acidente na estrada. Mortos ou feridos resultantes desse acidente também é uma possibilidade grande de acontecer. Por isso, neste artigo queremos deixar alguns conselhos para compartilhar o espaço entre condutores de carros e de bicicletas. Definitivamente, é preciso criar bons hábitos para evitar acidentes.

As ultrapassagens, fator de risco

Ao ultrapassar ciclistas é preciso deixar no mínimo uma distância de segurança lateral de 1,5m. Isto é especialmente importante caso circulemos com veículos de grandes dimensões. Assim evitamos golpes de ar que possam desestabilizar o ciclista.

Por outro lado, não se deve iniciar ou continuar uma ultrapassagem caso veja que vem um ciclista ou um grupo de ciclistas em sentido contrário. Procure evitar as zonas de incerteza no espaço lateral. Quer isto dizer, por exemplo, quando circulamos em cidade, não é raro que a porta de um veículo parado se abra repentinamente.

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Também não é estranho que um ciclista ou um motorista façam uma manobra para se desviar de uma deficiência no piso. São muitas as situações em que o espaço lateral de um condutor pode ser invadido, implicando um claro risco de colisão.

Tratar das zonas de lazer

É importante ter em conta que nas épocas do chamado bom tempo, e sobretudo nos fins de semana, é mais provável encontrar-se com ciclistas nas vias interurbanas. O bom tempo leva a desfrutar do ar livre e, portanto, aumenta a mobilidade dos ciclistas.

O mesmo acontece em urbanizações e estradas relativamente isoladas, como as zonas de lazer. É muito provável que irrompam ciclistas na via, incluindo menores de idade que não passaram por um exame teórico de condução.

Se, além isso, reparar que o ciclista leva um passageiro, deve aumentar a precaução. Nesse caso, a instabilidade da bicicleta é maior e pode dar lugar a quedas ou movimentos bruscos.

Apitar pode causar um acidente

Atenção aos sinais acústicos. Se tiver de os fazer, que sejam à distância. Os apitos podem assustar os ciclistas e fazê-los perder o equilíbrio. Nestes casos há que pensar que os ciclistas podem deslocar-se bruscamente para o interior da estrada, consequência contrária à que nos esperamos. O ciclista não necessita de ser avisado de que vai ser ultrapassado. Basta respeitar o seu espaço.

Como circulo em rotundas, se houver ciclistas?

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Quando um condutor, ao entrar numa rotunda, se cruza com um grupo de ciclistas, deve ceder a passagem a todos eles, como se fossem um único veículo ou um camião com reboque. Além disso, circulando numa rotunda com ciclistas devemos moderar a velocidade.

Especial cuidado à chuva

Perante situações meteorológicas adversas, como a chuva, há que aumentar as precauções. A bicicleta é um veículo relativamente instável. O mesmo conselho para zonas de má visibilidade ou rotas ciclistas. E se formos nós os ciclistas?

Os ciclistas devem levar alguma parte do vestuário com refletor, que permita aos condutores e utilizadores da estrada distingui-los a 150m, caso circulem numa via interurbana. Pode salvar-nos a vida.

Já falámos do especial cuidado que é preciso ter da parte do condutor do veículo a motor, mas e se for um ciclista? Devemos recordar que as bicicletas devem circular na estrada e regem-se pelas mesmas normas que os restantes veículos, sempre que não exista uma via habilitada para os velocípedes.

Se a nossa rota se cruzar com uma passadeira, teremos que descer da bicicleta. Ou seja, transformamo-nos num peão durante os metros que forem necessários. Como conselho, ter um espelho retrovisor (e capacete, claro) para o circuito de estrada.

Ter em conta encostas e aproximações

Como condutores, temos de ter em conta o esforço ciclista em subidas acentuadas. Este pode provocar trajetórias oscilantes, o que torna a situação especialmente perigosa. Além disso, em zonas mais estreitas ou pontes, é previsível que o ciclista se chegue mais para o interior da via de trânsito, ao invés de circular mais à direita.

Ao circular, devemos ter espaços de segurança em redor do veículo que garantam tempo suficiente de reação e caso de necessidade. Por exemplo, evitar as colisões por alcance. Sobretudo, é necessário respeitar o resto dos condutores.

Imagens | Steve Rhodes, Revista DGT, Max Bender

Fonte: CirculaSeguro.com