Mais 23% de mortos até junho deste ano é preocupante

No primeiro semestre deste ano, houve menos acidentes de viação, mas o número de mortos, feridos graves e feridos ligeiros aumentou. A maior gravidade dos embates preocupa as autoridades.

Este ano está com um nível de mortalidade rodoviário mais elevado do que no ano anterior. Comparando o primeiro semestre de 2017 com o de 2016, morreram nas estradas nacionais mais pessoas, embora tenham havido menos acidentes.

Os indicadores oficiais da Autoridade Nacional de Segurança rodoviária (ANSR) dão conta da ocorrência de 60.904 acidentes de viação que fizeram 237 vítimas mortais, 974 feridos graves e 18.313 feridos ligeiros, de 1 de janeiro a 30 de junho de 2017. Comparando com o mesmo período do ano transato, consta-se que houve um incremento de 23% em termos de mortos, o que contabiliza mais 44 pessoas. Houve ainda até ao momento mais 48 feridos graves do que no ano passado (num total de 974) e mais 94 feridos ligeiros (para um total de 18 313).

Curiosamente, foi registado um menor número de desastres rodoviários (menos 681), já que ocorreram 60.904 acidentes, contra 61.585 sinistros em 2016. Esta realidade leva a que se conclua que os acidentes que se dão são menos, mas mais graves.

Por distritos, Porto (35) e Setúbal (33) são os dois distritos do país onde se registaram mais mortos, enquanto Portalegre e Vila Real regista apenas quatro vítimas mortais (até 30 de junho).

Quanto à sinistralidade por distritos, Porto (35) e Setúbal (33) são os distritos onde se registaram mais mortos. Nos antípodas, como os dois distritos onde se verificaram menos mortos estão Portalegre e Vila Real cada qual com quatro vítimas mortais. Estes números são referentes às vítimas nas primeiras 24 horas após o acidente.

As autoridades estão especialmente preocupadas com a evolução negativa das vítimas mortais, pois contraria a tendência de descida que se vinha verificando nas duas últimas décadas. Em declarações à comunicação social, José Miguel Trigoso, presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa, “o aumento da gravidade de acidentes rodoviários está normalmente associado a fatores como velocidades de embate mais elevadas, maior prevalência de utentes vulneráveis acidentados (peões ou condutores de veículos de duas rodas) ou a um maior número de ocupantes nos veículos acidentados. No entanto, neste momento, ainda não estão disponíveis nenhuns dados que permitam caracterizar este aumento brutal da sinistralidade grave”.

Foto: mcmahanlawfirm.com