O sono, a fadiga e a condução

Conduzir com sono não acontece exclusivamente à noite, a qualquer hora do dia o cansaço pode atacar e causar acidentes graves. À noite a probabilidade de adormecer ao volante é agravada pelas condições de iluminação e tráfego reduzido na estrada, mas também pelo cansaço proporcionado por um dia de trabalho ou por um dia de pé.

Por fim, porque normalmente é de noite que dormimos e que descansamos. É a hora normal de dormir, portanto, mesmo que tenhamos descansado durante o dia, é provável que nos dê sono à noite.
Mas, a condução noturna tem porém as suas vantagens. A estrada está mais livre e os faróis dos outros carros anunciam a sua aproximação antes de entrarem no campo de visão do condutor.
Todos os ocupantes do veículo devem estar atentos às armadilhas da estrada e aos primeiros sinais de cansaço do condutor. Por isso, o cansaço e a fadiga são um verdadeiro inimigo da condução noturna. A fadiga é um estado que condiciona a obtenção de bons resultados em qualquer atividade e que se carateriza por uma diminuição das capacidades percetivas, cognitivas e motoras. Prejudica a vigilância, a atenção, a capacidade percetiva, a resposta reflexa, o tempo de reação e todo o processo de decisão. Se transpusermos todas estas alterações para a atividade de conduzir facilmente se compreende a perigosidade de a realizar sob o efeito da fadiga. A condução requer uma elevada concentração em detalhes importantes. As omissões ou lacunas traduzem-se em apreciações incorretas e em respostas desajustadas às diferentes situações com que o condutor se vai confrontando na circulação. É comum pensar-se que a fadiga ao volante corresponde ao adormecimento durante o ato da condução. Contudo, o adormecimento corresponde a um estado extremo de fadiga, que já ultrapassa o estado de sonolência. A fadiga corresponde a um cansaço ou exaustão. As capacidades necessárias à prática de uma condução segura ficam diminuídas logo que o estado de fadiga se desencadeia, muito antes de correr o risco de adormecer ao volante. Os efeitos da fadiga e as suas consequências podem ocorrer sem que o condutor se aperceba, subestimando frequentemente o impacto que este fator interno tem na falha humana, maioritariamente presente na sinistralidade rodoviária. É importante os condutores conhecerem as principais causas da fadiga e/ou sonolência ao volante, para que possam tomar as devidas precauções, especialmente antes de uma viagem longa. Nunca é demais lembrar que o pico da fadiga e da sonolência surge entre as 2 e as 6 horas da madrugada e à tarde entre as 14 e as 16 horas, quando o ritmo biológico induz o sono. Existem fatores inerentes à própria pessoa (como dormir pouco, a ingestão de determinados medicamentos ou de álcool, entre outros) e fatores respeitantes às infraestruturas e ambiente rodoviário (como um ambiente rodoviário monótono, a circulação noturna, grande ou muito reduzida intensidade de trânsito, etc.).

Principais causas da fadiga ao volante

-Défice de horas de sono;
– Grande esforço físico;
– Trabalho intelectual intenso;
– Ingestão de bebidas alcoólicas;
– Ingestão de alguns tipos de medicamento:
– Estado de stress
– Estado de doença;
– Posição desconfortável ao volante;
– Longas horas de condução;
– Temperaturas extremas (muito calor ou muito frio);
– Ambiente saturado (com fumo, por exemplo);
– Monotonia provocada pelo meio ambiente e/ou pelo traçado da via;
– Deficiente arejamento do habitáculo do veículo;
– Refeições pesadas;
– Condução noturna;
– Deficiências visuais não corrigidas.

Quando não se dorme o suficiente, mesmo que seja apenas numa noite, inicia-se uma “dívida de sono” que se vai acumulando até que o sono necessário seja reposto. Uma sonolência problemática ocorre quando a dívida de sono acumula. Se forem perdidas demasiadas horas de sono, o facto de dormir mais ao fim de semana pode não servir
para reverter completamente os efeitos de não dormir o necessário durante a semana.

Como evitar adormecer ao volante?

Horário: As horas mais perigosas para a condução noturna situam-se entre as 3 e 6 horas da manhã. O amanhecer e entardecer são também períodos de risco.

Trajetos longos: Procure não percorrer trajetos longos e monótonos durante a noite. Prefira ruas interiores a autoestradas.
Paragens: Parar frequentemente é uma forma eficaz de reduzir a monotonia e o efeito hipnótico das estradas longas.
Postura: Não adote uma postura demasiado relaxada ou confortável ao volante.
Alimentação: Não coma demasiado antes de uma viagem longa e sobretudo não ingira bebidas alcoólicas.
Ambiente: Ventilar bem e refrescar o interior do automóvel. Um amibiente quente e saturado induz ao sono.
Música: A música pode a judar a mantê-lo acordado mas se for demasiado relaxante tem o efeito oposto. Falar com os restantes ocupantes do veículo é sempre melhor solução.
Saídas de ar: Não dirija as saídas de ar diretamente para a cara ou para os olhos. Em vez disso centre o feixe de ar frio nos braços ou outras partes do corpo.
Velocidades: Mude frequentemente de velocidade na caixa. Isto quebrará a monotonia da condução.

Adormecer ao volante?

É comum pensar-se que a fadiga ao volante corresponde ao adormecimento durante o acto da condução. Contudo, o adormecimento corresponde a um estado extremo de fadiga, que já ultrapassa muito o estado de sonolência. Há de facto condutores que adormecem de exaustão e embatem ou se despistam na sequência desta perda de consciência. No entanto este não é o efeito do sono mais comum no condutor fatigado e sonolento.

O micro-sono

O micro-sono é um fenómeno de adormecimento que pode durar de uma fracção de segundo até 3-14 segundos. Este ocorre em consequência de privação de sono, fadiga mental, depressão, entre outras causas. O micro-sono pode ocorrer a qualquer momento ao condutor, normalmente sem sintomas prévios. É o caso típico do condutor que reconhece que está cansado e com algum sono, mas que recusa a possibilidade de adormecer ao volante. Estudos mostraram que este fenómeno é muito mais comum do que se julgava e está na origem de muitos sinistros “sem causa aparente.