Como marcas e apps classificam os condutores

 

Com a panóplia de apps existentes, com a facilidade com que os utilizadores lhes dão acesso a informação sobre a sua própria localização geográfica e acesso a envio de dados para “melhoria da experiência” com os gadget’s, os criadores de aplicações estão a elaborar rankings da qualidade dos seus utilizadores.

As marcas de automóveis aparentemente também servem para saber quem conduz e quem não o faz. Os outros condutores tem expetativas consoante a marca do carro que conduz. Outros serviços associados, como por exemplo seguros, também tem interesse neste tipo de informações, pois interessa segurar um individuo que representa pouco risco e não um que represente um risco elevado. Saiba como marcas e apps classificam os condutores.

”Diz-me que marca conduzes…”

Algumas pessoas dizem que basta saber qual a marca do carro que o outro conduz para saber a personalidade dele. Será verdade? Será que inconscientemente cada condutor escolhe uma marca pelos valores que ela representa par aos outros? Será que o ditado “Diz-me que marca conduzes, que dir-te-ei que tipo de condutor és” é verdadeiro?

A app Easypark, aplicação de procura de estacionamentos, e a empresa de estudos de mercado YouGov, divulgaram um estudo que conclui quais são as marcas de automóveis que os condutores mais seguros conduzem. Este estudo teve como base o mercado espanhol e chegou à conclusão que os melhores condutores conduzem um Volkswagen. Do total de respostas obtidas, 30% indicaram os condutores da Volkswagen como sendo os mais seguros na sua condução que praticam. Nos lugares imediatamente seguintes estão os condutores de veículos da Toyota, Renault, Peugeot e Ford.

Da mesma forma classificou os piores condutores, chegando à conclusão que os piores conduzem um Kia ou um SEAT. Naturalmente que não se pode confundir a árvore com a floresta e mesmo que a maioria dos melhores, ou os piores condutores, sejam das marcas referidas existem sempre exceções. Alguns conduzem bem e circulam com um carro da marca que é indicada como sendo contrário à qualidade do condutor.

App classifica os condutores

A conhecida aplicação Waze, classifica os condutores que a utilizam, para tal faz uma ponderação com diversos items. Faz uma média entre a avaliação do tráfego, a segurança na estrada, qual a classificação atribuída pelos condutores, a classificação dos serviços, um ranking de qualidade, classificação sócia económica e a classificação Wazey.

Esta classificação naturalmente limita-se aos utilizadores da app, porém como é muito usada, podemos ver os resultados, quanto mais não seja por pura curiosidade. Assim, esta aplicação, dedicada à condução, fez uma lista com os países que têm os melhores condutores com Waze. A lista estava assim ordenada em 2016:

1 – Holanda;
2 – França;
3 – Estados Unidos da América;
4 – República Checa;
5 – Suécia;
6 – Emirados Árabes Unidos;
7 – Lituánia;
8 – Hungria;
9 – Eslováquia;
10 – Itália;
11 – Espanha;
12 – Bélgica;
13 – Porto Rico;
14 – Austrália;
15 – Portugal.

Portugal ficou um pouco acima do meio da tabela, por curiosidade, foram 38 países os “classificados”. Independentemente de ser uma amostra de parte da população, temos muito onde evoluir.

Piores zonas metropolitanas para conduzir

Além dos países a app também classifica por áreas metropolitanas, neste caso vejamos o oposto, quais as 10 piores cidades e respetivas áreas urbanas no mundo:

San Salvador, El Salvador (2.1);
Cali, Colômbia (2.6);
Medellín, Colômbia (2.7);
Denpasar, Indonésia (2.8);
Guatemala City, Guatemala (3);
Bandung, Indonésia (3);
Bucaramanga, Colômbia (3.1);
Caracas, Venezuela (3.1);
Bogor, Indonésia (3.1);
Bogotá, Colômbia (3.4).

Por isso quando estiver preso no transito a reclamar do tempo que está a perder, lembre-se, na Colômbia deve ser bem pior. Este país colocou 4 cidades no Top10 das piores áreas metropolitanas para conduzir. Mas se observarmos os países, constatamos que 7 das cidades são da América do Sul e as outras 3 são da Indonésia, na Ásia.

As condições de circulação dependem das infraestruturas, da quantidade de veículos em circulação em determinado momento, mas também da forma que os outros condutores abordam a condução. E isso já depende, em parte, de nós deixarmo-nos afetar com isso. No caso português, podemos sair um pouco mais cedo para evitar os momentos de maiores engarrafamentos, com mais tempo para chegar ao destino a probabilidade de chegar tarde diminui, diminuindo também o stress do condutor.

App que incentiva a segurança

Existe uma app que analisa automaticamente o comportamento do condutor e “estimula” a condução defensiva durante o trajeto. A app chama-se Trekken, foi desenvolvida para aquelas pessoas que se preocupam em conduzir de forma correta.

A app fornece informações sobre o comportamento do condutor. Para tal analisa a forma como aborda as curvas, qual a sua aceleração e velocidade de circulação. Como curiosidade, ainda informa, se ele usou o telemóvel durante a viagem. Mas a grande vantagem do aplicativo é que estimula os condutores a conduzir com responsabilidade.

Para incentivar o uso e o “bom comportamento” atribui pontos pela prática de “boa condução” durante os trajetos, pontos esses que podem ser trocados por produtos, ou serviços, em empresas parceiras. A app é gratuita para condutores particulares e pago no caso de empresas, sendo esta uma forma de monitorizar o comportamento dos condutores das suas frotas.

Mais controlo, menos custo com o seguro

Uma empresa criada recentemente no ramo da área seguradora está a tentar abordar o negócio por uma nova perspetiva. A startup Thinkseg propõe-se a fazer a ponte entre empresas seguradoras e utilizadores dos serviços que estas vendem. Mas apresenta a inovação de individualizar cada segurado com um risco próprio, variável não pelo número de incidentes em que esteve envolvido, como era feito até agora. Mas pelo risco das suas ações na estrada no dia a dia.

Porém esta startup enfrenta vários desafios, pois encontra-se numa área de negócios muito conservadora. Mas os próprios dinamizadores sabem que existem desafios para conseguir implementar esta ideia. Um dos sócios-fundadores, André Gregori, pergunta “Para pagar menos seguro do seu carro, aceitaria que uma empresa monitorasse a forma que conduz, através de um aplicativo instalado em seu telemóvel?” Mas vai mais longe, “aceitaria que as suas publicações nas redes sociais fossem investigadas e analisadas com o mesmo fim?”

É este tipo de informação que a empresa pretende passar a corretores e seguradoras. “Queremos individualizar o utilizador por conta do risco que este apresenta”. Porém salvaguarda que “Se é um bom condutor, independentemente da classificação etária, ou social, ou da área da residência ele não tem de pagar a mais pelo seguro.” Mas resta saber se você aceitaria estas condições? Porque a contrapartida pode chegar a 40% de desconto no prémio de seguro a pagar.

Foto | Kallu