Os condutores e as passadeiras

Os condutores e as passadeiras

A Prevenção e Segurança Portuguesa desenvolveu, no passado mês de Outubro, um projecto que avaliou o desempenho dos condutores portugueses perante as passadeiras, assim como dos peões na sua utilização.

Sabendo-se que o comportamento dos utilizadores é um dos principais factores para a elevada taxa de sinistralidade, tornou-se importante para a instituição portuguesa perceber como actuam os condutores perante as passadeiras, assim como os peões na presença desses espaços a eles destinados.

Os valores que representam sinistralidade

Após a realização do projecto de observação, que se alargou para além da simples observação das passadeiras, foi efectuado o tratamento dos valores recolhidos e as conclusões são assustadoras e preocupantes, quando pensamos em segurança rodoviária.

Dos 2051 condutores observados a circularem próximo de passadeiras onde existiam peões para atravessar a faixa de rodagem, 25,4% não cederam passagem. Sabendo-se que o Código da Estrada determina que os peões devem dar inicio à travessia para que os condutores sejam obrigado a deter a marcha para os deixar passar, com esta percentagem de condutores que apresentam uma elevada falta de civismo, a taxa de atropelamento seria muito mais elevada.

2149 foram os peões observados que efectuaram a travessia da faixa de rodagem. Destes, 22% fez a travessia sem que utilizasse a ou as passadeiras que se encontravam na zona da travessia. Também aqui se percebe que a formação de base do comportamento seguro não existe.

Quando o projecto se direccionou para a observação do comportamento dos condutores perante a luz vermelha de paragem obrigatória do semáforo, 40% dos condutores de automóveis não respeitaram a imposição de parar, passando nos primeiros três segundos da cor vermelha. No entanto o valor agravou-se, para mais de 60%, quando se avaliou os condutores de veículos de duas rodas.

Condutores e passadeiras

 A interação e a segurança passiva

Dos 1242 condutores observados, 46,3% não utilizou o pisca quando efectuava a mudança de direcção. Sabendo-se da importância de comunicar com os outros utentes da via da nossa intenção de alterar a nossa trajectória, o facto de não o fazermos pode levar a que os outros exortem reacções que não se enquadram com a segurança.

Dos 1266 automóveis ligeiros observados pelo projecto, 10% apresentaram problemas com o sistema de iluminação ou sinalização, nomeadamente nas luzes de “Stop”, nos médios, nas luzes de presença atrás ou nos piscas.

Quando os observadores foram efectuar uma avaliação aos sistemas de retenção de passageiros, registaram que, dos 1618 pesados de passageiros, 77,9% não utilizavam o cinto de segurança e das crianças transportadas 45,8% não faziam uso desse sistema.

Estes são valores que nos devem fazer reflectir sobre o que realmente desejamos; se continuar a sermos um país de sinistralidade rodoviária elevada, com as consequências que dela advém, ou se queremos continuar a assobiar para o ar e fazer de conta que está tudo bem.

Foto¦ JN e CTH