Excesso de familiaridade pode ser prejudicial à segurança

banco mustang

Após algum tempo a conduzir o mesmo carro ganhamos uma grande familiaridade com o nosso veículo, algumas vezes essa familiaridade impede de apercebermo-nos de pequenos defeitos que a viatura padece com o acumular de quilómetros devido ao desgaste natural ou de pequenas maleitas que surjam com o tempo.

Mesmo com a realização da inspeção periódica onde os principais sistemas são verificados para assegurar a segurança e capacidade de circular nas estradas, não são detetados pormenores que podem implicar na qualidade de condução de um carro, logo a segurança de circulação do mesmo.

Há dias um amigo pediu ajuda para levar um dos seus carros para ser guardado numa outra garagem, entre conduzir o carro de coleção, que ele pretendia mover de local, e o do dia-a-dia não tive hipótese, ele ia levar o carro de coleção e eu tive de conduzir o que ele usa no dia-a-dia.

Sensação estranha

Ao entrar na viatura senti-me algo incómodo mas não me apercebi de imediato da razão dessa sensação, estranhei pois não costumo ter dificuldades de conduzir qualquer veículo, resolvi tentar perceber o que se passava. Ajustei o banco e os espelhos, confirmei a localização dos comandos das luzes e manípulo do pisca, verifiquei rapidamente o seu funcionamento e coloquei o cinto de segurança… e lá voltou a sensação estranha, tentei-me “ajustar” melhor ao banco mas não serviu de nada.

Iniciei a marcha, seguia atrás do clássico do meu amigo com destino à nova garagem onde o clássico ficaria “hospedado”, mas no trajeto começo a perceber-me que estou constantemente a ajustar o meu traseiro no banco e a sentir as costas a resvalar para a direita. Chegados ao destino inquiro o meu amigo se havia notado que o banco estava danificado, ou no mínimo empenado, ele responde-me que não, que o banco estava perfeito e que não havia notado nenhuma diferença. Insisto que o banco estava mal e que deveria mandar alguém ver o que se passava.

O meu amigo refuta as minhas afirmações, enquanto isso coloca a carteira no bolso traseiro direito, e entrando no carro diz para eu entrar pois me irá levar de volta ao nosso ponto de partida, para eu poder apanhar a minha mota e seguir o meu caminho. Deixo-o sentar-se e pergunto-lhe: “Conduzes sempre assim?”, “Assim, como?” indaga ele, “Com a carteira no bolso de trás?” ao que ele responde que sim. Após alguma insistência convenço-o a tirar a carteira do bolso e a fazer a viagem sem a carteira a servir de cunha ao traseiro.

A confirmação

Chegados ao destino de imediato ele diz “Isto realmente está torto!”, a carteira com que ele sempre anda estava a servir de “ajuste” e impediu-lhe de se aperceber que a estrutura da cadeira havia cedido, mais tarde soube que era um dano estrutural, mais concretamente um tubo interno do banco se havia partido parcialmente e estava cedendo. Caso a rutura total acontecesse com o veículo em movimento poderia provocar um acidente.

Após a reparação o meu amigo confidenciou-me que depois de reparado o banco passaram-lhe as dores no pescoço, que ele considerava normais da idade que já tem, mas afinal eram derivadas do mau estado do banco, e também, do hábito de conduzir com a carteira no bolso traseiro das calças.

Foto | Brandon Baunach