Aquisição de carta de condução – Modelo actual ou obsoleto?

Aquisição de carta de condução: modelo actual ou obsoleto?

Actualmente, adquirir uma carta de condução está ao alcance de todos… ou quase todos. Basta para tal que quem o pretenda tenha, para além do valor monetário necessário, disponibilidade intelectual para o fazer, frequentar o programa formativo e apresentar-se a exame final de avaliação, aguardando conseguir alcançar os mínimos exigíveis pela legislação em vigor.

Se o candidato conseguir albergar todos estes requisitos, com maior ou menor tempo, dependendo isso da sua capacidade de aprendizagem e se escolhe um centro público ou privado para se apresentar a exame, vai conseguir ter na sua posse um título que o habilitará a conduzir o veículo para o qual se propôs quando se inscreveu na escola de condução.

Acontece que, após os respectivos exames teórico e prático de condução, pode dizer-se que os novos condutores ficam entregues à sua própria sorte e legislação que os vai acompanhar, para o bem ou para o mal.

Exame público Vs Exame privado

Se um candidato optar por efectuar os seus exames num centro de exames privado, a sua formação será mais célere, no que ao tempo entre a inscrição na escola de condução e a data do exame prático diz respeito, porque as horas de formação, essas serão, em principio, as mesmas. Se concluirmos que apenas irão decorrer as exigidas pela legislação em vigor.

No entanto, se o candidato optar por um centro de exames público, o tempo de espera será, irremediavelmente mais longo, mas isso não é sinónimo de mais horas de formação; os clientes das escolas de condução optam por alongar o número de aulas pelo tempo que dispõem até ao exame.

Exame de condução: modelo actual ou obsoleto?

Estamos na presença de um modelo actualizado ou obsoleto?

Ainda assim, seja de uma forma ou de outra, a questão que se coloca é, essencialmente, se este modelo de aquisição de um título de condução se encontra actualizado com a realidade e exigências, ou contrariamente se encontra obsoleto e fora do alcance do que se pretende para um futuro condutor. E, quanto a mim, escolho a segunda opção; obsoleto.

A aprendizagem da condução automóvel deve ser, necessariamente, bastante superior a umas quantas horas de formação e uns quantos quilómetros percorridos, seguidos de uma avaliação final elaborada por uma pessoa que não tem qualquer conhecimento emocional sobre a pessoa que está a avaliar.

Assim, para que se conseguisse atingir os objectivos pretendidos, que vão bem para além da obtenção de um título que permita a condução de um qualquer veículo, teria que se efectuar uma formação contínua e composta por diversas fases formativas e de experiência. Refiro-me a um período de “estágio” entre a formação desenvolvida pela escola de condução ao pretendente do respectivo documento e o referido exame.

Esse “estágio” poderia passar por um período de condução autónomo, com limites de velocidades aplicáveis e raios de acção atribuídos. Esse “estágio” poderia ter um período de doze meses, mais ou menos, dependendo da categoria da carta de condução que se estivesse a adquirir, assim como da já obtenção anterior de outra categoria ou não.

Findo esse período, em que o candidato poderia desenvolver uma auto-aprendizagem após formação em escola de condução e sob a aprovação do instructor e director da escola de condução, período em que cimentaria as aprendizagens e criaria rotinas, poder-se-ia apresentar a exame prático e aí sim, ser sujeito a uma avaliação final.

Esta seria uma forma revolucionária de se prestar uma formação de excelência e dessa forma garantir a aquisição de uma responsabilidade rodoviária de cada um dos candidatos a condutores. Por cada reprovação estaria sempre patente a obrigatoriedade de frequência de mais horas de formação em escola de condução.

Foto¦ Diario Digital