Como melhorar a segurança das crianças

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A Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu dez estratégias para ajudar a manter as crianças seguras na estrada e leva-las de volta à sua família no fim de cada viagem, após percorrer uma qualquer estrada por esse mundo fora…

Mas para isso cada país deve fazer a sua parte, cada família deve fazer a sua parte e cada individuo deve fazer a sua parte, uma sociedade que oferece uma “boa dose” de segurança rodoviária é uma sociedade que percebe que tem de ser abrangente e apesar  de envolver muitas variáveis e riscos, sem o empenho de todos não vamos a lado nenhum.

Velocidade e consumo de produtos intoxicantes

Definição e aplicação de limites de velocidade adequados à função de cada estrada, com atenção especial a estradas com alta concentração de peões onde o limite deverá ser de 30 km/h ou menos. Aplicação de limites de velocidade através do uso radares de velocidade automáticos, construir ou modificar as estradas para incluir recursos que limitam velocidade, como semáforos, rotundas e velocidade. Um risco importante para todos os utilizadores da via pública, em especial os mais frágeis como as crianças, sejam peões, ciclistas, outros condutores ou passageiros, são as pessoas que bebem e mesmo assim conduzem.

Consumir álcool antes da condução não só aumenta hipótese de um acidente de viação, mas também a probabilidade de morte ou lesão grave. O risco de um acidente de tráfego rodoviário começa a subir significativamente quando um condutor tem uma concentração de álcool no sangue (TAS) de cerca de 0,04 g / dl.

Deverão ser criadas leis em todos os países que impeçam beber e conduzir, com controles de sobriedade em diversos pontos e testes aleatórios, a lei também deverá restringir a venda de álcool legislando um mínimo idade de compra e regulando os tipos de estabelecimentos que vendem álcool e seu horário de funcionamento.

Outras medidas

Quando circulam em bicicletas, ciclomotores ou motociclos deverá ser obrigatório o uso de capacete para todos os ocupantes, em especial para as crianças, usando um capacete é a mais eficaz estratégia para reduzir o risco de lesões na cabeça.

Tornar obrigatório o uso de cinto de segurança, ou outro meio de restrição de movimento, para todas as crianças que são ocupantes de um veículo, não esquecendo de ajustar a altura dos assentos de carro para que o cinto possa trabalhar de forma adequada em caso de acidente.

Obrigando a adoção de sistemas reconhecidos internacionalmente de retenção de cadeirinhas de bebés, assegurando a disponibilidade e acessibilidade adequadas na retenção para crianças, como por exemplo os sistemas de ancoragem ISOFIX.

Melhorar a infra-estrutura rodoviária existente, pois historicamente, as estradas foram construídas principalmente para o benefício dos transportes motorizados, com pouca consideração das necessidades das comunidades que por lá passam e não se deslocam de veículo motorizado.

Construção de novas infraestruturas rodoviárias, alteração e adaptação da existente, com uma preocupação especial a incidir na segurança das pessoas e reduzir os riscos para as crianças que também são utentes dessas vias.

Melhorar a possibilidade de sermos vistos é um pré-requisito fundamental para a segurança quando viajamos nas estradas, mas é particularmente importante para as crianças, devido à sua especial vulnerabilidade, pelo que devemos garantir que seguimos as melhores “estratégias” para melhorar a visibilidade em especial de noite como, por exemplo, vestindo-lhes roupas brancas ou de cor clara, garantindo que as mochilas da escola possuem as tiras retrorrefletoras, e se possível nalguma da roupa também.

A adaptação do próprio desenho dos carros novos deverá integrar, obrigatoriamente, as normas atuais que podem contribuir para a segurança das crianças dentro e fora de um veículo. Muitos veículos tem medidas de segurança para proteger alguns dos utentes da estrada, mas alguns não são específicos para crianças, ou não garantem o reduzir dos riscos para a as crianças.

Estas estratégias incluem a obrigatoriedade da instalação de zonas de deformação para absorção de energia, tanto no interior, com zonas para proteger os passageiros, como no exterior com o redesenhar das frentes dos veículos para torná-los mais amigáveis dos peões.

Segurança das crianças e dos jovens

Em alguns países, jovens a partir dos 15 anos de idade têm permissão para conduzir. Infelizmente é neste grupo, o dos jovens condutores encartados, que acontece um grande número de acidentes rodoviários a nível mundial. Os fatores que contribuem para este fato são vários e incluem os já muito conhecidos excesso de velocidade, ingestão de bebidas alcoólicas ou drogas ilícitas, mas também falar e escrever mensagens de texto enquanto conduz.

A OMS sugere maiores restrições à condução dos jovens, com programas de valorização da atribuição de licenças de condução, que leva a uma maior responsabilidade e responsabilização dos condutores, segundos os estudos deste organismo internacional este sistema resulta em reduções significativas nos acidentes de trânsito e do número de fatalidades em que esses condutores se envolvem.

Esses programas seguem uma abordagem gradual e faseada para que um novo condutor possa ganhar experiência atrás do volante, de início existem restrições à condução que são levantadas conforme aumenta a habilidade do condutor. Nos locais onde existem esses programas os acidentes de trânsito entre este grupo caíram 46%.

Garantir cuidados adequados após os acidentes

Os países devem ter os cuidados de emergência e os serviços de reabilitação preparados para dar assistência cabal a todas as vítimas de acidentes rodoviários, mas para as crianças a atenção a dispensar deverá ser ainda maior, estabelecendo planos para ativar sistemas formais ou informais para o transporte de crianças feridas com linhas verdes de rápido acesso aos serviços de saúde.

Os serviços de saúde devem ter atenção sobre as diferenças fisiológicas entre crianças e adultos, e sobre a forma de satisfazer as necessidades de tratamentos diferenciados para as crianças. Os veículos de emergência também deverão estar apetrechados com equipamento médico adequado ao tamanho das crianças.

Melhorando os serviços de reabilitação específicos da pediatria, inclusive a forma como são explicadas as prescrições de reabilitação para serem executadas em casa, pois as instruções devem ser apropriadas à idade e à maturidade da faixa etária a que se adequa. Cuidemos bem da próxima geração.

Foto | David D.