Incongruências rodoviárias

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Já aqui falamos anteriormente em rotundas e suas funções. E uma dessas funções era a de permitir uma maior fluidez de trânsito, numa interseção de grande intensidade de tráfego rodoviário. Ora, se assim é, deseja-se que nesse espaço de rotunda nada exista que possa condicionar tal intensão.

A rotunda deve ser projetada tendo em conta p tipo de trânsito que por lá vai circular, pois é importante que a trajetória das vias permita que os veículos por aí circulem sem invasão das demais vias.

Deve igualmente a rotunda permitir que haja uma boa visibilidade para todo o espaço, conseguindo desta forma, tanto o condutor que nela circula como o condutor que nela pretende circular perceber a que velocidade pode transitar ou que dinâmica deve utilizar.

Paragens de autocarro

Não sei como se processa por essa Europa ou Mundo fora, no entanto sei que muitas são as localidades em Portugal onde as autarquias, contrariando todas as regras de segurança, insistem em colocar no interior das rotundas paragens de autocarro. O facto de tal acontecer, vai fazer com que por breves momentos, na melhor das hipóteses, haja dentro da rotunda um veículo de elevadas dimensões, imobilizado, a receber e largar passageiros.

Como habitualmente esta imobilização ocupa a via de trânsito da direita, tal obriga a que os veículos que nessa via transitam, passem para uma via mais interna. Se naquele momento a rotunda estiver sujeita a um fluxo de trânsito elevado, hora de ponta, muitos serão os que terão de imobilizar a sua marcha, o que só por si vai fazer com que a fluidez do trânsito esteja condicionada. É assim contrariado um dos princípios da rotunda, aumentando a possibilidade de acidente rodoviário, que trará maior transtorno ao tráfego.

Depois, sabendo-se que em Portugal os autocarros urbanos têm prioridade ao iniciarem a sua marcha, surge novamente um conflito, uma vez que o trânsito que se faz dentro da rotunda terá de diminuir ou suspender o andamento para lhes ceder passagem. Para concluir, estamos sujeitos a toda a movimentação de peões nas imediações da rotunda. Se nessa rotunda existirem passadeiras no seu interior, hábito em Portugal, vai lá saber-se porquê, o risco de atropelamento aumenta. Assim, sugere-se que as paragens de autocarros se encontrem fora de espaço de rotunda e fora da faixa de rodagem em local apropriado.

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Operações “STOP”

Grande e errado hábito existe em Portugal, efetuar operações “Stop” de fiscalização, no interior das rotundas. Tal situação é um ato de elevado risco rodoviário, pois não apenas diminui o espaço de circulação naquele troço, obrigando os condutores a mudarem para vias de trânsito mais interno, criando dificuldades à circulação e fluidez, assim como aumenta o nível de possibilidade de acidente, uma vez que muitos são os condutores a procurar vias mais internas, na esperança de não serem abordados pelos agentes fiscalizadores, não por estarem a prevaricar, mas sim para não estarem retidos tanto tempo.

Muitas são as vezes em que essas operações de fiscalização ocorrem em horário de enorme fluxo de trânsito. Parece, por vezes, não existir por parte das entidades fiscalizadoras de trânsito um cuidado em planificar essas ações para horários e locais mais adequados, permitindo assim não apenas a fluidez do trânsito, mas também que o trabalho dos agentes se realize com a qualidade desejável, garantindo aos agentes uma segurança laboral, uma vez que estes elementos se deslocam na faixa de rodagem.

A segurança rodoviária é feita por todos nós. Se legislação existe para a garantir, não se pode entrar em conflito com essa legislação, promovendo incongruências rodoviárias. Faça boa viagem.

Fotos ¦ Maisevora e Asbeiras