Peões vitimas de acidentes rodoviários

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Todos sabemos que o grupo de intervenientes mais vulnerável do meio de circulação rodoviário são os peões. E são os peões porque fisicamente são mais frágeis, utilizam o meio rodoviário desde a sua existência e muito prematuramente sozinhos sem o apoio ou vigilância dos seus progenitores. Tal facto aumenta o risco, uma vez que as crianças são muito imprevisíveis e não dispõem de formação adequada.

No entanto, não são apenas as crianças que, no papel de peões, utilizam a via publica. Nem tão pouco é culpa dos peões os muitos acidentes que ocorrem envolvendo-os. É verdade que o desconhecimento das regras de segurança envolvendo peões é muitas vezes desprezada ou negligenciada pelos mesmos, não será menos verdade que muitos são os condutores que usam o poder da sua viatura para assumirem a sua prioridade.

Os números do relatório anual da ANSR

Pois bem, fomos olhar o relatório da ANSR – Autoridade Nacional da Segurança Rodoviária e verificar a sinistralidade rodoviária envolvendo peões. Os dados são alarmantes, uma vez que não se encontram a zero. Mas tornam-se mais alarmantes se tentarmos perceber como são influenciadas negativamente as famílias das vitimas, sejam elas mortais ou não.

No ano de 2012, segundo o relatório da ANSR, houve dentro de localidades, em arruamentos e/ou estradas municipais, 65 peões vitimas mortais, 398 que ficaram com ferimentos graves, muitos deles de forma permanente e 4526 com ferimentos leves. Ou seja, um total de 4989, contabilidade referente apenas a arruamentos ou estradas municipais, pois se olharmos para as estradas nacionais o valor aumenta.

Dos 65 peões vitimas mortais nestas condições, os locais onde se deram maior número de vitimas foram no atravessamento da faixa de rodagem, ainda que houvesse uma passadeira a menos de 50 metros, ou no caso de não haver passadeira, com um total de 24. Já na situação de caminhada na faixa de rodagem, foram registadas 13 mortes e 12 enquanto o faziam na berma ou no passeio.

Muitas das causas por os peões transitarem nas faixas de rodagem ou atravessarem sem que haja passadeira, é responsabilidade das autarquias pois, muitos são os locais onde não existem bermas com largura suficiente para a circulação de peões em segurança, nem tão pouco passeios. veja-se o caso da foto, na localidade de Marmeleira – Coimbra, perto de uma escola. Não existe passeio nem berma. A faixa de rodagem está em obras e não está garantido um espaço de segurança para peões.

Podemos igualmente verificar que, apesar de estarem a circular de frente para os veículos, estes peões não cumprem com os requezitos de segurança, nomeadamente a circulação em fila indiana, que irá fazer com que o espaço por eles ocupado será menor, diminuindo desta forma o risco que, naquele espaço já é bastante elevado.

Para terminar, verificamos na leitura do relatório de 2012 da Autoridade Nacional da Segurança Rodoviária que os grupos etários onde se registou maior incidência de mortalidade foram, 10 casos no sexo feminino com idades superiores a 75 anos e 18 casos no sexo masculino no intervalo entre os 20 e os 24 anos de idade. Se no caso das senhoras se pode compreender, uma vez que com o avançar da idade vamos perdendo algumas condições psicofísicas, já nos senhores, estamos na presença de um intervalo difícil de compreender.