Plano ecológico europeu impõe limite de CO2

Chassis em carbono do BMW i3

Chassis em carbono do BMW i3

A União Europeia(UE) tem em vigor um plano de redução de emissões poluente para os novos carros vendidos nos seus estados-membros, o plano ecológico europeu impõe um limite de CO2, para 2020 o valor será de 95 gramas por quilómetro percorrido.

Este limite coloca os construtores perante um desafio muito grande, pois para alcança-lo é necessário um investimento em novas tecnologias, não só em termos de motores mas também na própria cosntrução dos veículos, pois para alcançar tais metas a massa dos veículos deverá forçosamente baixar.

Menos CO2, menos consome

A baixa de CO2 tem um efeito direto que é a baixa do consumo, pois, de forma simplista, se menos combustível for enviado para o motor menos gases serão produzidos, é também uma forma de se procurar efetuar mais ciclos de funcionamento do motor com a chamada mistura pobre.

A medida dos 95gr/km em termos de consumo significará um consumo de 4 litros aos 100 km’s para motores a gasolina e 3,6 para motores a gasóleo, alguns modelos já atingem esses valores mas em 2020 deverá ser a média de todos os modelos de um fabricante, ou de um grupo de marcas, pois agora a estratégia é juntar-se com quem tem carros menos poluentes.

E os valores são reais?

Quando lemos informações sobre um carro novo ficamos com a impressão que cada vez que sai um modelo os valores que os fabricantes anunciam para a poluição e consequentemente para o consumo, são cada vez mais baixos. Mas quando vamos testar os consumos a realidade nem sempre é tão baixa quanto as marcas anunciam.

Isso acontece porque as marcas estão a aproveitar uma incoerência das entidades reguladoras, as formulas usadas para as homologações são já algo antiquadas e apresentam algumas deficiências nos valores apurados.

A UE e o “Alto Comissariado para o Transporte Limpo” chegaram à conclusão que as marcas apresentam consumos reais superiores, em média, de cerca de 25% em relação aos homologados oficialmente, isto após testes nos laboratórios holandeses da TNO.

Num futuro não muito distante deverão existir novidades na formula de cálculo, de forma a tornar mais reais os valores que as marcas anunciam e que acabam sendo um fator de venda muito importante, pois altera de forma significativa o custo de utilização de cada viatura.

Regras ecológicas agitarão o mercado

As vendas na Europa estão a recuperar lentamente da queda que tem sofrido nos últimos anos, é uma recuperação mais pela necessidade de substítuir os carros que chegaram ao fim de vida, do que uma mudança devido ao interesse do proprietário em mudar para algo novo e melhor.

Com esta nova regulamentação a prespetiva de evolução das vendas não é muito favorável, pois o valor de venda das viaturas deverá sofrer um acréscimo, derivado da introdução de novas tecnologias na gestão dos motores, da necessidade de tornar híbridos alguns modelos e de mudar os materiais com que são construídos os carros, optando por cada vez mais ligas metálicas exóticas mais leves e muita fibra de carbono.

Mesmo assim as vendas estão recuperando ainda que de forma lenta, e as marcas estão se preparando para a nova regulamentação que a UE lhe impôs, o novo limite de 95 gr/km, implica que terão que adequar os veículos novos a esses limites, não individualmente mas em média como marca, ou grupo de marcas.

Mas comecemos por analisar os valores médios de CO2 do mercado europeu e a sua evolução, em 2007 a média de emissões das viaturas novas vendidas foi de 164,9 gr/km, no ano transato esse valor desceu para 128,3 gr/km.

Até este ano as marcas tiveram como incentivo um limite em função do peso, ou massa, da viatura que em 2012 colocava como máximo para viaturas de 1.100kgs o valor de 118 gr/km e para viaturas de 1.600 kgs as 140 gr/km de CO2. Em 2015 esse limite será de 130 gr/km para todas as viaturas.

O apertar dos limites

Aparentemente ter uma média de 128,3 em 2013 e ter um limite de 130 em 2015 pode parecer uma meta pouco ambiciosa, porém se analisar as marcas consideradas “premium”, ou de luxo, tem um problema, os seus modelos são, geralmente, maiores, mais pesados, logo com mais consumos e também com mais emissões.

A solução passa pelos construtores que terão que aligeirar os futuros modelos e colocar motores mais eficientes, para além dos truques antigos já utilizados, como por exemplo relações de caixa mais longas para baixar consumos e outras programações de centralinas mais focadas na baixa dos consumos.

Porém um veículo de luxo de quase 5 metros mesmo com o chassis construído integralmente em alumínio, como o Audi A8, pesa ainda uns nada fáceis de digerir 1.800kgs, para esses modelos avantajados a única solução será a passagem a híbrido, pois só com a introdução de nova tecnologia será possível alcançar os valores pretendidos pela UE.

As marcas estão a optar por criar alguns modelos “premium” pequenos, logo mais ecológicos e menos poluentes, os exemplos são vários, o BMW Serie 1 e o novo i3, o Mercedes Classe A e o Audi A1. Analisando as vendas em Portugal estes modelos estão a ter sucesso entre nós, pois acabam proporcionando o acesso a marcas antes fora do alcance do bolso da média dos portugueses.

Este aparente sucesso destes modelos leva a que marcas generalistas estejam a passar por dificuldades, pois o seu mercado, geralmente focado em viaturas pequenas, está a ser invadido por essas marcas que vieram de outros segmentos, que estão atualmente a abocanhar a venda dos seus modelos tradicionais.

Foto | Que carro escolho?