Escolas de condução, falência anunciada (1)

Escolas de condução - falência anunciada

Longe vão os tempos em que as escolas de condução tinham um papel social de elevado crédito na formação de novos condutores e de respeito por novas aprendizagens. Hoje a realidade é bem diferente e as escolas de condução são olhadas, apenas, como mais um degrau de passagem imposta, legislada por um regime jurídico próprio.

Se nos anos 70, 80 e até mesmo 90, do século passado, as escolas de condução, com um maior ou menor nível de corrupção nos resultados dos exames exerciam uma função preponderante, a verdade é que nos tempos que correm, essa preponderância, transformou-se em obrigatória banalidade institucional. Veja-se o caso do papel do tutor.

 Uma falência, no sistema, anunciada

Tal como está a acontecer, actualmente, no sistema judicial português, também o sistema formativo do ensino da condução automóvel irá colapsar, levando atrás de si centenas de escolas de condução, muitas delas atingindo o ponto de falência não apenas formativa, mas essencialmente financeira.

O novo Regime Jurídico de Escolas de Condução está preparado e constitui a ferramenta perfeita para proporcionar a que muitas escolas de condução fechem portas e enviem para o desemprego milhares de profissionais qualificados, diminuindo desta forma a qualidade da formação prestada.

Um sistema informático caótico

Quando for implementado, se realmente houver coragem para levar esta Lei avante e a respectiva Portaria a publicar, o novo regime jurídico que rege as escolas de condução, o caos no sistema informático do IMT está garantido, a diminuição da qualidade do serviço, que já por si deixa muito a desejar,  será uma realidade e adquirir um titulo de condução através do sistema de avaliação público será uma odisseia.

Senão, vejamos;

Com o novo RJEC, um candidato a condutor deverá ter um total de 32 horas de formação, ao invés das 32 lições de cinquenta minutos cada que actualmente se encontra em vigor, assim como terá de ter mais de 300 quilómetros percorridos ao longo dessa formação, se tivermos como referencia a categoria “B”. Passa uma lição a ter a possibilidade de variar entre 1 minuto de tempo e 1020 minutos. O propósito da formação continua, progressiva e intercalada morre aqui.

O novo RJEC por tantos defendido, principalmente por aqueles que não andam no terreno, não conhecendo a realidade do sector, vai minar os já fracos alicerces da maioria das escolas de condução, uma vez que vai exigir que estas equipem as suas viaturas com sistemas de registo informatizados, que irão, certamente, custar largas centenas de euros, dinheiro que as escolas de condução não têm, muito por culpa da crise económica que varre a Europa e faz com que o número de clientes diminua.

 Os sistemas de registo

Os sistemas de registo informático têm a função de guardar, através de um código atribuído ao formando, o número de horas efectuadas e o número de quilómetros percorridos ao longo desse tempo de formação. Supostamente, esses dados serão fornecidos ao IMT, diáriamente, que os armazenarão no seu sistema informático.

Sistema informático de armazenamento esse que o Instituto para a Mobilidade e Transportes não possuí, pelo menos com capacidade de receber e tratar tanta informação em simultâneo. Resultados práticos desta realidade; O sistema informático de armazenamento de dados do IMT vai entrar em colapso, com dados, eventualmente, perdidos, elevada demora (meses) no agendamento de exames, falta de qualidade no serviço prestado e deficiência na formação, com os reflexos que se adivinham.

Foto¦Frank Vicentz