Nomofobia: quando o vício do telemóvel se torna um risco

vício telemóvel
Se nunca tinha ouvido este nome, o Circula Seguro explica-lhe: A nomofobia é um transtorno psicológico que se caracteriza pelo desconforto ou angústia resultante da incapacidade de acesso à comunicação através de aparelhos telemóveis ou computadores. Um fenómeno social cada vez mais comum, que pode provocar falta de concentração em tarefas importantes, como a condução, e em consequência aumentar o risco de ter uma acidente rodoviário. Vejamos os sintomas e como evitar que nos afete.

Quais os limites da atenção

Já não é a primeira vez que, no Circula Seguro, o alertamos para os riscos de utilizar um telemóvel enquanto conduz. Quem não se lembra da famosa história da jovem condutora norte-americana que morreu imediatamente depois de ter publicado uma «selfie» no Facebook? O sinal mais proeminente da imprudência, afastar por instantes a atenção da estrada, apenas para tirar uma fotografia. Há até estudos que indicam que falar ao telemóvel durante a condução, mesmo com um kit de mãos livres, pode ser tão perigoso como conduzir alcoolizado.

O cérebro humano é um computador muito potente, mas tem limitações e a atenção fica reduzida em tarefas importantes como, por exemplo, a condução. Utilizar o telemóvel enquanto conduz causa uma falta de atenção no sentido em que a pessoa deixa de ter a real perceção sobre os sinais de trânsito. Vejamos o caso da memória a curto prazo: apenas retemos simultaneamente um número limitado de elementos. Se estivermos num cruzamento com semáforos, há muitos detalhes a ter em conta: se há peões, veículos à nossa frente e atrás, a situação e a escolha da via adequada.

Se, a isso, juntarmos um contratempo, como um semáforo intermitente devido a avaria, falar ao telemóvel retirar-nos-ia muita concentração. Prestar atenção a outra coisa pressupõe uma mudança de situação, ou seja, tirar os elementos da memória a curto prazo da tarefa anterior e colocar a informação da nova tarefa.

Como saber se temos nomofobia?

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Há certos sintomas que lhe devem fazer soar os alarmes, no que toca a comportamentos que denotam vícios aos ecrãs tácteis.
– Sensação de ansiedade: sentir a falta de chamadas, notificações e mensagens com nervosismo
– Taquicardias: a falta do telemóvel devido a algum acidente ou por ficar sem rede ou bateria
– Pensamentos obsessivos: verificar com frequência e de forma insistente sem tem o telemóvel, com medo de o deixar esquecido em casa.
– Dor de cabeça: pensar numa possível perda do telemóvel, apesar de o ter em lugar seguro.
– Dor de estômago: Sintomas anteriores que se repetem com frequência até ao ponto de afetar a forma de vida.

Perante estes sintomas, é aconselhável consultar um especialista em vícios e no tratamento da segurança pessoal e da autoestima. O abuso do telemóvel acontece muitas vezes porque a pessoa se sente pressionada em alguns aspetos da sua vida, dos quais se deveria libertar. Se este comportamento se repete, pode afetar as normais tarefas do dia-a-dia, como é o caso da condução. A disposição de utilizar o telemóvel acontece de forma inconsciente e sem ter em conta a repercussão na atenção e controlo sobre a condução de qualquer veículo.
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Se conduzir, não use o telefone

Devemos evitar não só o uso do telemóvel, como também as conversas em modo mãos-livres, a não ser que se trate de uma emergência. Para o fazer, o melhor é estar com o motor desligado e num local seguro, para não afetar o resto dos condutores. Além disso, devemos estar atentos aos outros condutores que possam estar distraídos. Para isso, é preciso estar preparado para reagir quando vemos que alguém (condutor ou peão) faz um movimento incorrecto.

A atenção permanente à condução é uma condição obrigatória. Portanto, não só o telemóvel pode ser considerado um risco, mas também o é comer ou beber, discutir com os passageiros, maquilhar-se, olhar para o mapa, etc.
Lembre-se: nenhuma chamada é mais importante do que a nossa própria vida.

Foto | Taquicardia, 贝莉儿, Alexandre Boucher
Fonte: Circulaseguro.com