A utopia do radar e a velocidade adequada

Velocidade adequada

Uma das coisas que se ensinam nas escolas de condução é a diferença entre distintos conceitos relacionados com a velocidade: velocidade adequada (nem rápida nem lenta, adequada às circunstâncias), velocidade moderada (tem em conta o perigo previsível), velocidade excessiva (inadequada por excesso) e excesso de velocidade (que supera os limites estabelecidos), entre outros.

Depois de obtida a carta de condução, os anos vão passando e cada um retém na memória o que mais lhe convém. No entanto, a verdade é que às vezes estas definições confundem-se e, no final de contas, já nem se sabe qual é a responsabilidade do condutor.

Quando as estatísticas falam de mortos “por velocidade”, referem-se à velocidade inadequada, que é, em quase todas as ocasiões, excessiva. No entanto, os radares avaliam e penalizam os excessos de velocidade. Antes que alguém faça algum comentário desnecessário, vou dar o meu ponto de vista: os excessos de velocidade são infrações que têm como base a velocidade excessiva. Dito de outra forma: o excesso de velocidade é uma variante da velocidade excessiva, e que deve ser evitado.

No entanto, o radar é ineficaz enquanto sistema de controlo. Em primeiro lugar, um radar não garante que o condutor leve o carro a uma velocidade legal. Uma travagem alguns metros antes da ameaça é suficiente para continuar o caminho sem riscos. Então, há alguém que sugere ocupar toda a estrada com radares. E mais alguém, ainda mais dentro do assunto, vai afirmar que os novos radares invisíveis ficam mais baratos e permitem pôr em prática essa ideia.

A tese é tão simples como isto: se enchermos as estradas com radares, as pessoas conduzem à velocidade obrigatória. De forma a evitar multas, o condutor tem que respeitar a velocidade, e vai haver menos acidentes.

Eu disse que era uma tese simples, certo? Enganei-me na palavra. Mais que simples, é simplista. Nem uma estrada a abarrotar de sensores poderia evitar a maioria dos acidentes “por velocidade”. E Porquê? Porque a velocidade legal nem sempre corresponde à velocidade adequada. Eu posso circular numa zona que permite andar a 80 a 70km/h e ser imprudente. A velocidade adequada não corresponde apenas ao que diz a lei ou o sinal. Ela depende de vários fatores: meteorológicos, a densidade do tráfego, o estado psicológico e físico do condutor, o estado do veículo, o estado da via…

E há ainda quem argumente com as penosas infraestruturas que temos no nosso país. E eu faço a seguinte reflexão: se todas as estradas estivessem em perfeito estado, será que a sinistralidade baixaria de forma surpreendente? Tenho muita pena, mas não. Basta comparar com os carros. Hoje em dia, os carros são cada vez mais seguros, mas o condutor elimina essa segurança porque está iludido de que pode atingir os limites da viatura. O ser humano passa grande parte da sua vida à procura de limites e às vezes perde a vida quando os encontra. Por isso, a decisão cabe ao condutor.

Voltando à utopia do controlo da velocidade como elemento de salvação, questiono-me se existe um radar que pode ponderar todos os fatores de risco. Eu penso que não. E essa é a razão pela qual o condutor deve ser responsável pelos seus atos ao volante. Não se trata de aumentar o controlo, mas sim o autocontrolo da velocidade. E como se consegue que o condutor controle a sua velocidade? Através de uma formação adequada. Fazendo com que preste atenção a tudo o que se relacione com controlar o veículo e que compreenda o que é a velocidade inadequada e que consequências traz. E isso, nenhum radar sabe fazer. Nem sequer um invisível.

  • Os limites de velocidade impostos pela lei, para dentro e fora das localidades, em muitos casos fiscalizados pelos radares de velocidade, estes têem pouco mais, de que estas duas funções. Uma, como meio dissuasor para os condutores, e a outra, de aumentar as receitas orçamentais, e esta é que é principal questão, ((receitas orçamentais)). Por vários motivos: 1º não cabe na cabeça de ninguém, que o limite de velocidade imposto por lei, seja igual para um carro que a circular a 70km hora, e com todo o seu equipamento de segurança, consegue parar entre 15 e 20 metros em segurança. E para um carro que circula à mesma velocidade à hora, mas que não consegue parar entre 40 e 50 metros. È claro que não pode haver filas destinadas a uns e a outros. Mas o que tem que ser posto em causa, é a consciência de quem conduz um carro de forma geral seguro na estrada, ou um carro de forma geral inseguro na estrada. A maioria dos acidentes, dão-se por velocidade excessiva, e não por excesso de velocidade. E por quê? Porque os condutores com carros sem segurança, ultrapassam todos os limites de velocidades ecessivas para o carro que têem, pensando que não vão em excesso de velocidade, e que têem o mesmo direito de andar na estrada à mesma velocidade, como aquele que tem um carro muito superiormente mais seguro, só porque não vai a ultrapassar os limites de velocidade impostos pela lei. Mais importante que os radares de velocidade, eram camaras de vigilância em Auto Estradas de três vias, a vigiar condutores que circulam sempre na via central, independentemente de haver ou não lugar na fila mais à direita. E quando algum condutor lhe pede passagem, ou não a faz, ou fá-la pela direita, porque na 3ª fila mais à esquerda vem outros em grande velocidade, e não se consegue fazer a ultrapassagem ao carro da fila central, e o condutor que não sai da fila do meio ainda manda o condutor que lhe pede passagem passar por cima. Isto é que é criminoso, só não dá é tanto dinheiro como os radares. Mas tambem é uma questão de aumento das multas a quem se julga dono da fila central duma Auto Estrada com três vias, quando tem lugar na fila mais à direita. E ser manabra perigosa, quando outro condutor pede passagem pela fila do meio e este não se desvia para a direita, com espasso para o fazer. Assim como entrar e sair da fila mais à direita para a fila central e da fila central para a fila mais à esquerda, sem fazer qualquer sinal, para relizar a manaobra. Isto em Auto Estrada é um autêntico crime, Era asim que deviam ser vistas estas manobras, que são em tudo muito mais prejudiciais à circulação, de que muitos excessos de velocidade, tendo em conta a capacidade de segurança de muitos dos carros que a praticam. As Leis ao código da estrada e seu regulamento, deviam estar mais de acordo com as regras de segurança de todos, tendo em conta a capacidade dos condutores, a qualidade e conservação dos carros, a quantidade do tráfego, a qualidade pavimentos, as condições das cargas, as condições climáticas, Chuva, neve, gelo, nevoeiro,ou mesmo sol abrasador. Acho que isto incutido no espirito cultural dos nossos condutores,e em geral do nosso povo, era muito mais importante de que qualquer radar. Talvez não desse tanto dinheiro. Mas de certeza salvava muito mais vidas que pagam impostos.