UE deve definir novos padrões de segurança para veículos para reduzir mortes infantis nas estradas

Mais de 8000 crianças entre os 0 e os 14 anos morreram em acidentes rodoviários nos últimos dez anos na União Europeia, revelam novos dados. Metade das crianças mortas eram transportadas em automóveis, um terço deslocava-se a pé e 13% utilizavam a bicicleta, de acordo com um relatório publicado hoje pelo Conselho Europeu de Segurança nos Transportes (ETSC).

Uma em cada 13 mortes de crianças na União Europeia ocorreu como resultado de um acidente rodoviário.
Espera-se que a Comissão Europeia anuncie uma atualização dos regulamentos de segurança dos veículos a 2 de maio de 2018, quase uma década após a última atualização. A UE está também a preparar uma estratégia de segurança rodoviária para os próximos dez anos.
O ETSC defende que medidas que podem reduzir o excesso de velocidade são fundamentais para prevenir a morte de mais crianças e pede que a UE exija a instalação de tecnologias de segurança nos veículos. O Limitador de Velocidade Inteligente (ISA) e a Travagem Automática de Emergência (AEB) são exemplos de tecnologias que podem detetar peões e ciclistas que deveriam ser instalados de série em todos os novos veículos.

Antonio Avenoso, Diretor-Executivo do ETSC afirma:

Tecnologias de segurança inteligentes, económicas e comprovadas, como a Travagem Automática de Emergência e o Limitador de Velocidade Inteligente, podem ser tão importantes para salvar vidas de crianças como o cinto de segurança. Mas a real mudança só virá quando, assim como com os cintos de segurança, essas tecnologias forem instaladas em todos os carros como padrão, e não como um extra opcional em alguns veículos selecionados. Não passa um dia sem que um político ou um fabricante de automóveis prometa que os veículos autónomos resolverão o problema da segurança rodoviária. Mas até esse dia chegar, ainda estarão décadas por vir. Até 2030, talvez já existam alguns milhões de carros autónomos nas estradas do mundo, em comparação com mais de um bilhão de outros veículos, muitos dos quais serão aqueles que deixam as fábricas este ano. Existe um grave risco de os governos ignorarem os enormes benefícios para a segurança que podem ser alcançados hoje, através da instalação de tecnologias de assistência ao condutor comprovadas“.

O relatório mostra ainda que a não utilização, inadequação ou instalação incorreta dos sistemas de retenção de crianças continuam a ser um problema significativo na UE. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, os sistemas de retenção, instalados e usados de forma correcta, reduzem até 80% a probabilidade de morte na estrada. O ETSC requer uma melhor educação, maior fiscalização e redução do IVA nos sistemas de retenção para crianças – permitido pela legislação da UE, mas até agora só implementado pela Croácia, Chipre, Polónia, Portugal e Reino Unido. O ETSC pede também que os Estados-Membros da UE introduzam zonas com velocidade máxima de 30 km/h em áreas com elevada presença de peões e ciclistas e em zonas de escolas.
Os dados mostram que a Suécia tem a menor taxa de mortalidade rodoviária infantil da União Europeia. No outro extremo, as crianças na Roménia têm sete vezes mais probabilidades de morrer num acidente rodoviário.
Alguns países da UE também reduziram a mortalidade rodoviária infantil mais rapidamente do que outros durante a última década, incluindo a Hungria, Croácia, Grécia, Portugal, Holanda, Espanha e Reino Unido em particular.

Fonte: ESTC