O perigo dos quadriciclos

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Durante muitos anos, com término na alteração ao Código da Estrada de1998, em Portugal, quem pretendia ter um documento que habilitasse à condução de um ciclomotor, bastaria deslocar-se aos serviços municipais e aí solicitar um exame que nada mais era do que identificar dois ou três sinais de trânsito, duas regras e efetuar uma manobra de oito com o veículo em questão. desde essa data, passou a ser necessário inscrição em escola de condução.

Após aprovar nesse exame, se é que assim lhe podemos chamar, o individuo ficava habilitado a conduzir o respetivo veículo até à eternidade, uma vez que tal documento não tinha data de validade. Acontece que, graças a esse documento emitido pelos serviços camarários veio, mais tarde, servir também como documento oficial para a condução de quadriciclos.

Todos as pessoas que efetuaram exame para aquisição de licença de condução de ciclomotores antes de 1998 ficaram, automaticamente, habilitados à condução de quadriciclos.  E uma vez que assim foi, passaram os condutores séniores que estavam habilitados a conduzir um ciclomotor, a estarem igualmente habilitados a conduzir os quadriciclos. O grande problema, é que não tinham formação para tal.

Quadriciclo vs Automóvel

O que diferencia um quadriciclo de um automóvel é, essencialmente, a seu peso. No que diz respeito aos quadriciclos , a sua massa não pode exceder os 550 kg, enquanto um automóvel, entre outros itens, terá de ter mais de 550 kg de tara. Esta é a essencial diferença, pois a forma de dominar o veículo, a ocupação do espaço da via, etc… é muito idêntica.

Um ciclomotor, essencialmente de duas rodas como podemos verificar nos meios mais rurais, é um veículo de equilíbrio. Os quadriciclos são veículos de perícia, que requerem outro conhecimento e formação no seu domínio. Quando se permite que uma pessoa sem formação adequada, muitas vezes com idade avança e pouca mobilidade, conduza um veículo de perícia num teatro de transito composto por veículos cujas dimensões e velocidades são muito diferentes, está-se a promover todas as condições para que aumente o risco rodoviário pelo conflito entre os veículos dispares.

Com o surgimento destes quadriciclos e a existência de uma legislação vazia nesta matéria, surgiu aqui um nicho de negócio, onde os vendedores destes veículos aliciaram os mais idosos à aquisição destes veículos, sobre o mote de que se poderiam deslocar como antes faziam, mas agora com maior conforto, sem apanhar chuva e essencialmente com as mesmas condições que um condutor de um automóvel. No entanto, tinham a vantagem, acrescentavam os vendedores, de o poderem fazer sem terem de frequentar uma escola de condução e adquirir uma carta de condução. Slogan; Conduza sem necessitar de carta de condução.

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Foi o Boom na venda destes veículos e o surgimento de mais um problema para a segurança rodoviária. Agora na estrada circulavam veículos muito idênticos a automóveis, no entanto que podiam ser conduzidos sem carta de condução e por pessoas sem formação adequada. Tudo o que eram regras e sinais de trânsito era algo que não estava contemplado na memória dos “novos” condutores.

A carta de condução

Uma vez que a sinistralidade rodoviária foi aumentanto envolvendo estes veículos, a alteração ao código da estrada em 2005 veio impor a aquisição da categoria B1 para a condução de quadriciclos.  Ou seja, passou a ser obrigatória formação com frequência em escola de condução. Acontece que continuamos com um enorme problema, que são os milhares de condutores encartados com licença de ciclomotor antes de 26 de maio de 2005.

Sugere-se então a todos os condutores que circulam por essas estradas portuguesas que tenham alguma paciência com os condutores dos chamados “papa reformas”, pois a culpa deles circularem sem formação, os que a não têm, não é deles, mas sim de quem permitiu que eles se tornassem legais nessa situação. Já aos condutores desses veículos, tentem perceber as vias onde se deslocam e procurem uma escola de condução no sentido de melhorarem o vosso conhecimento, nomeadamente formas de utilizar a via pública, garantindo uma maior prevenção para a vossa segurança.

Fotos¦ Bicistoi

  • Vitor Rendeiro

    Estou a residir actualmente na Ilha da Madeira. Aqui temos a famosa via rápida onde estes pequenos carros não podem circular, devido às suas características.
    Na via rápida de que falava antes, por vezes circulamos a traz de um camião a quase 20 km. O que eu diria que um papa reformas ou até uma bicicleta o poderia ultrapassar.
    Por isso não concordo que um smart por ser da marca que é, e bastante ultraleve possa exceder uma velocidade a cima dos 120 Km/h.
    Sabendo que alguns destes ditos quadricíclos podem chegar a 60 km/h, e olhando para a velocidade praticada pelos camiões que são “bastante eco”. porquê proibir estes veículos mais eco do que um camião. Eu só vejo uma razão a do poder das petrolíferas pois estes gastam só 2,50€ por cada 100 km o que faria baixar os lucros astronómicos das petrolíferas.
    Certamente teríamos um ar mais puro e mais dinheiro ao fim do mês.

  • Pedro Faria

    Agora A1 só dá para quadriciclos ligeiros que não pode exceder os 50cm3 de cilindrada,como eles podem continuar a conduzir?Apanhando eu 500€ de multa na mesma situação

  • Licinio

    Tirei a.licesa de ciclomotor em 1997 posso conduzir um papa reformas obrigada