Quais são as qualidades de um pneu de rali?

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O recente título de campeão entregue a Sébastien Ogier no Rali de Gales levou também a Michelin a conquistar o seu 51º título na categoria rainha desta competição. Um desporto com cada vez mais adeptos e que junta velocidade e técnica sobre todo o terreno. Os pneus, neste sentido, têm um papel fundamental num campeonato de tão alto nível como é o caso do Mundial de Ralis. O fabrico e desenho do piso estão orientados para garantir o melhor contacto do carro com o solo, para poder circular nas condições mais extremas possíveis.

Mas sabemos como são? Muitas marcas de veículos utilizam pneus Michelin na categoria rainha do Rali. A potência e rapidez destes carros devem sustentar-se em borrachas adaptadas e especializadas que, geralmente e nos últimos anos, costumam integrar-se numa jante de 15 polegadas em terra e gelo e numa jante de 18 em asfalto.

Apenas um pneu para diferentes terrenos

Esta é a característica principal de um pneu de competição. O regulamento da FIA é muito restrito no uso e homologação de pneumáticos e, por isso, as marcas devem ajustar-se às novas especificações que são aprovadas a cada ano. Durante a competição não é possível integrar novidades, pelo que o que se desenha no início do ano é o que condiciona para o bem ou para o mal cada corrida até ao final da temporada. “Prever as situações é complicado, mas essencial para poder encaixar esse pneu específico em qualquer rali”, um enigma que o manager da Michelin, Jacques Morelli, resolve a cada ano.

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O mundial de rali disputa-se em terrenos variados: asfalto, neve na Suécia, terra em 9 das 13 provas, pistas… para isso, o pneumático deve adaptar-se da melhor forma piso, com a maior aderência possível: com um desenho mais profundo é possível fazer frente a terrenos com gelo, água ou muito inclinados; ao contrário, as pistas permitem usar um pneu mais liso, que deslize mais e adaptado a outras temperaturas

Mas, geralmente, podemos falar de uma classificação de pneus entre macios e duros, que também se usam em outras categorias de desporto motorizado, como a Fórmula 1 ou o campeonato de Moto GP. Estes dois compostos obrigam a procurar o maior rendimento adaptando-se a ralis tão diferentes com o de Cerdeña, no qual as altas temperaturas oferecem maior desgaste, sendo preferível um pneumático duro e resistente, ou como o de Portugal, por oposição, que pela sua falta de aderência requer um pneu mais mole que, ainda que se desgaste mais rápido.

Como trabalha um pneu de competição?

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Desenvolver um pneu para WRC é um verdadeiro quebra-cabeças. Devemos ter em conta que qualquer etapa do Mundial não pode ultrapassar os 80km de distância, de modo que o desenvolvimento da borracha deve ajustar-se bem a essas medições, com cálculos específicos em testes de desgaste, aderência e longevidade. Os pneumáticos suportam forças laterais nas curvas, toques em variados obstáculos e forças de aceleração e travagem que os fazem trabalhar em situações extremas.

Gerir corretamente as borrachas é, para as equipas, uma estratégia importante que pode dar ou tirar uma vitória. A capacidade e habilidade do piloto faz o resto, com uma boa coordenação do ritmo e velocidade. Locais como a Suécia ou o rali nórdico precisam de pneus adaptados a condições invernais, como podem ser os de piso macio e com pregos, juntamente com a boa gestão na condução (para não perder os pregos durante a prova).

A Michelin conta com uma gama de até nove compostos que se organizam em função da dureza e a superfície a que estão adaptados, desde o super macio (para temperaturas inferiores a 0ºC, até aos duros e de chuva, de asfalto a terra e os de inverno aos de gelo.

  1. Em terra: É a superfície mais comum nas provas de WRC. Caraterizam-se, normalmente, por ser pistas com gravilha solta e pedras, que exigem que o desenho do piso seja mais profundo. Podem ser duros, indicados para solos sólidos e secos, ou macios, que são mais adequados a temperaturas frias, incluindo lama ou água.
  2. Em asfalto: Utiliza-se um piso com um desenho quase inexistente, para encontrar a maior aderência. Segundo o grau de humidade existem duros e macios, como no tópico anterior. Além disso, os pilotos podem escolher os de chuva extrema, quando as condições o aconselham: este piso é exclusivamente para utilização em molhado e é mais profundo.
  3. Em neve: O rali de Montecarlo requer uns pneus especiais pois devem adaptar-se ao asfalto da pista a às condições tão diferentes dos Alpes marítimos. Além disso, tem lugar no mês de janeiro, obrigando ao uso de pneus de inverno para o piso frio e escorregadio devido à neve.
  4. Em gelo: É de utilização exclusiva para o rali da Suécia, que é a única prova do circuito que se disputa obrigatoriamente com os pneus com pregos. Os pisos são mais avançados, pois suportam altas velocidades a temperaturas de -25ºC. Os grandes sulcos encarregam-se de fazer sair a neve solta e contam com 380 pregos em cada pneumático para encontrar toda a aderência possível na superfície.

Michelin sobe ao pódio do WRC

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A Michelin converteu-se no vencedor do título de pilotos do WRC e nove dos dez melhores carros, no final do rali, confiaram em pneus desta marca para conseguir o êxito nos 306,98km de terreno molhado e lamacento. O bom rendimento e versatilidade dos pneus foi avaliado positivamente na pista, com um rendimento muito eficaz, grande durabilidade e resistência sobre diferentes tipos de terra, temperatura e clima ao longo de todo o ano.

Jacques Morelli, gestor do programa do WRC da Michelin, explicou à comunicação social que o desenho dos pneus é feito com um foco claro: “Conseguir o melhor equilíbrio possível. Os engenheiros do Michelin Motorsport fizeram um grande trabalho nos avanços em algumas áreas que contribuem para a qualidade de um pneu de rali forte, enquanto mantém os outros parâmetros ao mesmo alto nível”. A Michelin também celebrou o êxito no WRC 2 com Pontus Tideman no Rali GB, já que antes o sueco utilizou a borracha da marca para ganhar a categoria com o seu Skoda Fabia R5.

Imagens | Michelin Motorsport Flickr Michelin Motorsport Rally